Swift

Crítica: Manifesto (sem spoiler)


Manifesto segundo o wikipédia é uma declaração pública de princípios e intenções que objetiva declarar um ponto de vista, denunciar um problema e convocar a sociedade.

Esclarecendo no início seu conceito, o diretor Julien Rosefeldt traz um compilado de 57 manifestos artísticos, que vão de Karl Marx à Lars von Trier, sendo o espectador inserido nesta narrativa filosófica, social e política. Lógico, que para ligar essa ponte precisamos de um locutor que possa dar voz a tais pensamentos, sendo este o momento que Cate Blanchett faz sua entrada.

Interpretando treze personagens diferentes, Cate faz um belo trabalho. Com muitas trocas de roupas, perucas e até mudanças faciais, a atriz é o recipiente desses manifestos. Com longos monólogos - que às vezes podem levar a certo cansaço tamanho a complexidade dos movimentos artísticos apresentados em tão pouco tempo - a impressão é de que estava assistindo uma peça de teatro. 


Tal fato se deve ao filme possuir uma construção diferente do que estamos acostumados de ver nos cinemas. Dividido em pequenos clipes, com cortes bruscos e uma trilha sonora que se mostra mascarada e que aparece somente quando necessária, concentramos todo nosso foco na atriz. 

Outro fator é a direção apresentar planos fechados sempre com o intuito do espectador nunca perder de vista sua fala. Não me entenda mal, a ambientação existe e é bem feita. Rosefeldt consegue criar a cada take uma Berlim diferente. Contudo, este não é o foco, e sim o poder do discurso apresentado.

Manifesto dentre suas mais diversas funções chega em boa hora no Brasil. Em meio a tantas discussões sobre o que pode ser considerado arte, a produção traz a  sua evolução.

A arte é feita para todos e por todos; um meio pelo qual podemos externar nossas visões e pensamentos; onde não existe o certo ou errado; onde passado, presente ou futuro podem coexistir em uma única imagem. Em minha opinião, diversos reflexos sobre uma mesma criação.

Diante disso, acho que o grande intuito de Manifesto é fazer com que o espectador reflita sobre qual é o papel da arte na atualidade, e o mais importante, que sua voz seja ouvida.




LEIA TAMBÉM