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Crítica - O Assassino: O Primeiro Alvo (sem spoiler)



Estreia nesta quinta-feira (21), O Assassino: O Primeiro Alvo, filme baseado na obra homônima do autor Vince Flynn, que acompanha a missão contra-terrorismo do agente secreto da CIA, Mitch Rapp. Sendo um dos inúmeros livros que fazem parte desta saga, o filme tem sido aguardado por fãs, porém será que este ganhou uma adaptação merecida? Confira a crítica.

Na trama, somos apresentados a uMitch Rapp (Dylan O'Brien), em seus 20 e poucos anos, de férias com sua noiva em um lugar paradisíaco, quando este é invadido por um grupo de terroristas, que realizam uma verdadeira chacina. Sendo um dos poucos sobreviventes e tomado pelo desejo de vingança, este inicia seu plano em busca de justiça, no entanto seu caminho se cruza com a CIA, sendo recrutado pelo governo para se tornar um agente de operações especiais. Durante o treinamento, que nosso protagonista conhece Stan Hurley (Michael Keaton), veterano de guerra, que será o responsável por tornar Rapp em um homem letal. Contudo ao longo de sua jornada vemos que o dever e dramas pessoais podem se tornar uma arriscada combinação.




Apesar da produção possuir problemas de roteiro considero um aspecto positivo a introdução e como foi estabelecido o objetivo do protagonista. O filme não perde tempo, ele trata de apresentar o personagem e a tragédia pessoal deste, para que assim o espectador crie um rápido vínculo e compreenda os motivos de suas ações. Entretanto, o grande problema deste filme é não criar um verdadeiro perigo para Mitch. Vemos sua fragilidade emocional, seu árduo treinamento, mas quando este é posto na ativa não há a sensação de que este corre risco de vida. Os obstáculos são ultrapassados porém sem uma carga emocional e recheado de clichês, ficando ainda mais evidente no ato final quando este é posto frente a frente com o antagonista interpretado por Taylor Kitsch, um confronto totalmente anticlimático. Não há complexidade na trama, tudo é muito superficial e desinteressante.

Por falar em confronto, as lutas e coreografias são boas, mas após filmes como John Wick e Atômica, onde nota-se o grande nível de planejamento e técnica para a realização de tais cenas vemos que o diretor Michael Cuesta dormiu no ponto e trouxe mais do mesmo. Ou seja, muitos cortes, planos fechados e a famosa shaky cam (recurso usado por inúmeros filmes de ação). Não querendo desmerecer o trabalho de Dylan O'Brien, pelo contrário, o ator se dedicou muito e isto é visível no filme, você acredita que Rapp é bom de briga e ele bate como apanha na mesma intensidade. Porém sinto que o resultado teria sido ainda melhor se houvesse mais ousadia do diretor em trazer algo diferente. 


No quesito atuação, acho que O'Brien cumpre seu papel, ele demonstra a turbulência emocional do personagem, assim como, é convincente como um action hero. É o melhor que pode fazer? Definitivamente não. Mas dentro de um roteiro limitado sua atuação foi relativamente satisfatória ao meu ver. Assim como seu personagem, este é um período  de transição para o ator que pretende abranger histórias mais maduras, se desvinculando aos poucos de sua imagem teen.

Outro ponto positivo é Michael Keaton, nunca é demais ver o ator em cena. Apesar de apresentar uma reação bem exagerada em uma específica cena, o que gerou alguns risos na sessão, este é convincente como o militar casca grossa que possui inúmeros embates com o protagonista. Inclusive a relação entre pupilo e mentor é bem legal, há química entre os atores e você compra essa relação. O mesmo posso dizer de Sanaa Lathan, que apesar de ter sido mal utilizada, mostra a sobriedade necessária para o papel como despertou em mim certa curiosidade em relação a sua personagem, o que pode ser explorado caso a produção se transforme em uma franquia (claro, primeiramente terá que ter uma boa margem de lucro para isso).



Taylor Kitsch é a grande ovelha negra deste elenco. Sua atuação é caricata e seu vilão extremamente chato. Cria-se uma enorme expectativa sobre seu passado e a motivação para seus atos e quando revelada acaba culminando em algo totalmente estúpido, fazendo com que você pense "é isso?". Este não transmite medo ou carisma, totalmente sem sal, parece aqueles vilões de videogame em que você tem que matar para chegar ao real perigo ou ao chefão, mas neste caso não existe e temos que nos contentar com este.

Dentre os inúmeros filmes que existem sobre agentes secretos hoje em dia, é necessário que novas produções se arrisquem e tragam algum diferencial para que assim não caiam no esquecimento. Infelizmente, O Assassino: O Primeiro Alvo opta pelo mais do mesmo, trazendo uma trama recheada de clichês e um roteiro limitado, se tornando mais um dentre tantos.

A imagem pode conter: câmera e óculos de sol

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