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Crítica: Dunkirk (sem spoiler)


Filmes sobre a Segunda Guerra Mundial sempre impressionam. Quando sabemos que se trata desse tema, já nos preparamos pra muito sangue e drama pesado. Mas te digo que esse não é um filme habitual sobre guerra. Christopher Nolan fugiu dos elementos clichês esperados pelo longa e marcou a história do cinema com Dunkirk

Hoje, dia 27 de julho, estreia esse filme que está impressionando os críticos do mundo afora. E nós também fomos convidados à cabine de imprensa para conferir o novo filme desse maravilhoso diretor britânico. Quer saber mais? Continue acompanhando! Ah, fique tranquilo, pois é sem spoiler!


Conhecendo Nolan, sabemos que ele gosta de brincar um pouco com a não-linearidade, e neste longa vemos essa assinatura do diretor, mas de uma forma mais simples. Durante a Segunda Guerra Mundial, centenas de milhares de soldados britânicos e aliados são cercados por forças inimigas. Encurralados em uma praia e esperando por um resgate, que cada vez mais se torna impossível. Em Dunkirk, acompanhamos o mesmo acontecimento de três ângulos diferentes. Na terra, onde, durante uma semana, os soldados esperam o resgate enquanto cada vez mais os inimigos os cercam. No mar, por um dia, acompanhamos barcos de passeio que foram recrutados para o resgate. E ainda muito importante, no ar, durante 1 hora, onde os caças britânicos tentam proteger os soldados que estão na praia. Tudo é simultâneo muito bem sincronizado e montado, nos fazendo imergir mais na história. 

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Por falar em imersão, Nolan consegue proporcionar uma experiência que, infelizmente, é rara no cinema atual. Nós não só assistimos o filme, como de fato entramos na história! É algo maravilhoso! Era uma tensão e angústia que me transportava para situação de desespero daqueles jovens soldados. Dunkirk é visualmente lindo, com cenas maravilhosas de vôos! Nolan optou por um realismo maior e menos efeitos especiais, o que de fato ajuda nessa imersão!  Mas o que mais me chamou atenção, foram os efeitos sonoros. Que coisa incrível! Tudo foi criado para nos transportar para a história e de fato conseguiu. Era tudo tão real que chegava a ser quase palpável! Já a trilha, por sua vez, não serviu apenas para guiar as emoções, mas dominou a situação. Os efeitos não só serviram para nos mostrar o que acontecia, mas para nos levar até à cena. Para ter uma ideia, em uma das cenas, há um efeito que remete ao tic-tac de um relógio e eu juro que pensei que ia sofrer um infarto, tamanho o meu desespero. 

Recentemente, na crítica sobre Baby Driver, eu comentei a importância da trilha sonora no cinema e como ela foi fundamental para aquele filme em específico. E aqui em Dunkirk eu posso dizer a mesma coisa. Novamente a trilha foi quase protagonista! Hans Zimmer merece ser ovacionado! Trabalhando com Cristopher pela sexta vez, Zimmer compõe um ambiente que deixa o espectador completamente alerta durante todo o filme.


Quanto aos atores, eles estiveram muito bem em seus papéis, inclusive o novato Harry Styles, antigo integrante da banda One Direction. Mas Dunkirk não é um filme com um protagonista, acho que podemos dizer que todos ali têm o mesmo peso de importância para a narrativa. O curioso é que é um filme sem aprofundamento de personagens, diferente do que estamos acostumados nos filmes de guerra. Aqui não sabemos muito da história deles, não há aquele drama familiar e, na verdade, há poucas falas. Os atores precisaram ser expressivos, e falar através de olhares e movimentos. Aqui não há aqueles discursos sentimentalistas e heróicos, há a luta pela sobrevivência e essa experiência é contada através da imagem e som, que reafirmo ser brilhante!


Dunkirk foge do comum, um filme que narra uma derrota e, ao invés da luta pela vitória, só há luta por uma sobrevivência sem rosto e sem histórias pessoais. Ele aborda questões morais sem sensacionalismo ou drama forçado e nos faz refletir antes mesmo dele terminar. Um filme que mostra os horrores da guerra, sem apelar para violência explícita. Dunkirk não é daqueles em que passamos conhecendo os personagens e nos apegando a eles. O núcleo não é esse. São humanos que precisam de humanos. São pessoas que não conhecemos, mas torcemos por elas. Assim como civis se dispuseram a salvar aqueles soldados que não conheciam, o espectador não precisa se aprofundar nos personagens para sofrer com eles. 

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Preciso dizer que assistir em IMAX, o que só tornou tudo ainda mais maravilhoso! Se em sua cidade tiver salas de cinema com essa tecnologia, não pondere! Apenas compre o ingresso sem pensar duas vezes. Sabe aquela sensação de assistir um bom filme de terror/suspense e ficar tenso e angustiado durante todo o filme? Essa é a experiência oferecida em Dunkirk. Arrisco ainda mais em dizer que, sem dúvidas, é um dos filmes mais intensos que assisti em minha vida! 





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