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Resenha: O Coletor de Espíritos


Não é difícil de perceber que sou fanboy declarado do Raphael Draccon, certo? Todos os livros autografados, casaco dos Dragões de Éter, seguindo o cara por todos os cantos... mas eu falhei! Bem no início desse ano, Draccon lançou mais um livro, "O Coletor de Espíritos", que inicialmente chegou apenas em formato digital, porém eu só fui conhecer sua existência há cerca de três meses atrás.

"O Coletor de Espíritos" se passa no mesmo tempo de "Fios de Prata". Uma história paralela à de Allejo, porém com o foco sobre Gualter, o psiquiatra que atende o astro de futebol. Inclusive, há um crossover e Allejo aparece em "O Coletor de Espíritos" na mesma cena, porém agora pela visão do outro protagonista, o que esclarece algumas coisas acerca do comportamento e do clima que encontramos em "Fios de Prata". Pronto, quando Raphael me contou isso, eu simplesmente fiquei aflito para ler, de vez!

Mas o que mais me chamou a atenção mesmo e mais me deu gosto de comprar o livro foi o coração de Raphael, que decidiu reverter todo o dinheiro dos direitos do eBook para o hospital do GRAAC, em apoio ao tratamento e combate ao câncer infantil. A editora Rocco apoiou a ideia e também abriu mão dos valores arrecadados com o eBook, doando sua parte para o GRAAC.

O motivo dessa comoção se deu ao menino Felipe, a quem o livro foi dedicado com muito carinho, por um motivo muito especial. Uma história muito linda que não dá espaço para resistir à emoção, e que em breve falaremos mais sobre ela em uma entrevista com o Raphael, aqui na nossa transmissão.

"É um pena que a gente não possa criar as regras da vida, como um escritor pode criar as regras de um livro. Seria tão mais fácil, não é? Nossos amores seriam eternos, nossos vilões seriam sempre derrotados, nossos finais seriam sempre felizes. Só que a vida não é assim."

Passaram mais alguns meses e o livro foi lançado em formato físico, agora na Bienal. Era meu momento de redenção, garantindo meu exemplar autografado com mais uma mensagem cheia de carinho do Raphael.

Mas agora vamos ao assunto do livro, que me conquistou demais e que eu preciso compartilhar com vocês.

"O Coletor de Espíritos" possui uma pegada bem diferente de todos os outros livros escritos por Draccon. Ele estava pronto ao mesmo tempo de seu parceiro — "Fios de Prata" — porém não foi lançado pela LeYa. Acredito que essa decisão tenha sido realizada com base no fato de que "O Coletor de Espíritos" foge da fantasia abundante que há nos demais títulos do autor.
Talvez você estranhe ou chegue a ponderar na dúvida de uma obra menos fantasiosa do Raphael, mas não faça isso, porque o cara mais uma vez acerta em cheio em cada página do livro!

Neste mais recente lançamento, acompanharemos a história de Véu-Vale, um vilarejo quase esquecido, quase no fim do mundo, mas que abriga histórias que não deveriam ser deixadas de lado.

Após um grande massacre indígena, sofrido em Véu-Vale, o vilarejo nunca mais foi o mesmo, principalmente aos terceiros dias de chuvas consecutivas, onde ninguém arrisca ficar nas ruas iluminadas apenas por postes com tochas.

Gualter Handam, que um dia foi morador de Véu-Vale, deixou o vilarejo para se tornar um renomado psiquiatra. Mas que, agora famoso e bem-sucedido em sua vida profissional, de repente precisará enfrentar alguns fantasmas — literalmente — de seu passado, em uma jornada de busca por uma redenção que restaure a paz de um povo afligido pelo mal que habita nas sombras.

"O Coletor de Espíritos" começa de maneira muito instigante. Apresentando algumas peças avulsas do jogo, aos poucos, mas sempre com uma dica e com uma mensagem que com certeza despertará a curiosidade e a ansiedade do leitor.

Embora pareça que as coisas demoram a se encaixar, aguarde, elas se encaixarão em seus devidos tempos e garanto que você ficará encantado com toda a maestria do sentido que terão.

A narrativa ganha muito fôlego a partir do capítulo treze e então se torna impossível parar de ler, realmente não dá para deixar o livro de lado e continuar depois.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção, e acredito que tenha somado muito valor ao livro, são as referências ao conteúdo que conhecemos. "O Coletor de Espíritos" é um livro muito mais próximo da realidade, com personagens muito bem construídos e extremamente críveis. Não é difícil compará-los a algumas pessoas que conhecemos. Alguns deles poderiam ser nossos vizinhos, nossos professores, nossos colegas de trabalho... E mesmo com o todo o ambiente espiritual trabalhado, o livro transmite uma mensagem muito fácil de aceitar. Sempre permeando elementos naturais para nós, Draccon discorre a narrativa com muita maestria na evolução do conteúdo, que faz o leitor devorar as páginas.

Quando a leitura chega ao final, não há como espantar a necessidade de ponderar sobre cada nota transmitida e cada reflexão trazida ao longo das páginas.

A mensagem de "O Coletor de Espíritos" é muito bonita e foi muito importante para mim. Acredito que o "atraso" em me encontrar com o livro não foi por acaso. Veio em um momento ideal para mim. Mais uma vez Raphael conseguiu marcar minha vida com suas histórias, seus personagens e suas palavras. É mais um daqueles títulos em que eu agradeço com muito carinho ao autor, após ter terminado a leitura, porque realmente atingiu muito a minha vida.

Então, mais uma vez, obrigado, Draccon. Como já diz sua mensagem, no autógrafo — "continue a coletá-los".

Título: O Coletor de Espíritos
AutorRaphael Draccon
EditoraRocco (2017)

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