Swift

Crítica: Ghost in the Shell


Estreou nos cinemas, Ghost in the Shell, live-action baseado na obra de mesmo nome criada por Masamune Shirow. O mangá é considerado um dos maiores ícones do universo cyberpunk, tendo influenciado inúmeras produções ao longo dos anos como Matrix; Eu, Robô; entre outros.

Na trama, somos apresentados a Major Mira (Scarlett Johansson) - há uma mudança no nome, mas que possui explicação - uma ciborgue de última geração, criada pela companhia Hanka Robotic com o objetivo de se torna uma eficiente arma. Integrante da Seção 9, grupo de elite do governo, Major e seus companheiros tem a função de combater crimes tecnológicos e o ciberterrorismo. Contudo, tudo muda quando um misterioso hacker, chamado Kuze (Michael Pitt), a faz questionar o mundo em que vive e sua própria existência.

O roteiro de Jamie Moss e William Wheeler simplifica a história, não trazendo todos os debates que a obra propõe, fixando-se apenas na jornada de auto-conhecimento de Major. A falta de aprofundamento em outros temas, é até justificável se formos pensar que se trata de uma mídia completamente diferente, não tendo o tempo necessário para introduzir a grande gama de discussões. No entanto, a trama é explicativa em demasiado, tirando um das características mais importantes de Ghost in the Shell, sua reflexão. Entendo, que estamos falando com um público diversificado, mas Hollywood precisa acreditar em seu espectador e deixar que este mastigue e tire suas próprias conclusões.

Ademais, no quesito adaptação podemos perceber a influência do mangá e do anime no filme. O diretor Rupert Sanders juntamente com a direção de arte do longa, criam um mundo crível e visualmente impecável. Vemos o respeito pela obra, ao recriar cenas idênticas, gerando um ótimo fanservice. Como também, adicionando novos elementos a história e, consequentemente, expandido ainda mais este rico universo. 


Os dois primeiros atos possuem um bom ritmo, não perdendo tempo e rapidamente contextualizando os personagem e este mundo globalizado, repleto de diversidade étnica, onde todos estão de alguma forma conectados, não existindo mais barreiras culturais. Contudo, seu terceiro ato é um tanto problemático e não traz o clímax necessário para a história, pois além de não trazer a urgência necessária, acaba jogando ao espectador um grande número de informações para amarrar as pontas soltas conforme caminhamos para o fim desta.

Talvez parte do problema também esteja relacionado ao seus antagonistas. O roteiro não consegue se decidir quem assumirá esta função, criando uma ameaça mal desenvolvida, na qual o espectador não sente medo. É como se Kuze (Michael Pitt) e a própria Hanka, funcionassem como uma ponte para a jornada de Mira, onde em nenhum momento sentimos medo/receio pela vida da personagem.

Por falar em Mira, Scarlett Johansson está bem no papel. Como sabemos, a escalação da atriz causou uma polêmica, pois muitos queriam uma atriz asiática para interpretar a personagem, mesmo que está na obra não tenha sua etnia revelada. Contudo, o diretor encontrou uma maneira inteligente de justificar a aparência desta, mesmo sabendo que a escolha foi influenciada pelo grande apelo comercial que a atriz possui.

Não me entendam mal, apesar de toda essa discussão não há o que falar da atriz. Ela está extremamente confortável e a personagem lhe cai como uma luva. Sabemos que Scarlett consegue fazer cenas de ação incríveis, assim como, possui um bom alcance dramático. Sendo isto visto no longa, uma vez que, consegue transitar muito bem entre a rigidez/inexpressão de um ciborgue para a confusão/fragilidade de uma pessoa que não sabe qual é o seu lugar. Fazendo com que o espectador crie uma rápida empatia com Mira e entenda suas angustias e anseios.


Também não posso deixar de mencionar Batou, interpretado por Pilou Asbaek, que possui uma função bastante importante na trama: lembrar que Mira pode possuir uma concha diferente, mas ainda assim existe uma humanidade dentro dela. Criando um companheirismo e respeito muito bonito de se ver em tela. Outro que também rouba a cena é Aramaki, interpretado por Takeshi Kitano, onde faz o chefe da Seção 9, ele possui uma grande presença em cena, sendo um personagem muito badass.

Alias, Mira é o contraponto perfeito para este mundo, onde a humanidade procura por um aprimoramento tecnológico, fazendo alusão há uma comunidade pautada pelo trans-humanismo (movimento intelectual que busca pesquisar novas formas de tecnologias que possam aprimorar as capacidades intelectuais, físicas e psicológicas dos seres humanos), já que a personagem ao longo da busca pela sua identidade, questiona em inúmeros momentos até que ponto a junção entre homem e máquina é aceitável.

Por fim, Ghost in the Shell, não traz toda a complexidade da obra original, sendo um espetáculo visual com boas atuações, que provavelmente se tornará uma grande franquia nos cinemas.


LEIA TAMBÉM