Swift

A culpa é do roteirista!


Se você curte histórias em quadrinhos, ou então gosta de filmes que possuem muitas sequências e até mesmo seriados com várias temporadas, provavelmente você também já quis matar alguns roteiristas ao longo da vida! Eu não digo sobre aqueles clichês de que personagens morrem e ressuscitam infinitas vezes — até porque isso já transcendeu o clichê e se tornou fato, uma hora vai acontecer — nem dos reboots que mudam algumas características dos personagens. Eu estou falando daqueles caras que não sabem trabalhar.

Não sei se já mencionei por aqui, mas eu sou fã — doente — do Capitão América e na semana passada eu ganhei mais uma dor de cabeça. Afinal, por que deveríamos continuar com os magníficos enredos de Ed Brubaker?  Não, imagina! Nick Spencer tinha que existir pra destruir tudo!

Convenhamos que a cronologia do Cap, em seus muitos anos, arcos e universos, sempre foi um pouco trabalhosa de se alinhar, mas desde que Spencer apareceu, ninguém entende mais nada! Ontem o Capitão era um herói exemplar, hoje ele é um herói original, daqui a pouco é brincadeirinha e na verdade ele é um vilão, amanhã será brincadeirinha da brincadeirinha e aí ele será um herói novamente! Porém, ahá! Ele é vilão de novo e na verdade sempre foi!
Isso me leva a questionar se Nick tem problemas de memória, de equilíbrio, se está tentando destruir a imagem de “herói branco americano” do personagem, ou se ele apenas não sabe o que está fazendo.

Pra quem está por fora do assunto, na última semana — depois de umas quinhentas “brincadeirinhas” — o roteirista divulgou que Steve Rogers sempre foi um vilão da Hydra e que os nazistas foram os vitoriosos na Segunda Guerra Mundial, porém, com o cubo cósmico, os mocinhos dobraram a realidade e inverteram tudo, fazendo a Hydra perder a guerra e Steve se tornar no icônico Capitão América. Sério, Nick, eu quero te matar!


O Capitão não é o primeiro caso de besteiras roteirísticas na Marvel. Vocês se lembram de quando Peter revelou sua identidade em Guerra Civil? Então, foi um grande acontecimento e muitas coisas boas poderiam ter sido derivadas daquele pronunciamento! Mas então os roteiristas não pensaram no que seria feito depois e de repente todos tinham um Homem-Aranha revelado e ninguém sabia o que fazer com isso! Resultado: Não podemos deixar um dos maiores personagens da Marvel ficar perdido no limbo, então vamos voltar o tempo e fazer com que nada disso tenha acontecido! É sério isso, produção? Sim, é sério.

Como outros exemplos, eu passei quase uma vida odiando profundamente o Superman e o Thor por motivos de “sou um deus, mas vou suprimir meus poderes para não causar destruição na Terra”. Eu nunca consegui engolir o porquê de eles apanharem, quando deveriam estar gloriosos nas batalhas. Ninguém deixava de amar os Power Rangers só porque eles destruíam metade da cidade com o Megazord enquanto lutavam contra o inimigo! Assim como Nova Iorque sempre foi consertada depois que alguém derrubava alguns prédios pra salvar a humanidade. Isso porque os roteiristas sabiam o que estavam fazendo e sabiam o que era importante a se resolver! E os furos não param por aqui, sobre o desastre que fizeram com o Aquaman durante tantos anos, por exemplo, eu prefiro nem comentar!

A única coisa que eu conseguia sentir enquanto lia HQs ao longo desses últimos anos era saudades de quando os roteiristas — mesmo com todas as diferenças entre si — se preocupavam em como as histórias de seus personagens poderiam influenciar, de modo geral, em todo o universo das demais narrativas. E então trabalhavam em cima disso para que o leitor, o público alvo que realmente importava, ficasse satisfeito. Bem diferente do cenário que temos hoje: de um lado, um monte de gente fazendo o que bem entende com cada personagem, nada mais do que um monte de coisa confusa que não tem pé nem cabeça, de gente que não sabe o que está fazendo. Por outro lado, uma boa quantidade de leitores omissos. Não é só nosso dever, dos “saudosistas”, cobrar um bom conteúdo. Não é só porque os roteiristas estão falando de dilemas atuais que significa que as histórias estão boas. Não podemos aceitar uma narrativa chula só porque temos páginas com personagens de diversas raças, homossexuais, excluídos socialmente ou então diferentões.


Mas nem tudo está perdido. Não mais! Talvez por conspiração do universo ou mera coincidência, mas enquanto eu escrevia esse post, ontem, a Marvel anunciou que ao final desse ano, depois de tanta bagunça, de tantas séries, reboots e arcos sem noção, retomará a sequência de suas HQs, onde pararam antes da Marvel Now, com nossos personagens tão amados e queridos! Não com a promessa de desfazer o que aconteceu, mas de trazer de volta os grandes alter-egos, e eu quase chorei quando li sobre isso! A propósito, o marco se chamará Marvel Legacy, em homenagem ao legado de tantos anos que deve ser preservado e seguido com excelência. Nos resta torcer para que os roteiristas, se não forem os mesmos de outrora, ao menos sejam cuidadosamente selecionados e que consigam começar a rearrumar a casa.

Ah, a propósito....

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