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Crítica: Anne With an E


O conceito de infância como bem o conhecemos é algo recente. Pesquisadores afirmam que a preocupação com a criança encontra-se presente a partir do século XIX. Antes disso, os pequenos eram vistos apenas como adultos em miniatura e eram tratados como tal, devendo trabalhar desde cedo e muitas vezes com a responsabilidade de cuidarem da família.

Talvez tenha parecido, mas o post de hoje não é um artigo científico e sim um convite à maravilhosa série da Netflix: Anne with an E, que retrata justamente o período dessa mudança de conceito. Com apenas sete episódios nessa primeira temporada, aprendemos a amar e sonhar com a tagarela Anne. Os motivos? Vem comigo que te conto!


Anne é uma órfã que desde os 3 meses de idades alterna entre orfanatos e lares abusivos — lembrando que esse é o nosso conceito de hoje —, onde ela trabalha exaustivamente para se manter. Apesar da vida sofrida, Anne mantém uma personalidade sonhadora e segue nutrindo um encanto pelas coisas simples da vida. Sua imaginação é o que sustenta a sua forma de ler o mundo de maneira tão positiva e, por consequência, isso afeta as pessoas que a cercam.



Marilia e Matthew Cuthbert são irmãos solteiros e com idade já avançada, então decidem adotar um garoto para ajudar com as tarefas da fazenda e trazer um pouco de alívio a Matthew, que não está muito bem de saúde. Porém, por conta de um engano, quem chega para eles é uma menina ruiva, franzina e tagarela, exatamente a nossa querida Anne. Essa chegada é apresentada logo no primeiro episódio da série que é o mais longo e, a meu ver, o mais triste da temporada.

Durante os sete episódios, veremos que são tratadas muitas questões pertinentes à nossa sociedade atual — por mais incrível que isso possa parecer. Obviamente muitos avanços ocorreram do século XIX para cá, mas para basear minha ideia de que são assuntos que cabem na atualidade, citarei uma das cenas: Um livro de George Eliot é apresentado à Anne e a menina pensa que a obra se trata de um homem, porém a Srt. Barry explica que se trata de uma mulher chamada Mary Ann Evans, que para seus trabalhos serem levados a sério, ela usava um nom de plume masculino. J.K Rowling, depois de finalmente conseguir uma editora precisou abreviar seu nome — Joanne Rowling + o K que foi em homenagem a avó —, pois achavam que os meninos não iriam ler um livro escrito por uma mulher. Bom, isso aconteceu ali em 1997! Tem apenas 20 anos que uma mulher precisou “modificar” o nome para atingir a credibilidade que seu trabalho merecia. Posteriormente todos viram que J.K era uma mulher e isso não a impediu de ser a primeira escritora a se tornar bilionária com a venda de seus livros.

Esse foi apenas um exemplo, mas a série está recheada de assuntos como bullying, preconceito, independência da mulher, relacionamento homoafetivos, que são abordados de forma bem sutil, mas o maior destaque é para a questão da mulher na sociedade. É incrível observar as mudanças que começaram a ocorrer nesse período do século XIX.


O episódio final foi o mais fraco, divergindo um pouco dos outros. Acredito que poderiam ter finalizado a história, mas escolheram deixar de um modo aberto para assim “prender” o telespectador. O que não era necessário, visto que se trata de uma série tão cativante.

Sem mais delongas, Anne with an E é uma série que vai abranger todas as idades e, confesso que no início eu fiquei com um pé atrás com essa protagonista, que não parava de falar, mas logo eu já estava rendida e apaixonada. Todos os personagens são bem construídos e interpretados muito bem por seus atores. A fotografia é maravilhosa, me deixou extremamente encantada! O enredo é leve, mas consegue ser denso, ao mesmo tempo, por conter as diversas questões que citei anteriormente. Estou encantada com essa série e já aguardo ansiosamente pela segunda temporada.




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