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4 curtas para conferir no Anima Mundi 2017


Na semana passada fui convidada para a cabine de imprensa do Anima Mundi 2017, onde tive a oportunidade de assistir 12 produções que concorrem nas categorias curta e curta infantil do festival.

Comemorando 25 anos no centenário da animação no Brasil, o Anima Mundi é a principal plataforma de fomento da animação no país, além de oferecer experiências para animadores, educadores e, claro, o grande público. Pensando nisso, resolvi compartilhar quatro curtas que você, caro tripulante, deve conferir. Lembrando que este ocorrerá em São Paulo, entre os dias 26 a 30 de julho.

Dito isso, leia nossa matéria e confira alguns - dentre inúmeros - destaques do festival.

VAYSHA, A CEGA 


Dirigido por Theodore Ushev, o nome deste curta talvez pareça familiar, uma vez que, que concorreu na categoria "Melhor Curta", no Oscar 2017. 

Baseado na obra do poeta e escritor búlgaro Georgi Gospodinov, a animação é centrada - como o próprio título já revela - em Vaysha, uma garota de um vilarejo que nasceu com uma maldição. Com seu olho esquerdo, ela pode ver o passado, e com seu olho direito, ela só consegue ver o futuro, sendo o presente inexistente para a personagem. A obra faz uma bela reflexão de como nós nos agarramos ao sentimento de nostalgia ou a ideais futuros, sempre esquecendo de viver o presente, o agora. Diante disso, sacrificamos experiências e nossa própria existência por estarmos preso há memória reconfortantes ou há um ideal que pode vir a ocorrer.

SOB O VÉU DA VIDA OCEÂNICA


Produção nacional, com direção de Quico Meirelles, o curta documenta a vida de uma criatura marinha que possui apenas 6 minutos de vida. Se utilizando do bom humor e devo confessar de uma certa sagacidade, Sob O Véu da Vida Oceânica joga em nossa cara com um ser que possui tão pouco tempo consegue realizar tantas coisas, enquanto nós sempre estamos reclamando da falta deste. A verdade é que talvez o problema seja nós, por não aproveitarmos este de maneira correta.

SUB - HUMANO 


Sou apaixonada pela temática zumbi, por isso não é surpresa que Sub-Humano tenha entrado entre as sugestões. A produção dinamarquesa é centrada em um futuro pós-apocalíptico onde é encontrado a cura para o surto de mortos-vivos, contudo estes vivem em acampamento isolado da sociedade, sonhando com uma futura reintegração. Com uma crítica social e política bem evidente, o diretor Steffe Bang Lindholm mostra o preconceito que existe em relação as minorias e como este é baseado em esteriótipos ou no simples desinteresse de conhecer novas pessoas, culturas, etc. Além disso, o curta ataca visões políticas como as de Donald Trump e seu famoso muro. Sendo, a mensagem final, de que para uma futura reintegração precisamos nos livrar do simples medo do desconhecido.

ESPAÇO NEGATIVO


Em Espaço Negativo, os diretores Ru Kiwahata e Max Porter trazem em primeiro plano a relação fria entre um pai e seu filho, sendo o único contato entre ambos as inúmeras vezes em que se reúnem para discutir as formas de arrumar malas de viagem, durante as incontáveis viagens do pai. Contudo, logo aprendemos que tal gesto significa muito para ambos. Algumas pessoas possuem dificuldade em expressar através de palavras o que sentem, se utilizando de simples gestos para demonstrar seus sentimentos. É o que ocorre neste caso, o simples gesto de fazer uma mala, que inicialmente pode parecer frio, é cheio de significados para esses personagens. Utilizando tal ato para demonstrar seu cuidado e amor um pelo outro. É um curta agridoce, recheado de significados.

Tripulação, espero que tenham gostado das minhas dicas. Lembrem-se, as produções aqui mencionadas são apenas uma pequena parcela do que o festival irá apresentar, por isso compareça e assista alguns, dentre os 470 títulos presentes neste ano.

Para maiores informações acesse o site oficial: www.animamundi.com.br

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