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Review: Os Defensores



Nossa tripulação se reuniu mais uma vez para destrinchar a nova produção da Netflix, Os Defensores. Depois de muito tempo de espera, finalmente temos a chance de ver os quatro super-heróis reunidos, mas será que a série superou as nossas expectativas? Confira a nossa crítica.


ROTEIRO
Por: Fernanda Azevedo

Os Defensores logo em seus primeiros capítulos possue um ritmo lento para introduzir os personagens a este universo compartilhado que terá como consequência a formação da equipe. Definitivamente, não vejo problema em como a série é calma em estabelecer essa origem – que por sinal é bem feita – mas o excesso de personagens secundários e a falta de ousadia é que faz Os Defensores não chegar ao seu potencial máximo.

Ao longo dos oito episódios, vimos os mais variados cameos que sinceramente poderiam ter sido retirados da série, pois em nada contribuíram para construção dos personagens ou da história contada, funcionando mais como um fan service ou filler exagerado. Outro ponto, é que a trama poderia ter sido mais ousada, uma vez que, ao trazer Sigourney Weaver como sua vilã principal, traz inúmeros artifícios para a criação de uma ótima antagonista. A presença da atriz é fantástica e seu personagem é bem construído e possui um mistério que aguça a curiosidade do espectador.


Contudo, ao longo dos últimos episódios vemos essa vilã fria e calculista, perder a força e o foco, diante de uma reviravolta forçada e que não agrega nada a trama. O que me leva a falar da presença de Elektra na produção. Pessoalmente, não gosto da atriz que a interpreta e nem como essa foi construída, sim suas cenas de ação são incríveis, mas nunca consegui identificá-la como a personagem retratada, apenas como mais uma ninja. Diante disso, sua volta ao meu ver é forçar uma narrativa que já se fechou dentro da segunda temporada de Demolidor e que não dá profundidade necessária a série.

Se os vilões não são bem utilizados na trama, o roteiro pelo menos acerta na interação do quarteto principal. Há química entre os personagens, os diálogos são divertidos e funcionam bem como equipe. No entanto, é nítido o desenvolvimento de Jessica e Murdock perante os outros dois. Eles simplesmente roubam a cena e são os responsáveis pela movimentação da história, apesar de toda a trama ser centrada em Danny Rand. Por falar nele e em seu mais novo amigo Luke Cage, o que posso dizer é que ambos possuem momentos bons, mas ainda são personagens muito crus e com pouco desenvolvimento, o que acaba perdendo um pouco do brilho da produção.


Por fim, o que posso dizer é que a série possui uma equipe carismática e bem construída, mas por possuir um roteiro relutante em dar maior grandiosidade a trama faz com que está não chegue ao seu ápice, trazendo um final morno nesta primeira temporada. É aquela velha história: é uma história legal, mas que poderia ter sido bem melhor.


CINEMATOGRAFIA
Por: Raphaela Vieira

Começando com a atuação, Murdock e Jessica formaram uma dupla e tanto e seguraram boa parte da série. Quem pecou novamente foi a atriz Elodie Yung como Elekta, que mesmo depois de sua ressurreição como Black Sky, continua tendo uma atuação fraca e irritante até mesmo quando não tem diálogo nenhum. Os outros personagens continuam do mesmo jeito, sem muitas novidades para pontuar.


As lutas estão bem coreografadas – até o Punho de Ferro não foi tão horrível, como na sua série solo, mas também não chega a ser como nas temporadas de Demolidor. E como sempre tem que acontecer algum confronto em um corredor, dessa vez a produção caprichou na decupagem e nos movimentos de câmera, deixando a cena mais dinâmica.

Por trás do Tentáculo gera todo um mistério, mas a maior parte é resolvida no diálogo. Os vilões não são e nem estão completamente maus – se for comparar ao Rei do Crime ou ao Killgrave. Apesar de ter amado a Sigourney Weaver como Alexandra, ainda acho que faltou um pouco mais de maldade para conseguirem concluir o objetivo deles.

Infelizmente a série não teve um ritmo harmônico – sendo que episódios 2, 3, 4 e 5 foram sensacionais - a partir daí a história começa a ficar preguiçosa, o ritmo caí e o desfecho é decepcionante.


Quanto ao jogo de câmera, desde a primeira temporada de Demolidor nós fomos apresentados a uma fotografia simples e natural – se for comparar as produções cinematográficas recheadas de CGI. A partir de então, durante as outras temporadas de Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro, nossos olhos foram acostumando com a estética escolhida, com duas ou mais cores distintas compondo a fotografia. Um exemplo das cenas em que a cor predominante é o vermelho e na janela ou em algum ponto saí uma luz amarela ou azul para contrastar. Em Os Defensores a técnica também é utilizada. Nos primeiros episódios enquanto os quatro super-heróis ainda não se encontraram, cada um em seu momento tem uma tonalidade que remete ao personagem.

Outro ponto que me chamou a atenção foram as escolhas de planos/posições de câmera inusitados, algumas até remetem muito aos quadrinhos. Para quem não está acostumado a analisar esse tipo de coisa pode causar certa estranheza, mas nada que prejudique o espectador.


ANÁLISE DOS PERSONAGENS
Por: Ramon Vitor

Agora que o hype já passou, é seguro dizer que só mesmo a primeira temporada de Demolidor foi tudo que a gente esperava, foi realmente acima da média e das suspeitas, fora da curva de decepções que a parceira Marvel e Netflix acabou por nos entregar? Espero que sim. Depois dessa excelente estreia, Jessica Jones (só um pouco satisfatória), Luke Cage (arrastada e monótona) e Punho de Ferro (a própria caçamba de lixo, coitada) também fizeram um excelente trabalho, mas dessa vez para baixar nossa bolinha. Apesar de tudo, a expectativa para Os Defensores existia, era muito forte e palpável, na verdade. A gente queria ver como esses universos colidiriam e como a química dos quatro protagonistas poderia ser explorada.


O grande encontro não decepcionou, pondo tudo na balança, mesmo que a narrativa em si possa ter ficado meio desconjuntada. A química do quarteto funciona e houve um trabalho interessante para inclusão de cada núcleo dentro da trama. Matt Murdock e Jessica Jones são, como era de se esperar, o brilho que mais impressiona. As interações entre os dois funcionam tanto para fazer a trama andar quanto para deixar o fã meio abobalhado de fan service.

Do outro lado, na metade sem muito carisma do grupo, Punho de Ferro e Luke Cage fizeram a tradicional jornada de heróis que se estranham e partem para o braço no primeiro encontro. A química entre eles não parece tão evidente de início, mas meio que se desenvolve e aos poucos faz sentido ao longo da temporada. Sem dúvida, assim como suas séries individuais, temos que admitir que Punho de Ferro e Luke Cage ainda não conseguem brilhar sozinhos, mesmo que boa parte da narrativa gire em torno da mitologia de Danny Rand.

Em termos de desenvolvimento de personagem, a série parece ter conseguido mais ou menos tirar Luke Cage do ostracismo, apesar da atuação ainda morna e sem sentido às vezes de Mike Colter. Saindo de sua zona de conforto no Harlem, o personagem ganhou vagamente alguma nova dimensão, embora seus coadjuvantes pareçam os mais perdidos e sem interesse.
Danny Rand, de seu lado, aparentemente abraçou em definitivo o pejorativo de seu desenvolvimento até aqui. Lembra quando a temporada individual do personagem foi lançada e as pessoas fizeram piada de seus privilégios no Twitter? Não vai ser mais necessário. Punho de Ferro, além de saco de pancada oficial dos ninjas buchas de canhão, também se torna rapidamente o alvo das piadas dos outros membros da equipe, que não parecem ter muita paciência para seu papo místico de magicamente escolhido.

Jessica Jones meio que saiu do nada para lugar nenhum. A personagem foi bem em sua série solo e repetiu a performance aqui, sem ir muito além de sua proposta inicial nem mudar nada drasticamente de sua jornada. Ainda a detetive mal-humorada que reluta em cumprir seu papel como super-herói. O roteiro pode ter dado margem para alguma mudança futura nos últimos capítulos, mas nada concreto ainda.

Matt Murdock, o Demolidor, foi quem sofreu talvez o desenvolvimento mais drástico e menos satisfatório também. Com o fim da segunda temporada de Demolidor, a perda de uma personagem próxima, tempos ruins viriam para o personagem, isso ficou claro. Mesmo assim, é desagradável de acompanhar a reciclagem de trama. Mais um herói relutante, que não quer assumir seu heroísmo porque... (coloque seus motivos pessoais, sentimentais e de segurança aqui). É lógico que na vida real todas as justificativas do personagem fazem algum sentido e seriam mesmo utilizadas por mim. Não acreditamos em super-heróis por aqui. E essa é a grande diferença.


Apesar de funcionar bem, principalmente em suas interações com Jessica Jones, como dito anteriormente, nos últimos episódios da temporada, o personagem consegue minar toda e qualquer preocupação que eu tivesse com sua segurança ao tomar sempre a decisão mais burra pelos motivos mais superficiais.


VISÃO DE FÃ
Por: José T. Neto

Desde quando anunciaram que as quatro séries da Netflix em parceria com a Marvel iriam se encontrar em uma posteriormente, já fiquei muito interessado e curioso para saber o resultado disso. Tivemos 2 temporadas de Demolidor e 1 temporada de cada uma das demais (Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro), para agora chegar na esperada Os Defensores.


O que sei dos personagens é basicamente no que foi mostrado nas séries solos deles e até agora tenho gostado bastante, tirando alguns defeitos que não vale a pena mencionar agora. Foi criado um mundo, quase em separado em relação ao universo Marvel dos cinemas, o que dá mais liberdade para os roteiristas trabalharem, mas as vezes causa um certo desconforto, pois os acontecimentos das séries deviam ter chamado ao menos a atenção do Homem-Aranha, convenhamos.

Estava ansioso pela série Os Defensores, para saber como seria a introdução dos heróis na vida um do outro. O que vi me agradou muito, trouxeram as particularidades de cada um e essa miscelânea deu muito certo. As interações do Matt com a Jessica são demais. Ela com aquele humor sarcástico. Muito bom. Também curti o Luke com o Danny, principalmente nas lutas. Sem contar com os personagens secundários que dão um bom suporte. Senti falta da Joy e do Ward. Por falar em lutas, estão bem melhores, porém ainda tem o que melhorar. Mas já é um avanço.


O Tentáculo foi destrinchado, mostrando os cinco líderes, além da Madame Gao e Bakuto que já conhecíamos, foram introduzidos o Murakami, Sowande e a líder deles, a Alexandra. Cada um com sua particularidade, o que ficou muito legal, porém achei que poderiam ser mais fortes. Só a Gao, dos cinco, que manda bem. Baita vilã. E não posso esquecer de mencionar a Elektra bad-ass, demais.

Apesar dos erros, para mim a série foi um acerto, conseguiu unir os quatro heróis de uma forma muito boa. Me entreteve durante os 8 episódios e deixou um gosto de quero mais. Quem sabe o Justiceiro dando as caras na segunda temporada. Seria uma baita adição.


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