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Resenha - O Apanhador no Campo de Centeio


Provavelmente todo mundo já teve vontade de ler algum clássico que acabou sendo trocado por algum livro mais atual na fila de leitura. Eu sempre tive essa mania de postergar algumas obras clássicas, exatamente por acreditar que elas são imortalizadas pelo tempo e que sempre estarão disponíveis para serem lidas, mas esse é o problema, eu sempre deixo para depois. No entanto, graças ao desafio literário, estamos no mês da literatura clássica, por isso eu pude ler “O Apanhador No Campo de Centeio” e confesso que tive uma pontada aguda de arrependimento, mas foi por não ter lido este livro enquanto eu passava pela adolescência.

“O Apanhador No Campo de Centeio” conta a história de Holden Caulfield, narrada por ele mesmo, um adolescente de dezessete anos, que parece um tanto rebelde aos primeiros olhares, ou quem sabe um tanto maluco para as pessoas de sua idade, mas que, na verdade, era apenas um adolescente cansado desse mundo sem sentido e não se dobrava diante das futilidades que o rodeava.
Holden levará o leitor a conhecer um pouco do seu curto passado, seus dilemas constantes do presente e pouco sobre o futuro, um tanto simples, mas que ele pretende construir de maneira que o faça feliz. Sempre permeando a desolação causada a uma vida mais sensorial e com uma razão mais aguçada, que habite em nossa sociedade tão superficial, o leitor precisa ter um pouco de cuidado para não se abater diante das abordagens da narrativa um tanto depressiva e desacelerada, mas que não vale a pena deixar de se envolver com ela.

Um personagem com seus dezessete anos, um autor por volta dos trinta e os anos lá pelos cinquenta. J. D. Salinger nos presenteia com uma linguagem “de época” extremamente viciante, brega pra chuchu, eu juro, no duro mesmo! Mas eu, brega do jeito que sou, curti bastante a ponto de minha mãe achar que eu havia endoidado de vez, porque é claro que eu fiquei usando esses termos por um longo tempo.

"Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer. Eu sei que é maluquice."

Ao tomar "O Apanhador No Campo de Centeio" para ler, diminua a velocidade junto com ele. Acompanhe o tempo de Caulfield, receba os tapas que ele vai te dar em várias lições de vida, entenda que nós ainda somos acomodados com dilemas apresentados por um garoto há quase um século atrás. Pese a sua felicidade e a sua tristeza, meça a distância entre a vida que você tem e a que você gostaria de ter. Caminhe com o personagem e avalie o caminho que você está trilhando hoje. Não vejo outro sentido neste livro a não ser fazer com que o leitor pare e pense sobre a própria vida.

O final, faz a gente soltar aquele suspiro que estava preso, fechar a contracapa, e ficar refletindo o restante do dia, da semana, sobre o que acabamos de ler. É daquelas histórias que rebaixam uma infinidade de outras que a gente sempre achou “o máximo”.
Eu poderia — e queria — falar muito mais sobre esse título, mas acredito que ele seja uma destas obras em que a gente sente mais do expressa, que ouve mais do que fala, e eu não sou poeta o suficiente para traduzir isso com tanta dignidade quanto é merecida. Eu só peço que leiam, porque vale muito a pena.

Título: O Apanhador no Campo de Centeio
AutorJ. D. Salinger
EditoraEditora do Autor (1999)

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