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Stranger Things 2: De volta a Hawkins e seus mistérios (sem spoiler)


Estamos em 1984 e de volta a cidade interiorana de Hawkins. Um ano após os sinistros acontecimentos, a nova temporada de Stranger Things estreia com a missão de suprir todas as expectativas criadas sobre esta. Mas será que consegue? Minha resposta é sim.

Uma das coisas que sempre ouvi sobre a série é que sua história se agarrava muito a nostalgia dos anos 80 e toda a cultura pop da época, sendo este o grande fator de seu sucesso. Por um lado essa afirmação é verdadeira, a nostalgia é presente dentro do universo - que está ainda mais incrível nesta temporada -, mas não é seu único acerto.

Pensando nisso, a segunda temporada vem para quebrar este paradigma e mostrar que possui uma boa história a ser contada. Ao longo dos nove episódios, os irmãos Duffer fazem questão de expandir o mundo. Sim, aquele fator surpresa não está mais presente, mas ele é substituído por um bom roteiro que se importa em desenvolver seus personagens.

Personagens, esse sim é o grande trunfo de Stranger Things. Por mais que o mundo invertido e seus mistérios sejam extremamente interessantes e foco de curiosidade por parte do espectador, o que seria desta narrativa se não existisse Eleven, Dustin, Will, Lucas, Nancy, Mike, Hopper, Joyce entre tantos outros, para nos conduzir nesta jornada. Detentores de tantas qualidades e imperfeições, eles são correlacionáveis, fazendo com que nós nos identifiquemos com seus arcos. 
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"Ninguém normal jamais realizou nada de significativo neste mundo"
Sendo assim, os primeiros episódios da série trazem a visão destes personagens diante dos eventos ocorridos. Algumas coisas voltaram ao normal, outras foram empurradas para debaixo do tapete, mas feridas não foram curadas e nem os traumas foram esquecidos. Se importando em desenvolver essa perspectiva que cada um ganha ainda mais relevância na narrativa.

Em paralelo, novos membros são introduzidos. Sendo os grandes destaque: Max - cujo o apelido faz uma bonita alegoria ao protagonismo feminino em uma franquia de sucesso - a menina nova na cidade, dona de uma baita personalidade; Bob Newby - o incrível Sean Astin, que é um próprio inception dentro deste universo - um vendedor de aparelhos eletrônicos, com uma personalidade bem amigável; e Murray Bauman, o jornalista e investigador de teorias da conspiração responsável por arrancar boas risadas.

Diante disso, a série não possui um ritmo acelerado como alguns esperam. Isso não é necessariamente um fator ruim, pois a trama é envolvente e prende a nossa atenção. Minha única ressalva fica para o episódio 7, que tem seu contexto, porém destoa diante do restante da história, funcionando mais como um freio para segurar os futuros eventos.

Estabelecido seus personagens, a trama fica solta para trabalhar com todos os perigos que envolve o mundo invertido. Muito mais complexo do que imaginávamos, esse estranho mundo ganha mais corpo nesta temporada, mostrando quão cruel e devastador pode ser.

A ameaça é assustadora
A direção é notável e trabalha muito bem a tensão nos episódios. Desde pequenos detalhes - como o foco na nuca arrepiada de Will - até cenas de ação e maior urgência, são feitas com cuidado e com o objetivo de provocar a imersão do espectador. Parece que estamos diante de um filme que foi dividido em nove partes.

Lógico que toda a ambientação também ajuda nesta imersão. Tanto a iluminação como a paleta de cores não apresenta bruscas mudanças. Cores como o azul, cinza, vermelho e branco predominam em ambos os mundos. Fazendo, na minha opinião, um interessante paralelo entre essas duas realidades, que parecem tão diferentes, mas que são objetos de anseios, dúvidas e medo desses personagens. 

Stranger Things 2 mostra que não precisa se prender a nostalgia para ser um sucesso. Investindo em seus personagens, aprendemos ainda mais a amar esse grupo de misfits que procuram encontrar seu lugar no mundo, ao mesmo tempo, que batalham contra forças misteriosas. 

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