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Crítica: Mulher-Maravilha (sem spoiler)



Não é segredo para ninguém que Mulher-Maravilha está sendo extremamente aclamado pelos críticos, e talvez isso só deixe os fãs mais apreensivos. O filme fez muito barulho, através dos fãs, através do material divulgado pela Warner, através das expectativas geradas por Gal Gadot e até mesmo através das nossas mães que não aguentavam mais ouvir a gente falando do filme da Mulher-Maravilha. O problema é que, quanto mais se fala no filme, mais a espera vai ficando dolorosa e o medo da decepção vai aumentando. Porém, estamos aqui para acalmar seu coração. Pode respirar aliviado porque a DC está vivíssima! Amém, Patty Jenkins! Amém, Gal Gadot! Amém, DC! Temos aqui o melhor filme de super-herói desde Batman: O Cavaleiro das Trevas. Eu chorei, eu ri, eu gritei, de verdade... foram emoções demais! Vem comigo para saber o que tornou o filme tão maravilhoso.

Diferente de algumas adaptações sobre origens, esse filme sobre nossa maravilhosa Diana está longe de ser arrastado. Recheado com muitas cenas de ação eletrizantes, o filme ganha uma ótima coreografia. Do início ao fim, você vai se animar com belas lutas que te farão quase cair da cadeira de tão empolgantes. Dava vontade de levantar e sair batendo em quem estava ao lado, na frente. Pra melhorar tudo, a sessão da cabine de imprensa foi em uma sala IMAX do UCI Kinoplex, o que só tornou a experiência mais magnífica. A qualidade era tão boa que num certo momento eu desviei de um tiro e depois disfarcei para não passar vergonha.



A trama transporta o espectador para a infância da nossa princesa amazona, uma criança que sempre teve muita energia e sonhava ser uma grande guerreira como suas companheiras de Themyscira — eu também queria. E após anos de treino com sua tia Antíope (Robin Wright), Diana já adulta, se destaca sobre todas as guerreiras. O que só preocupa mais sua superprotetora mãe, a rainha Hipólita (Connie Nielsen). Mas não se engane, a história não fica presa muito tempo nesta ilha paradisíaca. Logo, um recém-chegado, o piloto Steve Trevor (Chris Pine), traz a reviravolta necessária para fazer com que a princesa abandone seu lar e vá atrás de sua missão.



O único ponto que, ao meu ver, destoa do resto do filme é o desenvolvimento de seus vilões, não é dada uma boa construção a eles. Doutora Veneno e General Ludendorff poderiam ser mais explorados, até mesmo se mostrarem vilões mais ameaçadores ou talvez mais bizarros, porém se tornaram problemas rasos. Ares, que então deveria salvar essa questão, como esperado do grandioso vilão e cruel deus da guerra, não surpreendeu muito e nem recebeu a devida importância que lhe caberia.

Sobre a atuação de Gal Gadot eu só tenho elogios. Confesso que fui uma das pessoas que criticou demais a escolha dela para o papel. O motivo? O de sempre: “não tem as características principais da personagem”. Mas a atriz driblou o preconceito do povo e fez um golaço de cabeça erguida! Que atuação! Que maestria! Se ela não é a deusa da D.C, eu não sei mais quem é. É um lacre do início ao fim! Seja em cena de romance, de drama, de ação, Gal Gadot mostrou que nasceu pra ser Mulher-Maravilha e ninguém poderá contestar. Tenho certeza que Lynda Carter está orgulhosa da continuação de seu legado.



Chris Pine mostrou que é um homem acima da média, lembre-se dessa referência quando for assistir ao filme. Com aquele humor leve e nada forçado, arrancou alguns risos — e muitos suspiros também — diga-se de passagem. 

A fotografia é excelente. Com um contraste bem marcado entre a clara, colorida e feliz Themyscira até o escuro e triste “mundo real”, assolado pela terrível Primeira Guerra Mundial, que transmite perfeitamente a tristeza e o desespero que pairava no mundo afligido pelo combate. O céu limpo de Themyscira conta uma história tão diversa da esfumaçada Londres transpassada pela guerra.

Quando Pérez escreveu sua versão da Mulher-Maravilha, hoje aclamada e clássica, ele propôs uma origem subversiva e pesada que mostrava o horror do mundo dos homens a partir do sofrimento de um mundo de mulheres guerreiras. Drogadas, humilhadas e abusadas pela mesquinhez e inveja dos homens de sua época, as amazonas se afastaram da perversão do mundo dos homens e deixaram que suas guerras corressem soltas, longe de seus olhos, longe de seu mundo idílico em Themyscira, a Ilha Paraíso. Naquela história, os braceletes das amazonas eram não só sua defesa e um símbolo de sua força, mas o lembrete das deusas para que as mulheres nunca mais esquecessem que um dia haviam sido aprisionadas pela maldade e violência do homem, para que nunca esquecessem de sua ira e de sua injustiça. As amazonas carregavam assim em seu próprio corpo o símbolo de seu flagelo e transformavam, a partir da ressignificação de sua prisão como uma defesa, que nunca mais ficariam abaixo do juízo de um mundo patriarcal. 

É uma história pesada, que não caberia num filme sobre esperança. É importante não esquecê-la, no entanto, quando queremos pensar a Mulher-Maravilha nesta sua nova adaptação. 

Chegamos ao Século XXI. Apesar dos tropeços, é um tempo de maravilhas, onde algumas princesas estão acordados de seus sonos profundos muito antes do beijo de seu príncipe. O filme de Patty Jenkins não precisou da violência e da pesada grafia daquela história clássica de Pérez, mas tem um propósito muito similar. Mulher-Maravilha é um filme sobre garotas se libertando de um outro flagelo, tão simbólico quanto o proposto por Pérez, mas certamente mais contemporâneo. Está olhando para frente, para uma outra pontinha do que universo cinematográfico da DC pode ser. É o filme sobre guerra, sobre o pior do homem e o melhor das mulheres. O mundo assombrado pelo erro dos homens. O mundo salvo pela inocência e bondade de uma super-mulher. 



Dentro deste contexto, Diana não é uma mulher, mas a representação de todas nós, e do que almejamos ser. Se para inúmeros meninos Super-Homem foi uma grande influência, Mulher-Maravilha sobe ao mesmo patamar. Por mais que às vezes não queiram entrar nesse cerne, sua história está ligada ao feminismo e ao protagonismo da mulher. Um símbolo para inúmeras gerações, a personagem não é apenas a representação da inclusão, mas de perseverança, bondade e aceitação. 

No tempo em que vivemos, o longa traz uma mensagem social e política muito forte. Algo que sempre critiquei nos outros filmes da DC, foi a verdadeira encheção de coisas que eram colocadas em suas produções, o que criava claros problemas de narrativa, porém em Mulher-Maravilha, a mensagem é simples e objetiva. Constantemente somos lembrados do propósito de seu envolvimento na Guerra dos Homens e do que ela almeja para a humanidade.



Mulher-Maravilha ainda possui alguns defeitos que pairam nos filmes da DC, contudo todos esses são diminuídos em razão da grandeza da história apresentada. Setenta e cinco anos após sua estreia nas HQs, Diana chegou aos cinemas para inspirar, não somente mulheres, mas também homens. Ela nos ensina que podemos ser uma versão melhor de nós mesmos e que batalhar por um ideal nunca é uma luta perdida.





Obs: Crítica em conjunto com os demais integrantes. Ramon, Fernanda e Miguel.

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