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Escutamos: BTS - Love Yourself: Her




BTS lançou seu aguardado mini álbum Love Yourself: Her. Após meses fazendo mistério sobre seu próximo trabalho, o grupo traz uma produção focada na descoberta do amor e seus percalços, mostrando tanto o amadurecimento dos membros como de sua música. Não me leve a mal, ainda há letras que criticam a sociedade como um todo (algo que já é característico do grupo), contudo é bastante positivo ver os membros falarem sobre amor de uma forma mais madura e intimista, não tratando-o como algo açucarado.

Sempre que ouço que algum grupo irá lançar um mini álbum, penso que esta é a oportunidade de fazer algo experimental, pois se tem uma liberdade maior para testar novos estilos e, consequentemente, tirarem os artistas de suas zonas de conforto. No caso de Love Yourself, BTS se deixa levar de vez para o pop e eletrônico. Com uma vibe bem oitentista e com uma estética extremamente colorida, eles mesclam diferentes sonoridades.


Iniciando com Intro: Serendipity, somos surpreendidos com um belo solo de Jimin. Com uma nítida influência de R&B, ouvimos a doce voz de um dos integrantes da vocal line externar seu amor. Muitos podem achar que se trata de uma música doce, mas é extremamente profunda, começando por seu próprio título. Serendipity pode ser traduzido como uma descoberta ao acaso, ou seja, encontramos a solução para um problema, uma resposta para nossas perguntas ou até algo que possa mudar nossa vida de maneira inesperada. Um bom exemplo, seria a penicilina, que foi descoberta ao acaso pelo cientista Alexander Fleming, não sendo atoa a menção desta na letra ("You are my blue mold, saving me"). Ou seja, Jimin descobre ao acaso o amor o que acaba ajudando-o a superar sua dor, amando ele consegue descobrir a cura e um novo caminho é traçado em sua vida. Extremamente introspectiva, Jimin pode estar demonstrando seu amor por outra pessoa ou mencionando a descoberta pelo amor-próprio. Lógico que tudo dependerá do ponto de vista de quem ouve.

Após esta bela balada, somos apresentados ao principal single do álbum, DNA. Com uma vibe totalmente anos 80 tanto no som como na estética, a música começa com uma bela introdução de uma guitarra acústica misturada a assovios, enquanto os membros cantam como o amor é  algo divino, escrito pelas leis da natureza, estando todos destinados a vivê-lo, ou seja, que está em nosso DNA (pegou a referência?). Conforme vamos ouvindo o EDM vai ganhando mais espaço culminando numa drop, trazendo um toque moderno a canção. A música em si é legal, mas é a melhor do álbum? Não. Na minha opinião, ao introduzir o EDM a música acaba se tornando algo comum, aqui gostaria que o grupo se jogasse de vez na sonoridade dos anos oitenta e trouxesse algo totalmente diferente. Para entender o que estou falando, confira o vídeo abaixo:


Já falamos sobre a descoberta do amor, de como estamos destinados a ele e por óbvio precisamos falar sobre a dor que este pode trazer. Em Best of Me, ouvimos os meninos falarem como se doaram à relação de corpo e alma, mas mesmo assim esta culminou em uma separação, mostrando que apesar de dar o melhor de si isso não foi suficiente. A parceria com o Chainsmokers é uma agradável surpresa, com a notável assinatura da dupla na música, vemos está começar calma até se tornar algo totalmente dançante e perfeito para tocar em uma balada.

Logo após, Dimple chega e devo confessar que é a música que me incomoda no álbum, pelo simples fato desta não ornar com a temática proposta. Lembra, quando disse no começo que BTS estava trazendo uma visão mais madura do amor, então Dimple é um retrocesso a isso. Não me entenda mal, a vocal line está fantástica (Jin I See You), mas ela não é profunda, além de ser um pop bem genérico. Eu entendo as pessoas que curtem e confesso que ela é chiclete (dimples are ille~gal, Rapmon brincando com nossos corações), mas na minha opinião não traz a reflexão com a qual o álbum se propõe, ao falar de um amor lúdico e diria até infantil.

Se Dimple não foi tão satisfatória para mim, Pied Piper superou todas as minhas expectativas. Criando uma nova versão do conto O Flautista de Hamelin, esta é a chance de jogar o shade do amor nas A.R.M.Y. ao dizer que apesar de o fandom seguir seu som e perderem horas criando teorias, vendo mvs, tweetando e procurando foto dos membros, estas não devem anular suas vidas por estes. Como a própria música diz "I'm here to save you, I'm here to ruin you", ou seja, eles querem que vocês os amem de uma forma saudável, sem que se prejudiquem por isso. Extremamente divertida e mostrando o carinho por seu fandom, aqui BTS mostra que quando o assunto é R&B o grupo deslancha mostrando um alto nível de qualidade musical.

Continuando a minha turnê da adoração pela segunda metade deste álbum, Mic Drop vem para fazer uma homenagem ao hip-hop dos anos 90, com uma batida pesada e inspirada no discurso que Barack Obama fez no jantar de correspondentes internacionais na Casa Branca, o grupo vem jogar o microfone no chão com muito estilo. Confesso que adoro essa abordagem mais agressiva (Cyphers eu te amo) e ver o grupo junto para mandar um recado para os haters é incrível. Se em Cypher 4 a rap line dizia que os haters deviam se amar, aqui o pensamento prossegue e BTS diz que estes devem viver suas vidas. Não há necessidades de desculpas ou de conversas, o grupo põe um ponto final na história e se despede destes.


Entretanto, em Go Go a sociedade é o cerne da questão. Com uma pegada puxada para o reggae, aqui vemos o grupo trazer uma vibe bem tropical. O que não é de se estranhar já que anteriormente em Blood, Sweat and Tears, estes flertaram com o reggaeton. Conhecidos trazerem problemas sociais em suas composições, em Go Go o foco é a sociedade moderna e sua cultural hedonista, onde a juventude só procura o prazer momentâneo como forma de escapar de suas responsabilidades e medos.

Por fim, chegamos a Outro: Hersendo a rap line a responsável por fechar esse álbum. O jazz invade nossos ouvidos e combina perfeitamente com a batida do hip-hop. Outro ponto que sempre preciso ressaltar é como os estilos de Rap Monster, J-Hope e Suga se completam e trazem uma sonoridade incrível a música. Fechando com chave de ouro este CD.

Em Love Yourself: Her vemos o amadurecimento dos integrantes, tentando novamente algo experimental, BTS traz um mini álbum agradável e com belas reflexões, apesar de não acertar completamente, o projeto mostra que o grupo não quer ficar em sua zona de conforto e sim surpreender.


Obs: Sobre as duas músicas escondidas, não se preocupe. Elas serão temas de outro texto que saíra em breve 😉

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