Swift

Crítica: Fallen


Em uma das minhas idas a Saraiva do Shopping Interlagos, mais ou menos por volta de 2011, me deparei com um livro que tinha uma capa maravilhosa e com um aspecto meio gótico. Quando li a sinopse, vi que se tratava de anjos caídos - na época eu estava escrevendo um roteiro de um curta metragem sobre o mesmo assunto - foi então que resolvi levar o livro para casa. Não seria exagero dizer que eu “engoli” a história em dois dias e me apaixonei pela forma como era contada e pelos personagens que eu tinha acabado de conhecer.

Fallen foi amor à primeira lida! A partir daquele momento comecei a acompanhar os lançamentos seguintes (Tormenta, Paixão, Êxtase e os spin offs) e como muitos fallenatics, a sofrer com a demora da produção e depois do lançamento do filme. Eu não sei descrever o quão feliz eu estou nesse momento. Já adiantando aos que estão lendo a crítica: sim, o filme é fiel ao livro - ainda que com algumas mudanças nos acontecimentos, a mesma história é contada. Todas as modificações foram feitas para se encaixar na tela, para puxar a atenção de quem não leu o livro – mas o filme também apresenta alguns escorregões no quesito produção e direção. 


Diferente do livro, onde começa com uma das vidas passadas de Luce, o filme inicia narrando o momento em que Lúcifer se rebelou contra Deus, e ocorreu a divisão entre o bem e o mau. Os anjos que não escolheram um lado, caíram. Depois disso, vemos Luce chegando ao reformatório Sword & Cross. Como dito anteriormente, muitos momentos não acontecem exatamente como no livro, mas acontecem!

O roteiro segue exatamente a mesma linha narrativa, fazendo com quem já tinha lido vibrar de emoção por finalmente estar vendo aquilo acontecer em uma tela grande. Mas até aqui foi uma fã escrevendo, agora vamos analisar mais a fundo deixando um pouco do fanatismo de lado... A história se desenvolve lentamente e quando finalmente chegamos no clímax, tudo é resolvido tão rápido que não dá tempo de desfrutarmos ou ficarmos tristes com certos acontecimentos.


Em relação aos personagens é quase impossível não encher os olhos de lágrimas. Depois de vários “dreamcast” feitos ao longo desses anos de espera, parte do elenco escolhido não deixou a desejar!

O destaque fica para o bad boy (ou bad angel) Cam Briel, interpretado pelo ator Harrison Gilbertson, que superou todas as expectativas nos dando um personagem apaixonante e sedutor que teve mais química com a Luce do que o próprio Daniel. Por incrível que pareça, Jeremy Irvine também caiu como uma luva no papel; apesar de pouquíssimos diálogos ele foi exatamente o que Daniel precisava ser: misterioso e com aquela eterna expressão de quem vem sofrendo por amor há muitos anos, mas conhecendo outros grandes trabalhos do ator, sabemos que com um pouco mais de direção, ele poderia ter saído bem melhor do que foi colocado ali. Já a protagonista Luce, interpretada pela atriz Addison Timlin, visualmente se encaixou perfeitamente, mas ainda deixou um pouco a desejar. E como não mencionar Pennyweather Van Syckle-Lockwood (Lola Kirke), ou apenas, Penn, que teve um desenvolvimento melhor no filme, sendo uma nerd fofa de raciocínio extremamente rápido.

Um dos pontos positivos do filme foi o fato de optarem por focar somente na Luce, e também dar mais atenção a amizade dela com a Penn. Os anjos ficaram como “background”, alguns deles até ficaram meio jogados ali, como o Roland.


Em uma adaptação é impossível colocar tudo o que acontece no livro, é visível que não queriam deixar detalhes importantes da história de fora, mas em certos momentos optaram por cortes bruscos que causam estranheza e quase lembram os filmes de sessão da tarde.

O visual do filme é um ponto alto. O diretor Scott Hicks soube dar a dose certa do "gótico" que as capas dos livros propunham. Com muitos planos detalhes - quem já leu o livro captou a mensagem e sabe que foram indícios da sequência (Tormenta) - a fotografia em grande parte ganha desfoques e efeitos na edição, para nos aproximar das "alucinações" de Luce.

E apesar de uma produção de baixo orçamento, os efeitos visuais também não deixaram a desejar. Mesmo as asas dos anjos causando eterna estranheza - porque nos acostumamos com asas grandes, fortes e cheias de penas - o filme nos dá uma nova versão, trazendo asas quase transparentes e totalmente iridescentes (como descritas no livro). Afinal, não existe um padrão, ninguém sabe realmente como são as asas dos anjos, então vale um ponto para a criatividade, certo?


O que faltou mesmo foi um tempo maior de clímax, um pouco mais de química entre o casal (Daniel e Luce) e o final é quase um “the end” de Senhor dos Anéis: acaba do nada e pede por uma continuação - só precisamos torcer para não demorar tanto quanto esse - mas, para encerrar posso dar a certeza de que não é uma daquelas adaptações cinematográficas que cortam o coração dos fãs. Podem assistir sem medo!

E antes que venham com "mimimi" falando que é cópia de Crepúsculo, já adianto: não existe triângulo amoroso entre Cam - Luce - Daniel. Leiam os livros ou esperem os próximos filmes para poder entender o que realmente se passa! 







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