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Crítica - Moonlight: Sob a Luz do Luar


Em Moonlight: Sob a Luz do Luar somos apresentados a temas já conhecidos pelo público como drogas, sexualidade, a busca pela identidade pessoal, entre outros. Contudo sem utilizar o famoso "dramalhão", o filme consegue fazer a análise de um personagem, onde o espectador é motivado a compreender sua vida e escolhas.

Dividido em três atos, somos apresentados a Chiron, em diferentes fases de sua vida, sendo interpretado respectivamente por Alex R. Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes. No primeiro ato, conhecemos a infância do menino franzino, vítima de bullying e com dificuldade de socialização, que possui uma mãe abusiva e dependente química - brilhantemente interpretada por Naomi Harris. Contudo, é através de uma amizade improvável com um traficante da região, chamado Juan (Mahershala Ali), e sua namorada Kate (Janelle Monáe), que o menino encontra um porto seguro. 


Se livrando de esteriótipos, Juan - que poderia ser considerado o típico cara carrancudo - é compreensível e sensível, sendo este o portador do discurso mais bonito do filme. Através Juan e Kate, que Chiron consegue esquecer, mesmo que momentaneamente, as dificuldades que vive.

Já no segundo ato, o personagem já está na sua adolescência. Aqui conseguimos sentir seu isolamento, por não ser adequar a nenhum dos grupos de sua escola. O único que demonstrar certa preocupação com este é Kevin, um antigo amigo de infância que se distanciou e ocasionalmente conversa com o personagem. Com ele, que tem sua primeira experiência sexual e, consequentemente, uma decepção. Apesar de estar entrando em contato com a sua sexualidade, Chiron aprende que no ambiente em que vive a masculinidade é posta constantemente à prova como uma auto-afirmação, mesmo que isso reprima quem verdadeiramente somos, a fim de não sermos julgados.


Vestindo esta armadura, onde é mas fácil fingir ser algo que não é, que chegamos ao último ato da história. Neste momento, ficamos diante de um Chiron extremamente musculoso, com dentes de ouro e uma postura dura, diferente do menino que até então conhecíamos. Apesar de estar "conforme" os padrões que sempre lhe foram impostos, conseguimos sentir o sufoco do personagem.

Todo esse tumulto de sentimentos e inseguranças são captados de forma sútil e eficiente por Barry Jenkis. É importante ressaltar, que neste filme os personagens se expressam mais por olhares do que diálogos. Nem tudo precisa ser verbalizado, pois o diretor acredita que o sentido está nas entrelinhas, o que realmente acontece. Sem excessos e com uma direção muito bem planejada conseguimos captar as emoções dos personagens.

Outro ponto que precisa ser mencionado é a fotografia de James Laxton. O que mais chama atenção é a palheta de cores utilizadas. Com tons de azul e púrpura - que remete ao luar - Laxton consegue contextualizar as cores a trama, ou seja, conforme acompanhamos o desenvolvimento do personagem e suas angustias a palheta vai se tornando cada vez mais escura, remetendo a escuridão em que o personagem se encontra.

Discutindo dramas humanos de uma maneira sútil e cheia de sentimento, Moonlight nos faz questionar se o mundo está disposto a aceitar como nós somos ou se simplesmente devemos ser apenas um produto do meio em que vivemos.



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