Swift

Critica: Star Trek - Sem Fronteiras


"Espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de cinco anos para explorar novos mundos, pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo, onde nenhum homem jamais esteve".

Terceiro filme da mais recente encarnação da tripulação da U.S.S Enterprise, "Star Trek: Sem Fronteiras" chega com a missão ingrata de finalmente sintetizar a nostalgia dos anos 1960 num abrangente longa de ação, rentável para o estúdio na categoria de um blockbuster. Embora bem recebidos pela crítica e pelo público, os dois filmes anteriores pareciam ainda não convencer de todo uma parcela mais ortodoxa dos fãs da franquia.

Se nas duas primeiras aventuras, J.J. Abrams optou por um enredo mais megalomaníaco, focado em salvar o mundo, Star Trek Sem Fronteiras leva a ação de volta para o microuniverso da nave, privilegiando o caráter explorador dos protagonistas. E é aqui que o filme incorpora toda a nostalgia e o significado do universo original de Star Trek, ao pensar os personagens mais como pesquisadores que como militares. A missão de exploração da U.S.S Enterprise sempre buscou o conhecimento, não o combate. A ação é mera consequência, não um fim em si mesmo.

Escrito por Simon Pegg (que também interpreta o oficial de engenharia Scotty), trekker de carteirinhas, e dirigido por Justin Lin (de Velozes e Furiosos 6), Star Trek Sem Fronteiras começa com a destruição sistemática da Enterprise (quantas vezes já vimos essa nave ser destruída?). Sem nenhum motivo aparente, a tripulação é atacada, boa parte capturada e os que escapam se perdem na superfície de um planeta hostil na borda não mapeada da galáxia.


Em algum lugar do planeta estranho, Capitão Kirk (Chris Pine) e Chekov (Anton Yelchin, infelizmente falecido em junho deste ano) tentam voltar aos destroços da nave. Em outro ponto qualquer, Spock (Zachary Quinto) e o Dr. McCoy (Karl Urban) fogem com o inimigo em seu encalço. Perto dali, Scotty faz novas amizades. Enclausurados na base inimiga, Uhura (Zoe Saldana) e Sulu (John Cho) tentam enviar um pedido de resgate.

Com sua tripulação assim tão espalhada e dividida, conseguirá o Capitão Kirk superar as adversidades e salvar o dia mais uma vez? Claro que sim! E é com essa trama tão simples, muito mais embasada em simbologias e sentimentos que numa complexidade de enredo, que o roteiro de Pegg busca se comunicar com os fãs da série. É que a graça da ficção de aventura idealizada por Gene Roddenberry sempre foi investigar os meios, mas do que focar nos fins.


Com um elenco já muito bem entrosado com o universo e com os personagens, Star Trek Sem Fronteiras entrega um grupo de protagonistas ainda mais carismático que seus dois antecessores, com a interessante adição de Jaylah, interpretada por Sofia Boutella, a mitologia da franquia. A nova personagem se integra bem com a dinâmica do grupo e protagoniza algumas das mais interessantes cenas de ação do filme.

Trazendo de volta toda a utopia de paz e amor para o futuro da humanidade, o longa consegue ser um sopro de otimismo e criatividade em meio a todos os recursos de nostalgia. Quando é ação, é um excelente filme de ação, enérgico e ininterrupto. Quando é humor, é sutil e não precisa forçar a barra em momento algum. Quando é a história dos sentimentos de seus personagens, faz questão de ser piegas, como o original de Roddenberry sempre fez questão também.


No fim, vemos nossos protagonistas assistindo a Enterprise sendo novamente construída, solenemente pensando nas próximas aventuras que só novos filmes vão ser capaz de nos mostrar. Todos eles saudosistas do futuro, até mesmo o Chekov de Yelchin, que, infelizmente, já não se encontra entre nós.


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