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Teste de Bechdel: você conhece?


Todo filme possui diálogos entre seus personagens, seja entre homens, entre mulheres, ou mesmo entre homens e mulheres. Porém é comumente visto que os personagens masculinos estão mais presentes ou em mais evidência em cena, mesmo quando a conversa é entre personagens femininas.

Diante disso, o Teste de Bechdel foi criado, para observar se os filmes utilizam de forma adequada suas personagens femininas. Muitas obras atuais falham no teste, seja por falta de cuidado, seja por um machismo enraizado por uma sociedade ainda profundamente regrada pelo patriarcal. Para analisar se a obra passa no teste devem ser observadas três regras:

  1. Tem no mínimo duas mulheres, com NOMES.
  2. As mulheres conversam uma com a outra.
  3. Sobre alguma coisa que não seja um homem.
O teste foi originalmente criado para avaliar filmes, mas é também aplicado para outras mídias, já que o objetivo é mostrar a sub-representação das mulheres. Tendo ganho forma por meio da cartunista norte-americana Alison Bechdel, o teste foi criado por sua amiga Liz Wallace e sido lançado pela primeira vez na tirinha Dykes to Watch Out For, onde uma das personagens expressa a ideia de que só assiste filmes que passem nas três regras já mencionadas. Isso tudo foi uma forma de Alison ironizar a mídia e a falta da representação de personagens femininas. 


A origem
Outro fator interessante é que durante um estudo de representação de gêneros, dentre os 855 filmes selecionados - representando os comercialmente mais bem-sucedidos nos Estados Unidos de 1950 a 2006 - foi constatado que há, em média, dois personagens do sexo masculino para cada personagem do sexo feminino. Além disso, as personagens femininas foram retratadas estando envolvidas com sexo em produções duas vezes mais do que personagens masculinos, e a proporção de cenas com conteúdo explicitamente sexual aumentou ao longo do tempo. Já a violência aumentou da mesma forma para personagens masculinos e femininos ao longo do tempo. Claramente uma situação pouca promissora dentro da indústria cinematográfica. 

Ganhando cada vez mais destaque na mídia e crescendo juntamente com os movimentos de empoderamento e luta de igualdade salarial na indústria, hoje o teste tem sido incorporado por empresas, premiações e até mesmo estúdios para que o protagonismo feminino seja cada vez mais posto em evidência. Por óbvio, há um longo caminho a ser percorrido, mas o teste foi um grande passo para que pudêssemos testemunhar uma Furiosa ou uma Mulher-Maravilha nos cinemas. 

Essas duas personagens são um avanço importante, estão aí para mostrar que o protagonismo feminino também vende iingresso, rrompendo com um ciclo de silêncio comercialmente justificado. Em ambas produções vemos uma trama que visa interlocuções entre suas personagens, criando mulheres complexas e com um propósito, não sendo meros acessórios em cena. Definitamente um longo caminho desde a donzela em apuros, Mulher-Maravilha é quem salva o dia, sem homem nenhum para lhe dizer como fazer a melhor escolha.

Frozen também foi um importante marco, ao contar a história de duas irmãs que não estão preocupadas em achar seu príncipe encantado, mas sim na reaproximação da sua relação e na superação de seus obstáculos.


Por outro lado, diversos filmes, muito spremiados no Oscar, inclusive, não passam no teste, não que isso diminua a qualidade do mesmo, pois o teste não serve para isso. É só uma forma de atentar a sociedade de como as personagens femininas são relegadas à segundo plano.

Resumindo, se faz necessário a abertura do diálogo quanto a representatividade feminina não só nos EUA, mas em todo o mundo, para que o protagonismo feminino seja cada vez mais posto em evidência, e não mascarado como vemos em muitas produções. É um esforço duplo que depende não só da indústria mas de nós, espectadores, exigirmos tal atitude, já que para o devido destaque, oportunidades devem ser criadas.

E aí, você já parou para pensar nisso? Veja nesse site http://bechdeltest.com/ os filmes que passam ou não no teste e confira se você está assistindo a muitos filmes aprovados pelo Teste Bechdel.

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