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Crítica: Assassinato no Expresso do Oriente (sem spoilers)


Agatha Christie é uma das maiores autoras da literatura policial. Suas obras são conhecidas por muitos e em algum momento de nossas vidas fomos introduzidos a elas. Pessoalmente, conheci os títulos da escritora através de um trabalho da escola — há anos atrás — e fiquei totalmente contagiada por seus suspenses e mistérios. 

Diante disso, quando soube que uma nova adaptação de Assassinato no Expresso do Oriente chegaria aos cinemas, uma mistura de alegria e dúvida surgiu em mim. Caso não tenham conhecimento, o livro já foi adaptado para os cinemas em 1974 — muito bom por sinal — sendo protagonizado por Albert Finney e dirigido por ninguém menos do que Sidney Lumet (Doze Homens e Uma Sentença). Quarenta e três anos depois estamos diante de um novo projeto e posso dizer com toda a sinceridade que a nova versão vale a pena ser vista nos cinemas.

Bem, e para aqueles que não estão familiarizados com a obra, fique tranquilo porque aqui vai um breve resumo: Após concluir mais um caso, o detetive Hercule Poirot embarca ao Expresso do Oriente com destino à Londres, porém um enigmático assassinato ocorre durante a viagem. Confinado em um pequeno espaço e com inúmeros suspeitos, Poirot terá que solucionar mais um mistério antes que o trem chegue ao seu destino final.



Durante os 114 minutos, o espectador é convidado a adentrar no mundo de Christie e suas incógnitas. No entanto, é preciso avisar, não espere um filme recheado de ação. A produção se foca na construção do mistério e de seus personagens, possuindo assim um ritmo um pouco mais lento do que a maioria está acostumado. É visível uma queda no segundo ato da trama, o que pode causar um certo cansaço ao espectador.

Verdade seja dita é que estamos diante de um filme clássico de detetive, algo que não possui muito espaço na indústria cinematográfica atual. Por isso, a volta de Poirot às telonas é algo extremamente agradável. Interpretado, por Kenneth Branagh, o metódico detetive ganha o público pelo seu carisma e sua personalidade um tanto incomum. Mesmo diante de um elenco recheado de estrelas — impecáveis por sinal —, Branagh se sobressai e consegue ser o condutor desta história. 

Por falar em história, o roteiro de Michael Green é equilibrado e consegue desenvolver os personagens, como também, dar o devido enfoque em cada um deles. Assim como no livro, boa parte da projeção acompanha Poirot interrogando os suspeitos, algo que poderia ser monótono, e acaba ganhando mais dinamismo em tela. Além disso, o roteiro traz uma boa discussão sobre o significado de justiça e de como o mundo não é só preto e branco, mas que há muitas áreas acinzentadas que infelizmente não podem ser submetidas a um simples julgamento objetivo. 



O mesmo pode se dizer da direção — pela qual Branagh também é responsável — ao conseguir criar uma tensão tangível durante boa parte do filme, como também, usufruir de ângulos que brincam com a imaginação do espectador  ao colocá-lo como um passageiro do trem. 

Assassinato no Expresso do Oriente é um bom filme. Apesar de possuir uma queda de em seu segundo ato, a produção consegue trazer para tela uma parcela do imaginário de Agatha Christie ao apresentar uma boa história com personagens bem estruturados. Convidando o espectador a solucionar o mistério, somos constantemente avisados que para que se tenha êxito nessa investigação é importante lembrar o quão perigoso é acreditar nas pessoas.



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