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Crítica: Churchill


Winston Churchill sempre foi uma figura que provocou curiosidade, tendo sido retratado inúmeras vezes em diferentes mídias, o estadista britânico - que já foi votado como o maior britânico de todos os tempos, ganhando de nomes como William Shakespeare, Charles Darwin, entre outros - será retratado novamente nos cinemas. Em Churchill, que estreia dia 5 de outubro, teremos uma visão mais intimista do político acerca dos eventos que antecederam o Dia D, termo usado para se referir ao desembarque das forças aliadas na Normandia, iniciando a libertação do continente Europeu da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Aqui estamos diante de um Churchill mais falho, vulnerável e inseguro. Certo de que a operação culminaria em um massacre - igual ocorrido na Campanha de Galípoli - ao longo de toda trama notamos a figura - que sempre foi retratada de forma tão imponente - acuada e assombrada pelos erros que cometeu no passado. Brilhantemente interpretado por Brian Cox, ficamos diante do fardo do homem e não da lenda, assim como, de cicatrizes não curadas.


Recheada de longos monólogos que detalham a oposição do nosso protagonista, que por ventura acaba criando uma tensa relação com o general Dwight Eisenhower (John Slattery), o cansaço pode atrair o espectador. Como disse apesar das boas atuações do elenco, o roteiro de Alex von Tunzelman simplesmente fica estagnado em sua apreensão, criando inúmeras sequências repetitivas de porque o primeiro ministro é tão contra o plano. 

É belo ver o lado humano do estadista, contudo como tais atitudes afetam as pessoas que vivem a sua volta poderiam ter sido mais exploradas. Diga-se de passagem, a conturbada relação com sua esposa Clementine, interpretada por Miranda Richardson, que, em minha opinião, possui um dos discursos mais bonitos do filme ao revelar como se sente sufocada com sua vida, porém  não pode transparecer tais sentimentos, pois da sua posição espera-se somente a perfeição, demonstrando o papel da mulher na épocaOu até mesmo, sua relação com General Smuts (Richard Durden) ou  o Rei George VI (James Purefoy), que são interessantes, mas acabam ficando em segundo e até terceiro plano.


Apesar do roteiro não se aprofundar completamente nas relações interpessoais de Churchill, o que acaba criando uma trama arrastada, o mesmo não se pode dizer da fotografia, que é um deleito visual e casa completamente com a trilha de Lorne Balfe. Outro ponto positivo é o diretor Jonathan Teplitzky, que possui uma direção eficaz e com belos ângulos que revelam a batalha interna travada pelo protagonista.

Resumindo, Churchill tem excelentes atuações, uma bela fotografia e uma direção competente. A ideia de trazer uma nova faceta do ícone traz certo frescor, mas a fixação da trama em explorar somente sua oposição e seu dilema moral diante do fato histórico, acaba fazendo com que a trama fique na primeira marcha e nunca mais saia desta.



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