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Universo Cosplay: Reah


No Universo Cosplay dessa semana nossa tripulação decidiu usar o nosso método de comunicação mais aprimorado para poder nos conectar com uma nova habitante desse lugar! Com uma chamada interestelar via skype de quase duas horas, conhecemos a carioca Renata Castro. Brincalhona, sempre com bom humor e com uma mãe coruja, Reah (apelido artístico) nos contou detalhes de como tudo começou até sobre as críticas que recebeu na Comic Con Experience 2015. Quer saber o motivo de tudo? Confira nossa entrevista abaixo!

E.A: Começado, é claro, pelo inicio, você teve influência de alguém? Conta para gente como tudo começou...
Então, eu tive um problema pessoal na adolescência e eu estava com a autoestima muito baixa. Eu tinha 16 anos na época. Meu primo já ia nos eventos; naquela época eu acompanhava Sakura na Globo e quando fui, eu olhei para tudo aquilo e vi que eu poderia ser a Sakura, a Sailor Moon... Poderia ser o que eu quisesse! Então fiquei maravilhada. Meu primeiro cosplay foi a Tenten do Naruto, as pessoas vinham e tiravam fotos... Posso dizer que aquilo salvou minha vida.

Reah completou que com o cosplay, ela conseguiu ficar mais solta e se comunicar melhor. Ela também levou esse universo para dentro da faculdade como auxilio em diversos trabalhos acadêmicos e apresentou para quem ainda não conhecia.

E.A: E quantos cosplays você faz? E qual é o seu preferido?
Não sei ao certo de quantos personagens eu faço, porque muitos eu vendi. Os meus preferidos são a Viúva Negra, que eu faço desde 2012, e a Rapunzel que foi também na mesma época. E estou sempre melhorando cada vez mais.

Reah também contou que é cosplayer oficialmente - no sentido de que faz com mais dedicação e um certo profissionalismo - desde 2009. Apesar que em 2008 já fazia alguns trabalhos, só que mais simples.

Apaixonada pela Disney e com tantas princesas, Reah conta que começou a fazer animação em festas infantis. "O dinheiro que eu ganho com cosplay, eu gasto com cosplay".

E.A: Quando você vai num evento grande, tipo a Comic Con Experience, tem algum critério para escolher os personagens?
Eu sempre me programo com muita antecedência e dou prioridade a grupos. A escolha de 2015 foi mais ou menos assim. Fui de Ravena com um grupo dos Jovens Titãs na quinta-feira, na sexta-feira de Arlequina, no sábado fiquei sabendo que teria um grupo de X-Men então fui de Kitty Pryde e no domingo eu usei dois cosplays: a Feiticeira Escarlate e uma versão Coelhinha de Os Vingadores.

Ela considera normal um pouco de timidez nas primeiras vezes, mas disse que a insegurança e a timidez vão diminuindo a medida que você se profissionaliza, no sentido de conseguir desenvolver a qualidade dos materiais e ter mais fidelidade ao personagem original.

E.A: Quando você começou existia algum tipo de constrangimento?
Sim, com certeza. O grupo causa mais impacto. E todo o pré-evento é muito bom, porque um dá força para o outro. Quando você faz sozinho, dá aquela insegurança. Quando eu comecei, eu me sentia envergonhada porque era muito simples, minha mãe fazia minhas coisas. Eu tinha vergonha e receio de passar perto das pessoas que já participavam de concursos e talz. Mas isso foi o que me motivou, quando eu comecei a ganhar dinheiro e investir, encomendei muitas coisas e com o tempo eu fui evoluindo. Tivemos um up muito grande com a facilidade de comprar material importado.

E.A: Você já passou por alguma situação desagradável?
Infelizmente já, e aconteceu na Comic Con Experience com o grupo de "Bunny Avengers". É muito difícil para os brasileiros aceitar versões alternativas. Acabaram estilizando o grupo, fomos julgadas e ouvimos muita coisa ruim de homens e mulheres também. Sem contar que teve um episodio isolado, de um stand que tinha homens bêbados, fizeram comentários desagradáveis e tentaram encostar. Foi muito ruim. Ainda existe muito machismo nesse meio.


E.A: Sobre o machismo... Vem mais de fora ou vem dos próprios cosplayers?
Machismo tem para caramba nas duas partes. E tem muita mulher machista também. Tem mulher que fala que quer aparecer, que é vadia... Sempre cito a Jessica Rabbit ‘eu não tenho culpa, fui desenhada assim’. Milhões de personagens são desenhadas com roupas curtas e se eu as admiro, eu vou fazer. O mesmo sobre decidir fazer a versão "Bunny", que lá fora é extremamente comum e aqui as pessoas veem de forma negativa. Apesar de ter muito machismo, as pessoas nunca admitem isso.

E.A: Continuando nas situações desagradáveis, qual sua opinião a respeito do ocorrido com o Pânico na TV?
Olha, eu não sei se teria a mesma paciência que ela teve. Talvez eu tivesse perdido a compostura, sido um pouco grossa ou agressiva. Não sei explicar, achei ela controlada. Porque o sangue sobe, entende? É uma mídia que já é conhecida por menosprezar as coisas, então não ia fazer uma coisa legal lá. O que eu que achei mais chocante foi deles ter mantido a postura e não ter pedido desculpa para ela e nem para os outros que apareceram também.

Na post da semana passada, na entrevista com o Gustavo Mastorillo, vimos que ele tem uma mania de azul e personagens de gelo e água. Como eles se conhecem, perguntamos se ela também tem alguma mania dentro do cosplay: "Eu tenho particularidade por personagens felizes, agitados e hiperativos. Acaba que os personagens influenciam na minha vida. Um exemplo muito claro é a Honey Lemon de Operação Big Hero. É engraçado porque é tudo muito espontâneo. Eu agindo como o personagem, mas na verdade eu acabo sendo eu mesmo. Com a Arlequina também, eu apelido todas as coisas que eu tenho. Meu martelo se chama 'Amor', porque o amor mata e machuca" (risos).

Sobre a interpretação, ela disse que gosta de levar tudo muito a serio e que suas escolhas não são por acaso. "Durante o processo de me vestir, eu vou tentando ser como o personagem. Sempre escolho os personagens que me deixam mais à vontade para atuar e os que parecem mais com minha personalidade. Fazer a Ravena foi muito difícil, porque ela é completamente diferente de mim. A Viúva Negra também é bem difícil de fazer, porque ela é um mulherão e eu sou toda estabanada. Eu levo no mínimo duas horas para me caracterizar totalmente, eu peço para não me chamar de Renata no processo.". Ela também brincou que a personagem mais difícil de fazer é a Kitty Pryde (X-Men), "por não dá para sair correndo e bater a cabeça na parede" (risos).

E.A: Ainda comentando sobre a Comic Con Experience, eu (Raphaela Vieira) e a Reah nos encontramos na turma de X-Men e ela comentou que estava com dor nos pés, então perguntamos sobre os incomodo que ela já passou com alguma roupa.
Naquele episodio exclusivamente foi mais pela questão de quatro dias direto, dormindo tarde, acordando cedo, esperar ônibus, encarar fila. Foram quatro dias usando salto. Mas em momento nenhum me passou pela cabeça de tirar as botas da Kitty. Se eu me dispus a colocar aquela roupa e ser ela no evento, então mesmo cansada, as pessoas que gostam da personagem veriam como ela realmente é.
Problemas já tive alguns, como esquecer o short quando vou usar saia em um evento. Porque sempre tem um engraçadinho que tenta alguma coisa. Mas o que mais peno são os saltos, porque eu sou muito desastrada e caio por qualquer coisa. São sempre eles que me matam em qualquer caracterização Não tenho problemas em mostrar a barriga ou usar meias nos peitos, porque o personagem é peituda. Meu maior problema de todos é sapato de salto.

E.A: Quando pedem para tirar fotos? Você se incomoda quando te interrompem? Como é isso?
Depende do momento, quando estou muito cansada eu peço desculpas. Quando já está no final do evento e eu já estou toda "desmontada" também. Agora, se eu estou sentada comendo, sem luvas e sem os cintos ou alguma coisa e vem alguém para tirar fotos, principalmente criança, eu paro e dou atenção. Porque um evento grande, você pode não ver a pessoa mais. Agora se é no final do evento, eu peço de desculpa e não tiro. Mas, eu não costumo negar foto para ninguém, principalmente se eu estiver comendo.

E.A: E o que sua família acha de tudo isso?
Eu sou muito abençoada por isso, minha mãe é costureira e meu pai é carnavalesco, então assim "olha só, ela vai se fantasiar para sempre, que coisa maravilhosa" (risos). Eu tenho muito apoio, eles viajam comigo, pensam comigo, dão opinião, me ajudam. Levei minha mãe para um evento uma vez, ela adorou! Ao mesmo tempo que as pessoas lá fora falam das coisas ruins, quando eu chego em casa eles dão todo apoio, me incentivam a não desistir e dão todo suporte que eu preciso. E se eu estou insatisfeita com alguma coisa, eles sentam comigo para gente pensar juntos em alguma solução. Isso anula qualquer coisa ruim que vem de fora.


Também perguntamos qual era as piores e as melhores lembranças que ela tem. Reah disse que a pior foi o episódio da Comic Con Experience em relação as Bunny Avengers, que ela ouviu coisas horríveis, como uma mulher que falou "joga dinheiro na cara delas, que é disso que elas gostam". E as melhores foi em 2014 que ela ganhou o prêmio de primeiro lugar, numa apresentação simples que ela estava morrendo de vergonha de fazer. "Isso foi muito importante para mim. Recebi muitos abraços sinceros e muitas pessoas lindas vieram falar comigo". Outro motivo de extrema alegria, foi quando ela se vestiu de Ravena com o grupo dos Jovens Titãs, aqui em São Paulo. "É uma galera que eu vejo pouco, mas sempre que eu vejo eles me tratam super bem. Eu fiquei muito feliz".

E.A: Você já influenciou alguém e o que você pode passar para quem está começando?
Eu ainda fico surpresa quando aparece alguém dizendo que me conhece, é engraçado. Eu vou em eventos fora do Rio, a maioria em São Paulo e aparece alguém me tratando especial porque gosta do meu trabalho, eu falo: “caramba”. Eu tento fazer os personagens que eu mais gosto e da melhor forma possível e sempre falo para as pessoas: sempre procurem personagens que vão te deixar a vontade, mas se você está com vontade, quer homenagear o personagem, faça! Porque sempre terá alguém para te colocar para baixo. 

Reah também completou que não vale a pena quando você deixa subir à cabeça e começa a fazer cosplay sempre voltado para concursos, para ganhar, para se tornar famoso. Para ela, não é uma situação tão recompensadora quanto a de procurar fazer porque gosta. Concursos e prêmios ela encara como uma consequência, um resultado de trabalho bem feito e feito com amor.


E.A: Qual a parte mais recompensadora de ser cosplayer?
A admiração das pessoas, sem duvidas. É muito muito legal quando a pessoa olha e fala que "você está perfeita" ou que adora a personagem Eu fico muito emocionada quando as pessoas me elogiam porque é importante para mim e é importante para o fã, ver um personagem que ele gosta sendo levado a sério. Tem um menino que sempre fala comigo e me chama pelo nome do personagem. Se for crianças ainda eu me derreto toda.

Reah disse que em um evento, um menino disse: “Wanda, Wanda", e ela: "Espera que ele me chamou de Wanda. Ninguém se mexe”. Outro fato engraçado que aconteceu com ela, foi quando um garotinho a viu de Arlequina, ela estendeu a mão para falar com ele e ele deu alguns passos para atrás. Ela perguntou se ele estava com medo e o garoto respondeu: "Não, só não quero ficar perto de você porque senão o Coringa vai me matar. Você é amiga dele!". Reah tentou dizer que não, e que era amiga do Batman, mas o garoto insistiu, dizendo que era mentira e que ele lê os quadrinhos. "Quando criança responde assim, eu brinco mesmo. É muito gratificante, tem magia ali. Muita gente vê de forma negativa, mas sempre encontro a coisa mais bonita, magia mesmo. Todo mundo devia fazer cosplay pelo uma vez na vida".

E para finalizar, é claro que não podíamos deixar de perguntar sobre os projetos deste ano. Reah nos contou que ainda não parou para pensar em nada, pois ainda tem muita coisa em seu guarda roupas que ainda não usou, como a Sailor Vênus e que ainda tem projetos para a Glinda de Wicked (a Bruxa do Norte de O Mágico de Oz).

Ela também nos deu algumas pistas do que podemos chamar de "projeto surpresa", segundo Reah, é um cosplay que ela sempre teve vontade de fazer. As pistas foram: é da Disney, uma das histórias favoritas dela que é uma mistura lúdica com terror. Será que vocês conseguem adivinhar?




DeviantART: itsreah
Instagram: @garotadeoculos


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