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Resenha: Ghost in The Shell



Como prometido, a resenha que muitos esperavam está pronta! Após uma semana um tanto turbulenta finalmente consegui ler "Ghost in The Shell". Estão curiosos para saber qual foi a minha opinião sobre este ícone da cultura geek ? É só ler abaixo.

Lançada na Comic Con Experience deste ano, pela editora JBC, a obra que é inédita no Brasil surpreende a primeira vista pela sua qualidade. Totalmente produzida em papel luxcream e no formato de 17cmX24cm, o mangá possui um tamanho maior que o normal, tornando a leitura muita mais prazerosa - até porque se você é que nem eu e fica com o mangá praticamente no nariz para ler as anotações dos autores, acredite seus olhos irão agradecer - como também, o leitor pode ver com muito mais clareza as artes.

Por falar em arte, as de "Ghost in The Shell" são linda e muito bem detalhadas. É muito legal quando você encontra um artista que sabe como a arte do mangá irá transmitir sua história e, neste caso, Masamuse, desde os designs dos personagens até as cenas de ação, tem tudo mundo bem planejado. Sendo importante elogiar o autor em relação a quantidade de pesquisa feita - como observadas pelas anotações ao longo do mangá - para tornar este mundo o mais coeso e crível o possível aos olhos dos leitores.

Mas caso você nunca tenha ouvida falar da obra até este momento, fique tranquilo pois aqui vai um pequeno resumo. Criado por Masamune Shirow e tendo sido publicado originalmente no Japão de 1989 à 1991, o mangá impactou o gênero de ficção científica, se tornando rapidamente um ícone e influenciando inúmeras produções como, por exemplo, a trilogia Matrix das irmãs Wachowski. 

Além disso, foi adaptado inúmeras vezes em filmes (sendo a mais famosa a animação de 1995) e séries, como também, ganhará ano que vem uma versão live-action protagonizada por Scarlett Johansson.

Mas e a trama ? Bem essa é uma pergunta um pouco mais complexa. Centrada em futuro distópico - um Japão de 2029 - somos apresentado a este mundo cyberpunk em que vive  a ciborgue Mokoto Kusanagi, ou simplesmente Major, como chamada pelos seus membros de equipe. Ela é líder de um grupo de elite do governo, intitulado "Seção 9", responsável por combater crimes tecnológicos.

A história começa a ganhar forma quando a equipe se depara com o Mestre dos Fantoches, um poderoso hacker que consegue implantar memórias falsas nas pessoas e controla-las. A partir daí a equipe segue no encalço do criminoso que parece ser impossível de capturar.

Com uma trama rápida e ótimas cenas de ação, a obra irá agradar grande parte de seus leitores, Contudo, o grande mérito, no meu ponto de vista, de "Ghost in The Shell" são as discussões que o autor traz em sua obra. Como disse, anteriormente, apesar de sermos inseridos neste universo cyberpunk muito bem construído, o foco de discussão é até que ponto a tecnologia pode ser inserida em nossas vidas.

Através deste questionamento, Masamune joga ao leitor inúmeras referências filosóficas, sociais e até mesmo éticas sobre até que ponto a junção entre homem e máquina é aceitável. Aqui nós temos oportunidade de avaliar temas como identidade pessoal e trans-humanidade (movimento que estuda os benefícios e prejuízos de tecnologia emergentes que podem superar as limitações humanas fundamentais).

Ademais, faz também uma reflexão sobre o que pode ser considerado vida, tendo em vista, que conforme mais avançada a tecnológica, as máquinas vão evoluindo e tendo consciência de sua própria existência. Podendo, neste caso, serem considerados seres vivos ou não?

Contudo, apesar de trazer tais questionamentos o autor em nenhum momento faz julgamento de valores, pelo contrário, ele deixa está função para o leitor. Ou seja, não existe o certo ou o errado, mas apenas o ponto de vista de cada pessoa que irá ler sua obra.

Diferentemente do anime, o mangá ele possui bastante humor, servindo como um alívio aos reflexões densas retratadas ao longo da obra. Já os personagens, são divertidos e intrigantes, porém nenhum deles muito profundo. Até porque acho que o objetivo do autor era criar personagens que funcionassem como questionadores das reflexões existentes na trama. O que funciona muito bem, diga-se de passagem.

Por fim, posso afirmar que "Ghost in The Shell" é mais do que um mangá de ficção científica, mas sim uma análise de como a evolução tecnológica pode trazer consequências a raça humana.





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