Swift

Leituras de Fevereiro: comentários e expectativas



Fevereiro foi um mês mais curto que os outros e muito mais atribulado, de modo que as leituras ficaram um pouco prejudicadas em quantidade (e até em qualidade em alguns casos). Teve livro de contos, que é um gênero que nem me agrada muito, mas que estou fazendo o possível para conhecer melhor e lendo pelo menos um todo mês, teve YA (Young Adult), que é um gênero que ultimamente só me tira a paciência, mas que também não consigo largar de vez, porque quando a gente menos espera pode aparecer uma pérola no meio da bagunça de vampiros e amores platônicos, e teve uma releitura também, só para lembrar porque esse era um dos meus preferidos na adolescência.



Tudo e Todas as Coisas, de Nicola Yoon


Jovem Adulto mais para linha John Green que a linha Stephenie Meyer, traz um amor bonitinho entre adolescentes desajustados. A protagonista feminina, Madeline, foi diagnosticada com imunodeficiência grave e não saia de casa há muitos anos por causa de suas alergias imprevisíveis e tão variadas. No seu mundo de bolha, ela só tem a companhia de uma enfermeira, que meio que assume o papel de sua melhor amiga também, e de sua mãe, que é, por sorte, médica, podendo, ela mesma, cuidar da filha em casa. Está tudo indo muito bem na vidinha regrada da protagonista até que ela vê o novo vizinho pela janela do quarto e decide que não vale a pena viver sem se apaixonar.

Talvez eu esteja ficando sem paciência para essas coisas, mas foi um pouco preguiçoso e puxado de avançar pela história. Não que eu tenha demorada na leitura (impossível, já que o livro é bem curto e cheio de desenhos e listas), a leitura fluiu bem rápido, uma tarde apenas, mas não aproveitei muita coisa não. É bobo e o desenrolar é tão estranhamente parecido com o clássico de comédia do início dos anos 2000, Jimmy Bolha, que e fiquei tentando entender se a doença da personagem devia mesmo ser encarada por nós como um drama.

O livro foi adaptado para o cinema, com estreia prevista para este ano.

Criancinhas, de Tom Perrota


Em Criancinhas, Tom Perrota nos apresenta um grupo pacato e perfeitamente respeitável de pais e seus adoráveis filhos. Passeando por um subúrbio qualquer dos EUA, o autor tenta expor com humor e crítica a perversão dos ditos bons cidadãos e seus bons costumes. Protagonizado por dois casais em crise, a história parece, a princípio, um estudo bem humorado sobre infidelidade e aparências, mas o drama consegue avançar ainda mais, trazendo muitos outros temas para o pacote, quando um pedófilo condenado recém-liberto se muda para a vizinhança, espalhando nervosismo e paranoia.

É a segunda vez que leio esse livro e fica ainda melhor com uma releitura. Tinha lido Criancinhas na adolescência, bem na vibe de quem assistia Desperate Housewives, e tinha achado fascinante, mas só agora percebi que muita coisa tinha passado batida.

Também foi adaptado para o cinema, em 2006, com o título Pecados Íntimos, na versão brasileira.

Foras da Lei Barulhentos, Bolhas Raivosas e Algumas Outras Coisas que Não São Tão Sinistras, Quem Sabe, Dependendo de Como Você se Sente Quanto a Seres Vindos do Espaço, Pais que Desaparecem no Peru, um Homem Chamado Lars Farf e Outra História que Não Conseguimos Acabar, de Modo que Talvez Você Possa Quebrar Esse Galho, de autores diversos


Esse charmoso e muito longo e redundante título se refere a uma coletânea de contos publicados aqui no Brasil pela editora Cosac Naify, que traz contos infantis (mas nem tanto), no geral, focados em temas de fantasia e protagonizados por crianças muito imaginativas.

Coletâneas de contos de autores variados têm sempre seus altos e baixos, já que você pode se identificar com alguns autores e se lixar um pouco para o resto, e não foi diferente neste caso. O que me atraiu à leitura foram os nomes de Neil Gaiman e Foer na capa, mas seus contos foram mais ou menos decepcionantes, para mim. O conto do Neil Gaiman, Pássaro-do-sol, eu já havia lido em uma outra coletânea (Coisas Frágeis) e nunca achei muito bom. O Sexto Distrito, do Foer, por sua vez, foi de fato uma leitura nova, mas certamente não foi uma leitura interessante.

Os destaques ficam por conta dos textos Monstro, de Kelly Link, Pequeno País, de Nick Hornby, Grimble, de Clement Freud, e Lars Farf, pai e marido excessivamente temeroso, de George Saunders.

Anexos, de Rainbow Rowell


Comédia romântica centrada no dilema profissional de Lincoln, cujo trabalho é ler a correspondência por e-mail de seus colegas e advertir contra qualquer conversa que infrinja as políticas da empresa. A história se complica quando Lincoln começa a acompanhar com inusitado interesse a troca de e-mails de Beth, uma jornalista cultural que está tentando emplacar um relacionamento falido com uma “estrela do rock”, e Jennifer, uma revisora de textos casada com o homem dos sonhos, mas que enfrenta recentes reviravoltas no casamento por causa da ideia fixa de seu marido de querer a todo custo ter um filho.

É uma trama leve e divertida, boa para passar o tempo e até muito bem escrita. Rainbow Rowell é uma autora muito querida hoje em dia e pretendo conhecer mais trabalhos da autora.

Sete Breves Lições de Física, Carlo Rovelli



Interessantíssimo texto de não ficção que consegue abordar temas complexos de física sem cair num linguajar inescrutável ou ficar repetindo fórmulas e cálculos complicados demais. Partindo da teoria da relatividade de Einstein e entrando nas curvas traiçoeiras e ainda cheias de perguntas não respondidas da física quântica, Sete Breves Lições de Física apresenta didaticamente e até certo humor um panorama bem satisfatório dos problemas da física teórica hoje. É a porta de entrada ideal para quem teve problemas com a disciplina durante o ensino médio e quer agora recuperar o tempo perdido e tentar entender os mistérios e dilemas do universo.

LEIA TAMBÉM