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Resenha: O casal que mora ao lado


Em Maio estive no Mochilão da Record, um evento do grupo editorial que viaja por algumas cidades do Brasil, informando os lançamentos previstos e novidades para o ano. 

Entre os diversos livros apresentados, o que mais me chamou atenção foi O casal que mora ao lado. Principalmente porque a pessoa que apresentou esse livro foi ótima, conseguindo instigar a curiosidade de todos ali presentes! 

Pois bem, não bastasse a bela apresentação, em pouco tempo de lançamento aqui no Brasil o livro já está causando um reboliço imenso — aí não tem mais como a curiosidade caber dentro de mim né. Sucesso de vendas mundial, O casal que mora ao lado é o tema da nossa resenha. 


Criou alguma expectativa? Sim! Eu estava transbordando expectativas quando resolvi ler e acabar de vez com a curiosidade. Talvez isso tenha me atrapalhado um pouquinho… mas vamos por partes. Primeiramente, precisamos dar uma conferida na sinopse e em seguida a gente conversa.

Sinopse: Tudo começou em um jantar... Um thriller psicológico surpreendente da autora best-seller internacional Shari Lapena. É o aniversário de Graham, e sua esposa, Cynthia, convida os vizinhos, Anne e Marco Conti, para um jantar. Marco acha que isso será bom para a esposa; afinal, ela quase nunca sai de casa desde o nascimento de Cora e da depressão pós-parto. Porém, Cynthia pediu que não levassem a filha. Ela simplesmente não suporta crianças chorando. Marco garante que a bebê vai ficar bem dormindo em seu berço. Afinal, eles moram na casa ao lado. Podem levar a babá eletrônica e se revezar para dar uma olhada na filha. Tudo vai dar certo. Porém, ao voltarem para a casa, a porta da frente está aberta; Cora desapareceu. Logo o rapto da filha faz Anne e Marco se envolverem em uma teia de mentiras, que traz à tona segredos aterradores.

O casal que mora ao lado é uma daquelas histórias que nos faz desconfiar de todos e criar altas teorias sobre quem pode ser o culpado. E um ponto positivo no livro, que nos ajuda um pouco com essas teorias, é que ele foi escrito em terceira pessoa com foco em diversos personagens. Então podemos ter uma melhor ideia do que cada pessoa pensa. 

Anne e Marco formam um casal que está passando por alguns probleminhas. Anne tem depressão pós-parto e desde que Cora nasceu, ela não tem sido a mesma pessoa com a qual Marco casou. Ele, em contra-partida, mantêm uma ótima aparência física e, durante a festa de seus vizinhos, tem flertado a noite inteira com Cynthia, sem aparentemente se importar com os sentimentos de sua esposa.

“No começo, Marco lhe trazia flores, chocolates, fazia pequenos gestos para melhorar o humor dela, mas nada funcionou. Ele parou de contar sobre o seu dia, sobre a situação da empresa. Ela não tinha como falar do trabalho, porque não estava trabalhando. Os dois não tinham muito assunto, com exceção da filha.”

Cynthia e Graham são vizinhos que moram, literalmente, ao lado de Anne e Março, sendo possível até ouvirem o que o outro está falando na casa ao lado. Como é aniversário de seu marido, Cynthia dá um jantar íntimo e convida nosso casal principal. Porém ela não gosta de crianças então pede aos pais que não levem sua filha. Isso não seria um problema tão grande para Anne e Marco, se em cima da hora a babá não precisasse cancelar o compromisso. Achando que fosse algo inofensivo, eles deixam a bebê em casa sozinha e se revezam para ir olhar de meia em meia hora e, além disso, levam a babá eletrônica — que a propósito está com o visor quebrado. 

“Marco achou que, se a gente levasse a babá eletrônica e viesse dar uma olhada nela de meia em meia hora, não teria problema. Nada de ruim aconteceria, foi o que você disse.”

Quando chegam em casa após o jantar ao lado, notam que a porta da frente está entreaberta, o que já causa desespero e só piora quando encontram o berço vazio e aí começa nossa trama. Com a chegada do detetive Rasbach, todos se tornam suspeitos e ele está determinado a descobrir o que realmente aconteceu. 

Será que Cora foi sequestrada? Será que um dos pais, que estavam bem bêbados, a matou e combinou com alguém para esconder o corpo? Quem está falando a verdade? Realmente há alguém mentindo?

“Desde o nascimento da filha, sempre soube onde Cora estava em cada minuto de sua breve vida, mas agora não faz ideia de onde ela se encontra. Porque é péssima mãe. É uma mãe horrível e emocionalmente instável que não amou a filha o suficiente. Deixou-a sozinha em casa.” 

Lá em cima eu disse que talvez eu ter criado grandes expectativas tenha me atrapalhado. Na verdade eu sei que expectativas destroem o coração, mas continuo criando e dobrando-as — quem nunca? Eu vi muitas pessoas compararem Shari Lapena com Gillian Flynn, aí você já pode imaginar minhas expectativas crescendo ainda mais, né? Mas não, não consegui ver a semelhança além do gênero de livro. Não quer dizer que eu não tenha gostado da escrita de Lapena, longe disso, ela me prendeu e me fez devorar o livro em poucas horas. Porém faltou originalidade, a história foi bem clichê e não surpreendeu muito. Exemplificando, foi um livro que tinha tudo pra ser Tela Quente mas se resumiu à Sessão da Tarde, entende? 

Os personagens foram bem construídos, o mistério é envolvente e a escrita bem fluida. É um daqueles livros que não tem como abandonar. Sem dúvidas um ótimo entretenimento, porém não espere ser muito surpreendido. 

Título: O Casal que Mora ao Lado
Autora: Shari Lapena
Editora: Record
Páginas: 294
Ano: 2017

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