Swift

O que aprendi com Carrie Fisher


Após ler inúmeras matérias em homenagem a carreira de Carrie Fisher, que infelizmente nos deixou precocemente em razão de uma parada cardíaca, me questionei se seria necessário um texto falando sobre os inúmeros feitos da atriz. 

Sendo assim, decidi escrever um texto sobre o que aprendi com ela ao longo dos anos, como uma forma de lidar com este vazio no coração que muitos estão sentindo.

Apesar de não ter nascido na época da trilogia clássica, como muitos tive o primeiro contato com o universo Star Wars por meio de  fitas VHS. Um dia na locadora, encontrei um VHS com o nome "Guerra nas Estrelas - Uma Nova Esperança", achei interessante e decidi alugar. Neste dia fui apresentada a Princesa Leia Organa, e apesar de ser uma menina e só entender alguns ensinamentos mais velha, fiquei fascinada com a 'princesa rebelde'.


Em uma época em que o rótulo de princesas significava ser dócil e complacente, Leia quebrou as estruturas de uma cadeia arcaica e preconceituosa, introduzindo uma princesa sem limites, com uma língua afiada e dona de si mesma. Com ela aprendi, que ser da realeza não significa ser indefesa ou ter que esperar pelo príncipe encantado em seu cavalo branco. Pelo contrário, aprendi a ser sagaz, inteligente, forte e a lutar por um objetivo que acredito e que sei que tenho capacidade de realizar, mesmo que a sociedade ache que este não é  meu 'papel'.

Sem Leia não existiria o protagonismo feminino. Em pleno 2016 onde o sexismo dentro da industria cinematográfica foi tão debatido e criticado, devemos lembrar que ela foi a responsável por abrir as portas da representação feminina nos cinemas, ao mostrar que mulheres são mais que interesses amorosos ou símbolos sexuais, mas que podemos sim ser protagonistas de histórias. O que seria de Furiosa, Elsa, Rey, Katniss, Ripley e tantas outras se não houvesse Leia?

Se com Leia aprendi a força da mulher, com Carrie Fisher aprendi a não me rotular à padrões. Tendo  vivido uma vida de extravagâncias nos anos 80 e 90, Carrie nunca escondeu do público sobre sua bipolaridade ou o abuso de drogas e bebidas alcoólicas. Pelo contrário, ela abriu diálogo, quebrando taboos e sempre transmitindo mensagens de conscientização de maneira casual, extrovertida e um tanto desbocada (como não amar?).


Nunca se moldando aos padrões, mesmo que isso tenha rendido críticas, Carrie sempre foi dona de sua palavra e de si mesma, não se acomodando ao que era politicamente correto.

Na minha opinião, uma visionária, mesmo que nunca tenha admitido o título. Com ela aprendi que não possuo uma única habilidade ou função, mas que posso ser várias personificações de eu mesma. Que posso ser a Fernanda advogada, roteirista, blogueira, entre tantas outras.

Tanto Leia como Carrie inspiraram pessoas, independente do gênero. Ela inspirou a termos confiança, em acreditarmos em nosso potencial e que não precisamos ser perfeitos, mas simplesmente nós mesmos.

Mais do que atriz, roteirista, ativista, escritora, mãe, princesa e general, Carrie foi Carrie e a Força sempre esteve dentro dela.

LEIA TAMBÉM