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Crítica: Terra Selvagem (sem spoiler)


Terra Selvagem pode parecer, em um primeiro momento, um thriller com elementos que lembram muito os antigos filmes de faroeste. Contudo, o filme de Taylor Sheridan - roteirista de Sicário e A Qualquer Custo — é muito mais denso do que aparenta.

Com estreia programada para o dia 02 de novembro, a produção introduz em sua narrativa o caçador Cory Lambert (Jeremy Renner), que vive próximo a uma comunidade indígena, em Wyoming, no EUA. O personagem, que ganha à vida protegendo gados dos fazendeiros da região, acaba encontrando em uma de suas caçadas o corpo de uma moradora da reserva.

Diante de tais circunstâncias, a novata agente do FBI, Jane Banner (Elizabeth Olsen), é enviada a inóspita terra para tomar a frente do caso. Com a ajuda de Cory e da força policial local, o grupo parte em uma missão para solucionar as incógnitas que circulam a morte da jovem. Sendo o público envolto em uma trama com duras críticas sociais a cerca do isolamento das comunidades indígenas nos EUA.



Como disse no começo deste texto, Terra Selvagem possui todo um toque de suspense acerca do mistério que envolve sua trama. Com planos abertos e cenas tomadas por um completo silêncio, somos introduzidos a um ambiente nada convidativo, retratando o quão desolado é este local. Sempre carregando essa sensação de incômodo, a trama tem como foco desenvolver os personagens e seus traumas, que vão sendo abertos conforme o maior envolvimento destes com o caso. 

Por essa razão, o filme possui um ritmo  lento. Tal fator, em minha opinião, é proposital. Vejo aqui a intensão de Sheridan, em estampar o cansaço em todas as camadas da produção, como forma de transparecer os sentimentos das pessoas que vivem tais situações diariamente. Estamos diante de uma comunidade onde seus moradores são engolidos pela violência, pobreza, falta de oportunidade, abuso sexual, drogas, alcoolismo e outros tantos fatores que demonstram como esta  foi esquecida por todos.

Isso não é ficção. Wind River existe, é real. Sendo hoje a expectativa de vida na comunidade indígena de 49 anos, vinte a menos do que a estimada no Iraque. Uma triste realidade que o diretor quer passar em tela, sendo este o verdadeiro objetivo do filme. Apontar a falta de apoio aos nativos americanos, o desaparecimento de sua cultura que vem sendo massacrada ao longo dos anos, a falta de leis que os protejam do seu maior predador — o homem branco.



Talvez por isso, seu terceiro ato não encaixe muito bem com a narrativa. Em uma conversão brusca de ritmo, o filme joga o espectador em um confronto final que não traz o clímax necessário, assim como, responde de maneira bem expositiva, todos as dúvidas acerca do mistério.

Trazendo tantos questionamentos e usando a morte desta jovem nativa americana, como o fio condutor para demonstrar todos os problemas sociais vividos pela comunidade nos EUA, é uma bela ideia e funciona. Contudo, essa sensação de urgência em finalizar a trama faz com que o final não seja tão impactante como o esperado, ao tirar foco de sua principal crítica.

Possuindo uma trama envolvente, Terra Selvagem é um suspense que irá prender o espectador. No entanto, o filme tem um objetivo ainda maior ao demonstrar o quão brutal pode ser um local abandonado por todos. Sendo o seu final tão melancólico como a realidade vivida por aquelas pessoas. 




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