Swift

Crítica: Neve Negra


Talvez eu não escolhesse assistir esse filme através do nome, cartaz, sinopse ou até mesmo pelo trailer. Não que tenha algo de errado neles, mas realmente não é meu estilo favorito de filme. Na verdade, por muito tempo tive aquele preconceito por filmes não hollywoodianos ou cult, mas recentemente tenho me aproximado mais desse estilo e tenho me surpreendido.

Neve Negra, foi uma dessas grandes surpresa para mim, ao ponto em que saí da sala de cinema já pesquisando outros filmes com o grande Ricardo Darín para conhecer.

Sem mais delongas, vamos conhecer um pouquinho sobre o filme que promete ser o maior filme argentino do ano!

No início da trama somos introduzidos ao casal Marcos (Leonardo Sbaraglia) e Laura (Laia Costa), que estão voltando para a cidade natal dele para cuidar dos assuntos referentes à morte de seu pai (Andrés Herrera). Ao chegar, recebem a notícia de que uma empresa canadense deseja comprar as terras que seu pai deixou para ele e seus dois irmãos. O dinheiro, que não é pouco, seria muito bem aceito por Marcos e sua esposa que está no início de uma gravidez.  Sua irmã Sabrina, que está internada por problemas de saúde, também não seria problema algum para a negociação. Porém, seu irmão mais velho, Salvador (Ricardo Darín), que vive solitário na velha cabana de sua infância, pode ser um empecilho para a venda. Cabe então a Marcos ir até o irmão e convencê-lo a aceitar a proposta, coisa que não será fácil já que a família está envolvida em traumas bem antigos e misteriosos.

O filme alterna entre acontecimentos do passado e presente, nos mantendo em um maravilhoso clima tenso de suspense. Eu não conseguia piscar, com medo de perder alguma pista sobre o trauma que envolve a família Sabaté, sempre sendo guiados por Laura, que vai nos ajudando a descobrir mais sobre os mistérios.

Eu não conhecia a atriz Laia Costa e confesso que fiquei um pouco confusa com sua atuação, mas penso que ser um pouco enigmática talvez seja a proposta de sua personagem.

 
Como disse anteriormente, logo após a sessão, fui pesquisar mais filmes estrelados por Ricardo Darín. Assisti outros dois maravilhosos — “O Segredo dos Seus Olhos” e “Tese Sobre um Homicídio” — e percebi que Salvador era um personagem diferente para Darín. Nos outros filmes, ele sempre estava dando vida a personagens bem mais falantes que o caladão misterioso que interpretou em Neve Negra. Como não conheço sua filmografia completa, se você discorda, deixe aqui nos comentários algum outro personagem com essa mesma vibe de Salvador. Por ser um personagem frio e sem muito interesse em conversas, o filme não nos trará grandes diálogos, deixando as cenas mais interessantes por conta do passado. 


No geral, Neve Negra não é um filme perfeito. Algumas atuações são duvidosas, há falta de diálogos interessantes e algumas cenas se tornam arrastadas demais. Porém o roteiro é ótimo e conta com uma excelente finalização, apagando um pouco dessas falhas. É certo que desde o início fica evidente que há algo para ser revelado, mas a trama consegue nos prender até esse momento final e consegue surpreender o expectador.

A fotografia é excelente no quesito sensorial. Que frio! As cenas gélidas de Patagônia com certeza vão te dar aquele arrepio como se você estivesse lá, principalmente se o ar condicionado da sala estiver contribuindo!

Vale muito a pena conferir essa trama, mesmo que tenha que sair da sua zona de conforto das telonas, como eu. Confesso que o cinema argentino ganhou mais uma admiradora. Ah, e não esqueça de levar o casaco, pois eu juro que o frio é absurdo mesmo!


Agradecemos à Paris Filmes e à Espaço Z pela sessão da cabine de imprensa.

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