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Crítica: O Estado das Coisas (sem spoiler)


Nós humanos nunca estamos satisfeitos, seja por conta da profissão que decidimos seguir ou de escolhas que podem mudar nossas vidas, seja para melhor ou pior. E entendemos isso em 'O Estado das Coisas', que dialoga muito bem com a frase “a grama do vizinho é sempre mais verde”.

No longa, Brad (Ben Stiller) é um pai de família classe média, com um filho prestes a entrar na faculdade, voltado a gerenciar sua própria ONG e com uma esposa maravilhosa. 

Contudo, quando este acompanha seu filho para uma entrevista de faculdade acaba fazendo uma viagem no tempo e pensando se realmente tudo aquilo que fez na sua vida valeu a pena.

Com ótimos questionamentos, o diretor e roteirista Mike White traz uma trama correlacionável, fazendo com que nós - espectadores - nós identifiquemos com as reflexões e dúvidas de Brad. Além de explorar bem a narrativa dramática do filme, sabendo sempre onde colocar um pequeno alivio cômico para que este não vire um dramalhão.


O uso de voiceover também é eficaz para externar os pensamentos do protagonista. Por meio da técnica conseguimos entender o personagem, seus desejos e anseios, mesmo que sua visão possa parecer de certa forma um egoísmo deste em relação ao futuro do filho. No entanto, tal perspectiva é sempre colocada de forma bem sutil para que possamos compreender o estado melancólico de Brad. 

O único incômodo que senti durante o filme foi a falta de foco em Austin Abrams (Troy) – que interpreta o filho de Brad - que poderia ser muito mais explorado na narrativa. Um personagem que se mostra tão presente na jornada do pai acaba sendo deixado de lado, não mostrando um desenvolvimento que merecia dado a sua importância na trama.

Apesar dessa falha, o filme tem um bom desenvolvimento que pode gerar muitas discussões e mudar um pouco a visão de como enxergamos nossa vida. Propondo uma espécie de balanço geral do que realizamos e do que poderíamos ter realizado, O Estado das Coisas é um filme que as pessoas deveriam dar uma chance e quem sabe aprender com ele. Já que o ser humano sempre está passível de mudanças e amadurecimento.





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