Swift

Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam


Em 2000, quando tinha apenas 11 anos, minha mãe, como incentivo à leitura, me deu de presente um livro chamado "Harry Potter e a Pedra Filosofal". Ela foi a responsável por um título muito importante na minha vida: de ter me apresentado o fantástico mundo de Harry Potter. Agora, dezesseis anos depois, fui aos cinemas assistir o primeiro filme derivado desta saga que conquistou milhões - seja pelos livros ou filmes - e a primeira dúvida que surgiu quando entrei na sala foi: Será que vou gostar do filme? Será que eu mudei? 

Logo no início, instantaneamente tive um flashback de todos os filmes de Harry Potter, foi inevitável. Contudo, o longa trata de fazer a separação: Sim, estamos no universo de HP, mas seremos introduzidos a uma história completamente diferente. Com um ar bem mais sombrio, somos apresentados ao nosso protagonista Newt Scamander (Eddie Reymade), tímido magizoologista, que viaja o mundo catalogando e estudando criaturas mágicas, sendo seu mais novo destino Nova York.



Neste ponto, somos introduzidos a metrópole dos anos 20 - época está conhecida como a 'Era do Jazz' - onde o glamour e a boêmia eram fatores presentes na sociedade. Os cenários e figurinos demonstram a riqueza da produção, enquanto menções a Primeira Guerra Mundial e a Lei Seca mostram o cuidado do roteiro na ambientação da história. Tudo isso, sendo contextualizado dentro de um mundo bruxo instável devido aos atos do antagonista Grindelwald (Johnny Depp), poderoso bruxo que deseja uma nova ordem mundial em busca do 'bem maior', ocasionando uma relação bastante tensa entre bruxos e trouxas (ou, no-majs).

No meio deste redemoinho, Newt é jogado de maneira despretensiosa aos problemas existentes no mundo bruxo, sendo este o momento em que o roteiro de J.K Rowling brilha. Se há uma coisa que a escritora faz de maneira exemplar em seus livros é a construção de personagens e os encontros e desencontros destes. No caso, por uma pequena confusão somos apresentados a Jacob (Dan Fogler), um no-maj, que representa a curiosidade do público perante este mundo totalmente desconhecido; logo após, Tina (Katherine Waterston), uma auror afastada de seu cargo, é o meio pelo qual somos apresentados ao MACUSA e suas leis; e por fim, sua irmã, Queenie (Alison Sudol), com seu jeito leve e até mesmo puro, mas dona de uma incrível sabedoria nos revela fatos que contribuem para entendermos nosso protagonista. 



A forma como a vida desses personagens são interligadas ajuda na construção da amizade entre eles, sendo está criada de maneira bem orgânica. Através deles, J.K. Rowling conta uma história de amizade entre adultos, algo hoje tão escasso no cinema, ao mesmo tempo que aborda temas pesados como preconceito e bullying - por meio da ordem Nova Salem - ou reflexivos como a preservação do meio ambiente - ponto este trazido pelos animais e o discurso de Newt. 

Algo que sempre achei um pouco defasado no universo de HP, foi como os animais na obra eram tratados de forma 'descartável'. Em "Animais Fantásticos e Onde Habitam", finalmente vejo as criaturas não apenas como alegorias mas como personagens na história, tendo o filme a paciência de apresentar cada um pelos olhos de Newt e como estes são importantes para o mundo mágico e que é nosso dever protege-los, não extermina-los. Devo confessar, que essa mensagem me emocionou no cinema, ao ver Newt dando uma aula de educação ambiental de um jeito tão simples e bonito.



Todo esse universo é transpostos pela direção de David Yates, parceiro da autora há alguns anos nas produções de Harry Potter, fazendo este um trabalho satisfatório. Contudo, devo confessar que em alguns momentos o filme possui um pequeno problema de ritmo e certos personagens poderiam ter sidos mais aproveitados dentro da história como é o caso de Henry Shawn (John Voight) e Mary Lou (Samantha Morton), que ao meu não foram bons contrapontos da história. Diferentemente, dos personagens de Percival Graves (Colin Farrel) e Credence (Ezra Miller), que trazem com perfeição toda essa caraterista sombria e misteriosa. Por fim, como mencionado anteriormente, Johnny Depp aparece singelos 5 minutos, e com isso não podemos analisar muito como será sua interpretação como Grindelwald, o jeito é rezar para que não seja caricato. 



No início deste texto, indaguei se teria 'crescido' demais para ver um filme derivado da franquia Harry Potter. Após está longa análise (eu me empolguei gente kkkk), eu posso afirmar que sim eu mudei, até porque se passaram dezesseis anos desde minha introdução a este mundo e cinco desde que foi lançado o último filme. Mas isso não é ruim até porque todos estamos suscetíveis a mudanças. Sim, nós crescemos mas este mundo também. Parafraseando minha cara J.K. Rowling, "as histórias que mais amamos vivem em nós para sempre" e "Animais Fantásticos e Onde Habitam" é o cartão de 'Bem-Vindos de Volta'.


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