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Entrevista: Taran Matharu, autor da trilogia Conjurador


A trilogia de fantasia Conjurador, publicada aqui no Brasil pelo selo Galera Record, conquistou rapidamente uma sólida base de fãs, com seus elementos de magia e aventura que aproximam tanto os fãs de Harry Potter quanto os de Pokémon. Por ter crescido com referências midiáticas muito similares às de seu público-alvo, também cercado pelas possibilidades ilimitadas das redes sociais, Taran Matharu, o autor da série, não parece ter dificuldade em encontrar os pontos que mais tocam os interesses dos leitores jovens. Com essa linguagem próxima de seu público, Taran conseguiu seu lugar ao sol no mundo das publicações literária de uma forma inusitada: chamando a atenção do mercado ao publicar sua obra de forma seriada na internet e conseguindo, dessa forma, um número expressivo de fãs. Apesar da temática infanto-juvenil, a trilogia do Conjurador toca em alguns pontos que vão um pouco além do entretenimento, como sua abordagem interessante do conturbado relacionamento entre anões, elfos e humanos, bem como elementos bem embasados de mitologia.

Para discutir alguns desses aspectos e comentar curiosidades sobre o autor, entramos em contato com o Taran pelo Twitter, que nos atendeu com atenção e disponibilidade.

A questão do preconceito e da discriminação me parece um tema central em seus livros. Quando terminei a leitura do primeiro volume, pesquisei algumas coisas sobre o mundo por trás de Conjurador e li que a discriminação não era um assunto estranho para você pessoalmente. Poderia nos falar um pouco a respeito?

Experimentei bullying racial, culminando em violência numa das primeiras escolas em que estudei. Isso me ensinou muita coisa sobre racismo e o tema acabou aparecendo em meu trabalho.

Além do preconceito, as injustiças sociais também estão presente no universo do Conjurador, principalmente, nas frustrantes interações de Fletcher com a mesquinha e injusta nobreza. Mesmo que o universo do Conjurador faça uma linha meio medieval e portanto se atenha às relações socioeconômicas vigentes, você diria que isso ainda encontra paralelos no mundo atual?

Com certeza. A desigualdade e a imobilidade social chegaram a um ponto terrível no mundo moderno, e isso se reflete no universo do Conjurador também.

Apesar de fechar a trilogia e a história de Fletcher, Battlemage (terceiro livro da série, ainda inédito no Brasil) não será seu último romance a respeito deste universo. Você poderia adiantar qualquer coisa sobre o spin-off anunciado para o ano que vem?

É uma história sobre Arcturo, como o primeiro plebeu na Academia Vocans. As consequências de seu aparecimento trarão uma reação em cadeia que poderia ameaçar o próprio futuro de Hominum. Espere ver muitos personagens familiares ao longo do caminho!

Aqui no Brasil, a divulgação da trilogia Conjurador focou bastante na mistura inusitada entre Harry Potter e Pokémon que seus personagens apresentam. Essas referências foram de fato muito relevantes na sua formação como escritor? Que outras referências você poderia citar? Ainda nesse ponto: que autores contemporâneos mais lhe interessam? 

Quantas perguntas! Sim, adorava Pokémon e Harry Potter quando era mais novo, e mais tarde teve O Senhor dos Anéis. Outras influências podem ser vistas na série Ciclo Terramar (da Ursula K. Le Guin) e também na série As Aventuras de Sharpe, de Bernard Cornwell.

Viajar é uma de suas grandes paixões. Tenho certeza que o aprendizado de culturas diversas se reflete na sua maneira de ver o mundo e, naturalmente, de escrevê-lo também. Tem alguma situação específica de alguma viagem específica que você poderia citar e de que modo essa situação pode ter impactado você?

Vendo as desigualdades da Índia, os amplos e variados ambientes da Austrália, as culturas ricas e vibrantes da América do Sul, a vida selvagem exótica da África... apenas algumas das coisas que deram um jeito de aparecer no meu trabalho.

Aliás, já visitou o Brasil? Sei que você tem ascendência brasileira. Conhece um pouco do cenário literário contemporâneo?

Sim, muitas vezes. Eu sei que literatura de ficção é bastante popular por aí, bem como que existe uma grande base de fãs para livros de ficção científica e fantasia (sorte minha!). Sei também que é bem difícil para os autores brasileiros conseguirem seu lugar na publicação tradicional, o que é uma pena.

Ainda sobre o tema acima. Como sei que você fala um pouco de português, você teve alguma participação nas versões traduzidas de sua obra para o Brasil?

Na verdade, não. Mas o tradutor sabe que falo português, então ocasionalmente ele pode entrar em contato comigo para pedir alguma ajuda ou esclarecimento.

A mitologia está muito presente na confecção do mundo fantástico em que se ambientam suas histórias. Uma coisa que me deixou bastante encucado após ler Battlemage: as estátuas encontradas por Fletcher e Sylvia. Mais sobre isso nos próximos livros deste universo? O que você poderia nos contar sobre aquelas figuras e quem a esculpiu lá?

Tudo o que eu posso dizer é que as estátuas foram construídas pelas pessoas que vivem no Éter. Se eu algum dia voltar para a série do Conjurador, as origens do templo serão explicadas. De qualquer forma, achei que também era um bom easter egg para quem quisesse escrever fan fictions do Conjurador.

Uma coisa muito impressionante sobre o início de sua carreira foi seu sucesso a partir de uma plataforma online. Quando você começou a disponibilizar, esperava mesmo todo o alcance e sucesso que conquistou? Que direcionamentos você daria para novos escritores tentando conquistar seu lugar no concorrido mundo da literatura fantástica? 

Eu não esperava, mas certamente queria chegar lá! Em termos de conselhos, sempre sugiro que termine o que você começou. Uma história completa vale infinitamente mais do que uma ainda por fazer.

Filho de pai indiano e mãe brasileira, Taran Matharu nasceu na Inglaterra em 1990. Encontrou-se desde cedo em sua paixão pelos livros e escreveu sua primeira história aos nove anos. A trilogia Conjurador, composta pelos livros O Aprendiz, A Inquisição e Battlemage (ainda sem título oficial aqui no Brasil) começou a ser publicada diariamente pela plataforma Wattpad e encontrou seu caminho para o mercado convencional. 

Os livros da trilogia do Conjurador fazem parte do nosso Desafio Literário e serão resenhados por aqui no mês de agosto. Para conferir a lista inteira de leituras, clique aqui.

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