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Crítica: Amityville - O Despertar (sem spoiler)


Algumas histórias nunca caem no esquecimento e Amityville é uma delas. O crime brutal que ocorreu na 112 Ocean Avenue nos anos 70 ainda mexe com o imaginário das pessoas, uma vez que ainda tentam descobrir se forças ocultas influenciaram no massacre da família DeFeo. Diante dessa procura incessante, estreia amanhã nos cinemas, dia 14 de setembro, Amityville: O Despertar, a nova produção da casa mal-assombrada.

Como de costume, a história se inicia com a mudança de uma família para a casa, quarenta anos depois do caso que a tornou famosa. Sendo o público apresentado, aos quatro personagens centrais da trama: Belle (Bella Thorne), uma adolescente que possui problemas de comportamento e uma relação conturbada com sua mãe, Joan (Jennifer Jason Leigh), matriarca que sente o cansaço de ter que lidar com os obstáculos vividos por esta. Completam ainda o quarteto, James (Cameron Monaghan), irmão gêmeo de Belle que se encontra em estado vegetativo após sofrer um acidente e a pequena Juliet (Mckenna Grace), a irmã mais nova, que tenta trazer um pouco de doçura a vida da família.



A partir disso, somos apresentados ao cotidiano destes, como as dificuldades do tratamento de James e a chegada de Belle a nova escola. Sendo esta última o primeiro contato da personagem com o passado da casa já que, como era de se esperar, todos conhecem a tragédia ocorrida nesta. Desconfiada, a personagem inicia sua investigação sobre o que ocorreu no lugar, ao mesmo tempo que as primeiras manifestações começam. Conforme Belle vai se aprofundando na história, esta passa a ter certeza de que algo maligno se encontra em seu novo lar.

Para ajuda-lá, são inseridos na trama Terrence (Thomas Mann) e Marissa (Taylor Spreitler), os novos amigos da protagonista, que servem mais como um Google ambulante. A introdução de ambos e a construção da amizade é apressada e conveniente a história, que precisa jogar informações a Belle para que esta saiba que o lugar não é nada tranquilo. Sendo estes muito mal aproveitados, aparecendo e desaparecendo num passe de mágica. Por falar em mal aproveitamento, o mesmo pode se dizer de Jennifer Morrisson (a Emma Swan de Once Upon A Time), que faz Candice, irmã de Joan, que não apresenta nenhuma função narrativa, até agora tento entender qual foi sua importância a trama.

O filme apesar de possuir bons jump scare - o que é esperado de uma produção de Blumhouse - não consegue criar uma tensão contínua que possa culminar em algo extremamente assustador. Pelo contrário, são pequenas inserções que fazem o espectador se assustar momentaneamente e logo após a tensão é cortada para uma cena qualquer. O que me faz lembrar, como as transições deste filme são ruins e feitas de forma abrupta, interrompendo totalmente o nível de imersão de quem assiste. Ao contrário do que muitos pensam, eu sou uma verdadeira medrosa quando o assunto é filmes de terror - não sendo nada difícil me assustar - porém tais cortes me faziam me desligar totalmente da trama.


Acho que a frase "a pressa é inimiga da perfeição", cabe como uma luva a este projeto. Tudo é feito de maneira muito apressada, desde as construções dos personagens e suas relações até a resolução final. O que afeta e muito o filme como um todo, uma vez que você vê uma obra rasa e os atores com uma atuação engessada ou no modo piloto. 

Por falar em atuação, Bella Thorne, não consegue convencer como protagonista, todo o drama e carga emocional que sua personagem carrega fica piegas com sua interpretação, principalmente em suas cenas com Cameron Monaghan, que mesmo sem falar uma palavra consegue transmitir mais emoção e ofuscar a atriz. Já Jennifer Jason Leigh, possui uma presença imponente, e aquilo, se você quer uma mãe a beira de um surto psicótico, chame Leigh, porque ela arrasa. No entanto, como disse anteriormente, por conta de um roteiro raso, você consegue ver que a atriz está no modo piloto, mesmo sendo sua atuação a mais satisfatória diante de todo o elenco.

Com relação a trilha sonora e direção, não há grandes destaques. A primeira não possui muito espaço no filme, sendo utilizada nas cenas mais tensas e mesmo assim não criando um grande envolvimento com o que é apresentado. Já Franck Khalfoun, acho que se perde dentro de toda a produção - apesar de já ter dirigido filmes satisfatórios do mesmo gênero - acho sua direção confusa e os planos não ajudam a construir este grande mal que existe na casa. Ficando claro toda a desordem que existe no projeto.

Amityville: O Despertar chega até brincar com seu legado, contudo não consegue quebrar a maldições de seus antecessores, mostrando-se o quão perdido se encontra dentro da própria trama.




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