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Crítica: O Espaço Entre Nós



No dia 30 de março estreou 'O Espaço Entre Nós', dirigido por Peter Chelsom. Uma ideia genial pensando pelo lado de que a maioria dos filmes que assistimos são os seres humanos que sempre querem encontrar um planeta habitável para viver, enquanto neste, temos um humano – nascido em Marte – apaixonado pela Terra.


A história se passa em 2018 e começa com os primeiros seis astronautas sendo enviados para morar Marte onde foi criado um espaço habitável nomeado de East Texas. Esta foi uma ideia do cientista Nathaniel Shepherd (Gary Oldman) que sonhou com isso durante toda a sua vida. Sarah Elliot (Janet Montgomery) é a comandante astronauta que no meio da viagem descobre que está gravida. Ela dá à luz a Gardner assim que eles pisam em solo marciano. Sarah falece depois o parto e Gadner (Asa Butterfield) passa a maior parte da sua vida em Marte, sendo criado por astronautas até chegar o momento em que decidem trazer o menino “para casa”.


Asa Butterfield com o seu currículo que não deixa a desejar (‘As Invenções de Hugo Cabret’ e ‘O Menino do Pijama Listrado’), mais uma vez o ator ganha o amor e a atenção do espectador, interpretando o protagonista Gardner Elliot - o humano Marciano que viaja pela primeira vez para a Terra. Tudo para ele é novo: as cores, a chuva, o cachorro, a gravidade... O ator expressa perfeitamente suas emoções com uma atuação suave e um ótimo equilíbrio entre o estranho e o perfeito.


Uma das coisas que me chamaram a atenção foi a fotografia, que nos mostra paisagens maravilhosas desde a calmaria de um céu azul repleto de balões coloridos até o caos da cidade das luzes, Las Vegas. Planos bem exercitados que consegue fazer com que você enxergue a Terra com outros olhos.

Apesar do conceito intrigante, o filme também aponta algumas falhas e acontecimentos a serem questionados. A maioria dos personagens são pouco explorados e consequentemente mal desenvolvidos, tudo é voltado para Gardner. A história que é contada também tem muitos detalhes e apesar de não ser uma adaptação, o filme sofre dos mesmos defeitos de uma: é muita informação para pouco tempo em tela (mesmo tendo 120 minutos). Grande parte dos acontecimentos se desenvolve nas pressas e alguns pontos que eram imprescindíveis dar mais atenção para gerar mais emoção, ficou totalmente jogado. O final pode ser previsível, mas um acontecimento (em especial) chega a ser inesperado e é onde muita coisa começa a fazer sentido.


Para quem está curioso para assistir ao filme, já vamos avisar que é bem estilo “young adult”. Um romance - que você não se envolve tanto no amor entre Gardner e Tulsa, mas sim de ele estar experimentando tudo pela primeira vez aqui na Terra e o fato de ele não conseguir sobreviver na nossa gravidade. Também temos alguns detalhes de ficção científica - sem apelar pelos clichês de distopias, seres sobrenaturais ou efeitos visuais em grande escala -  e um pouco de ação, mas nada que sobrecarregue a trama. Me lembrou muito os clássicos do Steven Spielberg: aquela aventura de ficção científica que não existe bem e mau, mas os personagens têm perigos reais e você se importa com eles.

Para encerrar, o filme não chega a ser sensacional, mas é divertido e cativante. Para quem procura algo mais leve para assistir nos cinemas, é uma ótima escolha!

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