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Crítica: Borg Vs McEnroe (sem spoiler)


Não é de hoje que a indústria cinematográfica gosta de adaptar eventos esportivos que marcaram uma geração ou época. Em Borg Vs McEnroe — que estreia amanhã, dia 09 de novembro, nos cinemas — somos transportados para Wimbledon, de 1980. Cenário responsável por sediar a Partida de Tênis do Século, onde os dois grandes nomes do esporte, Bjorn Borg e John McEnroe, se enfrentaram em uma acirrada final.

Escolhido para abrir o Festival de Toronto deste ano, o filme do diretor Janus Metz, traz uma nova perspectiva sobre a partida.
Focando nas adversidades de seus protagonistas, vemos um filme que vai além das quadras e mostra o caos interior vivido por esses atletas. 

Se de um lado temos o frio e pragmático Borg, que chega ao campeonato para conquistar seu quinto título, do outro há o novato e impetuoso McEnroe. Jovens, talentosos e constante alvo dos holofotes, essas duas figuras com personalidades tão distintas são o grande destaque do roteiro de Ronnie Sandahl


Demonstrando o desgaste físico e emocional, o roteiro trabalha de maneira linear, o arco dos seus personagens. Ficando claro que, apesar de ser o oposto um do outro, somente ambos compreendiam a pressão, dúvidas e dificuldades que estavam passando. Amigos ou rivais, a relação sempre foi alvo de constante fascínio das pessoas.

Por óbvio, também não posso deixar de mencionar os intérpretes desses dois grandes atletas. Sverrir Gudnason e Shia LaBeouf fazem um belíssimo trabalho. O primeiro demonstra toda a paralisia diante de uma possível falha, mostrando um homem que prende suas emoções, já que as considera um ponto fraco. Já Shia é brutal, sendo a meu ver, o grande destaque da produção. Há algum tempo que não via o ator em cena e foi uma grata surpresa. Ele consegue mostrar tanto o lado caótico quanto o inseguro, de McEnroe, de maneira orgânica e sublime.

No fim são dois personagens altamente correlacionáveis, pelo qual o público consegue criar vínculo e se importar com a jornada pessoal de cada um.


Essa imersão é aprofundada por Metz, ao colocar o espectador como uma figura onipresente nos respectivos arcos de seus protagonistas. Alternando bem entre closes, demonstrando toda a tempestade interna vivida pelos atletas — o que chega a ser um pouco claustrofóbico —, com planos abertos e tomadas áreas, assinalando toda a grandiosidade do evento que os esperava fora do vestiário. No entanto, confesso que toda a tensão que é construída ao longo do filme, esfria durante o confronto final, tornando o embate um pouco morno. 

Borg Vs McEnroe, não será o último filme que veremos sobre grandes nomes do mundo esportivo e seus grandes feitos. Contudo, apostando em uma visão mais pessoal acerca do evento, o filme consegue desmistificar a figura de duas lendas e mostrar os homens por trás delas. Com seus defeitos, inseguranças e conquistas, ficamos diante de uma história entre dois talentos que buscam um mesmo objetivo. Sendo o espectador convidado a fazer parte desta jornada.



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