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Crítica: Logan (sem spoilers)


Já começo a crítica desta forma: Logan deixa para trás toda sua má reputação com os antigos spin-offs e supera até toda a franquia mutante da Fox.

Dirigido por James Mangold, o filme se passa em 2029, onde Logan (Hugh Jackman) ganha a vida trabalhando como motorista em uma limusine (um uber futurístico), e com a ajuda de Caliban (Stephen Merchant), eles cuidam de Charles Xavier/Professor X (Patrick Stewart) em um esconderijo próximo da fronteira com o México.

Nos filmes anteriores, vimos os personagens Professor X e Wolverine bastante espirituosos e juntos na maior parte do tempo, mas aqui este não é o caso. Estes dois personagens estão com a aparência péssima, é visível que eles não estão bem mentalmente e muito menos fisicamente. O Wolverine atual que somos apresentados logo na primeira cena, deixa claro que o mutante está enferrujado. Ele já não se cura da mesma forma que antes e tem dificuldades durante combate corpo a corpo. Já o Professor X – a mente mais poderosa do mundo – luta com sua própria fragilidade, sofrendo de Alzheimer e com convulsões que podem repercutir no ambiente em que ele está.

O desenvolvimento do filme acontece quando Logan fica encarregado de transportar uma garota para um local seguro nomeado de Éden. Embora pareça uma tarefa simples, a ação começa quando descobrimos que a garota é Laura/X-23 (Dafne Keen), que possui as mesmas habilidades do próprio Wolverine, e que está sendo procurada pelos “capangas” do Dr. Zander Rice (Richard E. Grant).


Com uma fotografia composta por uma paleta de cores quentes; a carga dramática é totalmente triste, sombria e devastadora, com muita porrada, sangue e palavrão, assim o filme recebeu uma classificação R-rated. A violência é totalmente exposta, mas já vamos deixar claro que nenhuma violência é desnecessária. E como de costume, também temos algumas cenas – a maioria com o Professor X – que apelam para um “descarrego emocional” e desenvolvem algum humor negro, mas nada é forçado. Tudo soa naturalmente. E como bônus, algumas (muitas) lágrimas são tiradas do espectador quando você menos espera.

O filme nos conecta em uma troca de sentimentos: se eles se machucam, nós também nos machucamos. Se passam por momentos de tensão e loucura, nós sentimos o mesmo.  A história é “palpável”. Não é aquelas histórias de super-heróis que estamos acostumados a assistir. Os personagens são vulneráveis e anseiam por viver uma vida normal. 

Uma das coisas que mais me chamou atenção, foi o fato que por ser um spin off do Wolverine, o roteiro divide a importância por igual entre todos os personagens (em especial, os mutantes). Nenhum papel foi simplesmente jogado na história, como aconteceu com as aparições de Gambit e Deadpool nos filmes anteriores. Todos desenvolvem um papel importante. E apesar de o foco ser o Logan, a personagem X-23 tem um destaque fantástico. Na medida em que a história se desenvolve, reconhecemos os ecos do próprio Logan na raiva aterrorizante de Laura e na tentativa de uma conexão emocional com Xavier.

Alá BADASS, ver Laura em ação atacando outros caras de forma brutal é errado, mas não deixa de ser tudo o que sempre quisemos ver: uma fragilidade infantil versus força.


Assim encerramos mais um ciclo. Hugh Jackman deixa seu adeus ao personagem Wolverine em um filme que não poderia ter sido mais gratificante. Não temos dúvidas de que Logan é o filme que todo fã de X-Men sonhou um dia em assistir.


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