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Resenha: Eu sou o Número Quatro

Ainda este ano, chega ao Brasil pela editora Intrínseca o último livro da série Os Legados de Lorien. Com o título United as One (Unidos como Um, em tradução livre), o sétimo e último livro tem previsão de lançamento nos EUA para 28 de Junho, seis anos após a estreia da série.

Aqui no Brasil, Eu sou o Número Quatro, o primeiro título da série foi publicado em 2011, pela Editora Intrínseca. Na época, uma adaptação para o cinema estava sendo lançada e era intenção da editora pegar carona no possível sucesso do filme. Embora a bilheteria não tenha sido tão interessante para o estúdio, que decidiu não produzir mais nenhuma sequência, a Intrínseca não ficou realmente no prejuízo, já que a série literária acabou conquistando fãs dedicados por aqui.

Na verdade, desde o ano passado, fãs brasileiros têm promovido o Lorien's Day, um evento dedicado a saga e seus personagens, sobre o qual você pode ler mais aqui.

Como um preparativo para o evento e para o lançamento do livro final, nosso blog pretende abordar um pouco sobre o universo literário criado por James Frey e Jobie Hughes. Começando com esta resenha do primeiro livro da saga!

Livro 1 – Eu Sou o Número Quatro



Eu sou o número 4 saiu no Brasil com relativo alarde, como é típico do marketing dedicado da Editora Intrínseca, que apostou a maioria das suas fichas nos rostos bonitos do elenco jovem do filme que estava sendo lançado na mesma época. Escrito por James Frey e Jobie Hughes, o livro é assinado com o pseudônimo de Pittacus Lore, que é na verdade um personagem dentro da trama, uma espécie de sábio responsável por levar a história dos protagonistas adiante, contar como nove alienígenas dotados de dons especiais escaparam da destruição de seu planeta e suas dificuldades de adaptação à nova vida na Terra. Não se trata de um argumento realmente original, e nem deve ser essa a intenção dos autores, mas a obra consegue cativar com um desenvolvimento interessante e personagens carismáticos.

Restaram nove. Vieram ainda crianças, cada qual acompanhado de um protetor, um professor que os preparariam para a grande guerra, grande vingança contra a raça inimiga que dizimou seus familiares. Eles não têm nomes, têm números que marcam a ordem de suas mortes. Não podendo assim o número três morrer antes do dois ou o dois morrer antes do um.

Um, dois e três estão mortos. Quem conta essa história é o número quatro, o a partir de agora chamado John Smith. Desde pequeno foi um nômade, escapando pelas cidades dos Estados Unidos sem deixar pistas nem amigos. Nunca se firmou, nunca se comprometeu nem se apaixonou por ninguém. Está prestes a descobrir que é o próximo na lista da morte e que quando alguém da sua raça se apaixona, se apaixona para todo sempre.  Não estava pronto para nenhuma das duas coisas. Seu próximo destino é Paradise, uma cidadezinha de Ohio, mais uma para chegar e sair sem ser visto nem amado ao primeiro sinal de perigo. Mas dessa vez (é óbvio) ele encontrou amigos, inimigos e um grande amor – pela lógica o único. Agora ele pode (e quer) ser normal, pode viver das fraquezas, arroubos e dramas exagerados da adolescência humana.

Não é novidade que essas histórias de amor com adolescentes e elementos sobrenaturais vendem. Vendem livros, filmes e tudo mais que houver de produto associado à popularidade de seus personagens, seus autores – e também atores quando é o caso da mais cara e rentável dessas produções, o cinema. O que Eu sou o número 4 procura trazer de novo é a voz masculina na narração da história, a voz do menino que preza pela ação e economiza no melodrama. Até então, a esmagadora maioria dos textos nesse sentido se direcionavam de forma clara ao público feminino, com a voz da garota que chora por amores impossíveis para comover e alimentar suas leitoras com o mito do príncipe encantado (estou falando com você, Stephenie Meyer). Eu sou o número 4 tem, dessa forma, um estilo mais frio de tratar os relacionamentos e as perdas.


No mais, Pittacus Lore nos apresenta um conjunto de clichês facilmente digeríveis, e agradáveis para quem se interesse por literatura infanto-juvenil e pelo universo da ficção científica. Clichês que se mostram muito eficientes para o conjunto da obra. É basicamente um livro despretensioso e divertido que convence na medida que o leitor aceita as limitações desse tipo de literatura de ação. É literatura de entretenimento no sentido mais básico do termo.


Como já mencionado no início, Eu sou o número 4 teve uma adaptação para cinema. Dirigido por D.J. Caruso (Paranóia, Smallville), o filme não parece ter cativado tanto quanto os livros originais, já que a bilheteria morna não convenceu o estúdio a levar a saga para frente.


De um modo geral, o filme tem o que o gênero precisa: um show de efeitos especiais e um bocado de rostinhos bonitos para fazer o trabalho sujo que o roteiro não conseguiu. É acima de tudo uma adaptação e não se pode dizer que seja realmente condizente com a obra original. É um John Smith muito mais rebelde – provavelmente para que a nossa juventude pós-moderna possa melhor se identificar – e em resposta a essa rebeldia, temos seu tutor doente de uma ironia incurável não tão evidente no livro. Pode-se dizer, na verdade, que nenhuma das cenas apresentadas no cinema mantém fidelidade ao texto de James Frey e Jobie Hughes, mas manteve a mitologia e algo que podemos chamar de “essência”.


Já faz algum tempo que aprendi a não julgar a eficácia de um filme o comparando ao livro que o originou, já que a linguagem é outra. O cinema tem à sua disposição a facilidade das imagens e o poder de manipular a nudez e apelar com ela, por exemplo.


JAMES FREY é o autor do polêmico Um milhão de pedacinhos, uma autobiografia sobre seus problemas com drogas. Nasceu em Cleveland. Já morou em diversos lugares do mundo, inclusive no Brasil, e atualmente vive com a esposa em Nova York. JOBIE HUGHES nasceu em Washington e é formado em Escrita Criativa. PITTACUS LORE é o responsável pela história dos nove lorienos remanescentes.

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