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Crítica: Jogos Vorazes: A Esperança - O Final


Chegou aos cinemas o fim de uma das franquias mais famosas e lucrativas da indústria, Jogos Vorazes: A Esperança – O Final traz a conclusão do futuro distópico escrito por Suzan Collins, mas será que este foi satisfatório?

Primeiramente, não há como negar que dividir o último filme de franquias virou moda em Hollywood (Crepúsculo, Harry Potter, Hobbit...) e com Jogos Vorazes não foi diferente. Contudo, se Esperança fosse um filme de 3 horas de duração o resultado teria sido mais positivo. Não estou dizendo que este seja um filme ruim, muito pelo contrário, o problema é que há um claro problema de ritmo e algumas cenas dispensáveis.

O filme retoma ao final da “Parte 1”, onde vemos Katniss (Jennifer Lawrence) se recuperando do ataque de Peeta (Josh Hutcherson), que foi telessequestrado pela Capital, e juntamente presenciamos a Rebelião em sua força máxima pronta para atacar e, consequentemente, tirar Snow (Donald Sutherland) do poder.

O filme possui um ar melancólico e pesado, retratando de maneira correta o que é uma guerra e as consequências físicas e psicológicas das pessoas que a vivenciam. Aqui não é pintado o clássico cenário do herói ou bandido, aqui as pessoas possuem ambas as nuâncias, ou seja, o ser humano é falho. Sendo tudo muito bem transposto em tela pela direção segura de Francis Lawrence

A Capital é um ponto extremamente positivo no filme, muito bem construída, você sente aquele lugar ser real, tal proeza se deve a fotografia e efeitos especiais, muito bem utilizados. Outro fator a ser mencionado é a trilha sonora de James Newton, fator da qual senti muito falta no filme anterior, neste está bem presente, criando tensão como emocionando nos momentos certos.


Ao redor de tudo isso, se encontra Katniss Everdeen. Não há como negar, que existia à carência de uma personagem feminina forte no cinema, principalmente no universo Young Adult, e Katniss conseguiu preencher este espaço, sendo parte do acerto na escolha de Jennifer Lawrence para o viver o papel da protagonista. A atriz consegue fazer com que todo o drama e sofrimento vivido pela personagem pareçam reais. De forma extremamente natural, ela consegue transparecer as emoções de uma pessoa que se tornou o centro de uma batalha da qual nunca quis fazer parte, alternando muito bem entre momentos de frieza e vulnerabilidade, sem perde a ingenuidade de uma menina de 17 anos, que se tornou um joguete em uma trama de poder e ganância, para poder alcançar seu objetivo: salvar as pessoas que ama.


Outro destaque é Josh Hutcherson, que consegue passar todo o conflito interno de Peeta  Mellark. O ator consegue transpor de forma segura a dimensão da angústia do personagem, em saber o que é real ou não, alternando entre uma pessoa extremamente frágil e perigosa, sem soar falso ou inverossímil.


Contudo, o ponto mais fraco fica com Liam Hemsworth. O interprete de Gale sempre parece estar no modo automático, passando de maneira despercebida pelo filme, fazendo com que você não se importe com o personagem, sendo ele simplesmente descartável. Até mesmo num dos momentos mais importantes do arco personagem o ator não consegue trazer a carga emocional necessária.


Em relação ao triangulo amoroso, este está bem presente no filme, o que em minha opinião foi um erro. É bom lembrar, que o roteiro de Danny Strong e Peter Craig é bom e consegue conciliar os elementos necessários de um filme  e ao mesmo tempo ser fidedigno ao livro. Contudo é exatamente neste ponto em que o filme peca, devemos lembrar que os livros são do ponto de vista de Katniss, e quando este é adaptado nos cinemas, o pensamento em primeira pessoa passa a ser em terceira. Diante disso, algumas cenas que vemos nos livros são mais fáceis de compreender ou aceitar diante de estarmos compartilhando o pensamento daquela personagem, o que não ocorre no filme e ai que vem o ponto negativo.

As cenas do triangulo amoroso são muito forçadas e irreais, principalmente aquela em que os dois pretendentes conversam com qual deles a protagonista ficará. Em minha opinião, Jogos Vorazes sempre se diferenciou das demais franquias adolescentes por discutir temas complexos como a influência da mídia na sociedade contemporânea, a desigualdade social, o totalitarismo e simplesmente tirar o foco desta trama tão rica para se fixar em um arco que sempre se mostrou tão secundário nos livros faz com que ele se aproxime de um rótulo que nunca quis ter.

É preciso entender que nem tudo o que se encontra em um livro será em regra bem adaptável no cinema, pois na maioria das vezes somos tirados da visão do personagem e inseridos em uma perspectiva geral, tornando algumas cenas desconfortáveis e, consequentemente, tirando a imersão do espectador, o que ocorre infelizmente nessas cenas.

O elenco de apoio está magnífico. Como sempre o fantástico, Woody Harrelson mostra seu domínio sobre Haymitch, havendo destaque também para as atuações de Donald Sutherland, Sam Claffin, Jena Malone e Patina Miller .


O filme, de maneira geral, funciona bem, ele sabe trabalhar tanto com as cenas de drama e as sequências de ação, porém, durante os 137 minutos de duração pode ser sentido um ritmo um pouco cansativo. Contudo esses erros não tiram a importância que a franquia trouxe para a atualidade, demonstrando que o público adolescente não se contenta apenas com histórias rasas e que tem condições de entender temas complexos.

Por fim, Jogos Vorazes: Esperança – O Final, encerra de maneira satisfatória a tetralogia. Deixando um legado que será seguido para as novas franquias adolescentes que virão, por ter se tornado um sucesso de bilheteria e um sinônimo de qualidade.


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