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Crítica: Deuses Americanos - 1ª temporada (contém spoilers)



Chegou ao fim a primeira temporada de Deuses Americanos (American Gods), série do canal Starz que adapta o best-seller homônimo, escrito por Neil Gaiman e mega cultuado pelo mundo nerd.

Você já deve ter lido aqui no blog um tempo atrás sobre nossas primeiras impressões, agora vamos dar uma pincelada sobre o que rolou no restante desta primeira temporada.

Para quem não sabe sobre o que se trata, a série segue os Deuses antigos e novos (na forma de humanos), numa briga por espaço, na qual os dois lados querem ser cultuados pelos humanos e se estabelecerem como as divindades de um novo mundo.

Os antigos estão perdendo, cada vez mais, para os novos. Odin (Wednesday), Czernobog, as irmãs Zorya, parentes de Czernobog, as irmãs que representam a Estrela da Manhã (Zorya Utrennyaya), a Estrela da Noite (Zorya Vechernyaya) e a Estrela da Meia-Noite (Zorya Polunochnaya) são exemplos dos Antigos.

Tenho 99,99% de certeza que você cultua algum dos Novos, que seriam para citar alguns, a Mídia e a Tecnologia. Eles são venerados pelos humanos quando assistem TV, quando navegam na internet usando um celular. E através da globalização estão ficando muito fortes com o passar do tempo.

Com isso, o Wednesday (Ian McShane, que destrói no papel), sai em busca de outros Deuses Antigos para formar um grupo com o intuito de entrar em guerra com os Novos e reaver o protagonismo que tiveram por eras.

Wednesday (Odin)

Bem o plot da primeira temporada é isso, mas vamos adentrar um pouco mais a fundo da narrativa que tivemos nesses 8 episódios.

Shadow Moon é um cara recém-saído do presídio que descobre que sua mulher, Laura Moon, havia morrido na noite anterior. Quando chega para o enterro, é revelado a ele que sua esposa estava o traindo com seu melhor amigo.

Nesse meio tempo, conhece Wednesday, que oferece um emprego de motorista/faz tudo para Shadow, e este sem ter mais nada no mundo aceita.

No começo da série, Shadow não sabe quem seu empregador é na verdade e desconhece esse lado divino que existe no mundo, só conhece as figuras míticas em forma de lendas.



Em uma das cenas mais legais da série, temos o Wednesday e Shadow bebendo em um bar, quando o leprechaun (duende) Mad Sweeney (Pablo Schreiber), que já conhecia o misterioso Wednesday, começa a importunar o recém-viúvo Moon, mandando ele ficar de olho aberto com relação ao seu chefe, e depois começa a provocar com o intuito de provocar uma briga. Shadow e Sweeney partem para a briga, e ao final dela após ser derrotado, o leprechaun dá uma moeda de ouro para seu rival. Afinal, duendes não andam sem ao menos uma moeda de ouro no bolso, não é?

Em busca dos Deuses Antigos, vão ao encontro de Czernobog (Peter Stormare – o grande Abruzzi de Prison Break) e as irmãs Zorya. Ele, por sinal, está demais no papel do Deus eslavo da escuridão, uma excepcional atuação.

Por mais que os novos Deuses estejam ficando muito fortes, eles têm muito medo do Wednesday, e durante a temporada, não batem de frente com ele, e sim tentam chamá-lo para seu lado, em vão.

Czernobog

Não posso deixar de falar sobre a atuação divina da Gillian Anderson, a eterna Dana Scully de Arquivo X, que interpreta a Deusa da Mídia. Se não for a melhor coisa da série, é uma das melhores. Ela encarna vários papéis, sendo que o que mais me chamou a atenção foi o de David Bowie, que está muito bem representado. Merece uma indicação para o Emmy. Está demais.

No final da temporada, Wednesday se revela como Odin para Shadow e para nós telespectadores, a não ser que vocês tenham pegado as referências que os produtores saem dando durante os episódios*. Eu particularmente gostei da forma de como foi feito, mostrou uma imponência do Deus Nórdico que ele é.

Há outras coisas legais na série que não vou citar, para deixar um gostinho a mais para você que ainda vai assistir. Como a música de abertura. Muito boa.

A adaptação não é tão fiel ao livro, mantendo a base, porém mudando o desenrolar de alguns acontecimentos com intuito de não deixar tão parado como é na obra original. Sinceramente, não funcionou muito, visto que a série não é corrida, às vezes chegando a ser um pouco arrastada. Só que atuações, roteiro e muito da fotografia (bela, por sinal) fazem você deixar isso em segundo plano.


Ficou aquele gostinho amargo após assistir a primeira temporada, pois se esperava embates épicos entre deuses, o que não ocorreu, mas é prometido e esperado para a temporada que vem.

E você, o que achou? Foi pego pela série ou não conseguiu nem passar do primeiro episódio? A segunda temporada já está na minha watch list e espero ansiosamente pela sequência da história.


* Alguns dias da semana, em inglês, fazem referência direta às divindades da mitologia nórdica. De modo que Wednesday não é lá um título muito discreto para o pai de todos, já que a origem da palavra faz mesmo a menção ao “dia de Odin”. Thursday, a propósito, pode ser entendido como “o dia de Thor”. Friday é “o dia de Frigga”, a esposa de Odin, madrasta de Thor, deusa da fertilidade e do amor. 



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