Swift

Critica: O Quarto de Jack



Olá tripulação!

Estou de volta para continuarmos nossa maratona pré-oscar. Dessa vez a crítica será sobre o filme O Quarto de Jack, longa que foi indicado em quatro categorias (“Melhor Atriz”; “Melhor Diretor”; “Melhor Roteiro Adaptado” e “Melhor Filme”) no Oscar de 2016.

O longa é baseado no livro de Emma Donoghue, que conta a história de Joy Newson que aos 17 anos foi sequestrada e mantida em cativeiro. Dentro desta ótica engravida de seu sequestrador e tem Jack, sendo este criado dentro do pequeno espaço e sob o entendimento de que nada existe no mundo além daquelas quatro paredes.

A história se inicia sob a perspectiva de Jack, um criança que nunca viu ou tem conhecimento do mundo real, sendo criada sob a fantasia de que nada existe fora daquele lugar. Logo em seguida somos apresentados a Joy e percebemos a situação em que ambos vivem e o esforço da personagem em tentar criar seu filho da maneira mais normal possível.

É nesse momento que a direção de Lenny Abrahamson brilha. No primeiro momento, pelos olhos de Jack vemos um quarto grande/ infinito, sob a perspectiva de alguém que considera aquele pequeno espaço seu mundo, sendo o personagem uma grande alusão ao "Mito da Caverna" de Platão, onde aquele que nasceu na “caverna” só conhece a sombra do mundo e não ele por completo. No entanto quando é dado o enfoque em Joy podemos ver um espaço opressor, claustrofóbico, desesperador, por estarmos sob a perspectiva de uma pessoa que perdeu a sua liberdade.


Essa visão divergente sobre um mesmo ambiente é muito interessante e na minha opinião ocorre durante todo o filme, estando ambas em constante conflito uma vez que diante da possibilidade de fuga Joy precisa fazer com que Jack tome consciência de que o mundo é muito maior do que 10 metros quadrados, criando rupturas no que ele sempre acreditou ser real.

Durante toda essa trajetória – da vivência em um cativeiro à adaptação no mundo real – a direção de Abrahamson mostra as dificuldades e superações dos personagens, por meio de câmeras subjetivas (onde o espectador assume a posição do personagem) ou por uma fotografia que se inicia escura e no decorrer do filme se torna cada vez mais clara e iluminada, conversando com o espectador.

Outro grande fator, senão o mais importante deste filme, e a relação entre Joy e Jack, interpretados com maestria por Brie Larson e Jacob Tremblay. A atriz consegue transmitir ao público a maturidade que teve que adquirir diante de sua situação, assim como, a sua fragilidade diante do rancor pelo tempo perdido. Já Jacob se entrega de maneira total ao seu personagem, aqui não vemos uma criança que simplesmente chora ou grita, mas que transmite as dificuldades de sua adaptação, conseguindo emular inúmeras emoções, de uma maneira bastante natural e segura.



Contudo nem tudo são flores, sinto que o filme possui um problema de ritmo e que alguns personagens e questões poderiam ser mais desenvolvidas, como por exemplo, a não aceitação do pai de Joy pelo neto, o destino do sequestrador. Outro fator é que a trilha sonora que não se demonstra muito presente durante o filme, deixando certas cenas apáticas.

Por fim, pode se dizer que o Quarto de Jack se sustenta diante de uma direção segura e da entrega dos atores aos seus personagens. Demonstrando não ser apenas um drama sobre abuso/sequestro, mas uma história de amor entre mãe e filho e a lenta jornada de ambos pela recuperação.





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