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Crítica: Deserto


Deserto traz a história de Moises (Gael Garcia Bernal) e Adela (Alondra Hidalgo) que estão em um grupo de imigrantes que fogem para os Estados Unidos através do deserto de Sonoran, mas algo acontece durante o percurso, obrigando-os a continuar o percurso a pé sob uma temperatura de 120 graus até conseguirem atravessar a fronteira EUA-México. O grupo em que estão continua seguindo em direção norte adentro do país, mas logo são encontrados por Sam (Jeffrey Dean Morgan) que está dirigindo um caminhão de recolhimento com uma bandeira rebelde, um personagem xenofóbico que acompanhado de seu rifle, seu whisky e seu cachorro de caça Tracker, não permite de forma alguma que mexicanos ilegais ultrapassem a fronteira.


Todos os anos, milhares de mexicanos atravessam a fronteira dos Estados Unidos – na maioria das vezes, ilegalmente – por razões distintas, sejam elas para escapar da violência causada pelos cartéis de drogas no México que criam atentados violentos em ambos os lados da fronteira ou pela vontade de ter uma vida melhor. Nas duas últimas décadas, o perigo de fazer essa travessia foi aumentando cada vez mais. E devido atual a condição política dos Estados Unidos, podemos dizer que o filme não poderia ter vindo em melhor hora. O filme deixa bem claro o ponto de vista do diretor sobre o assunto e não temos dúvidas para acreditar que as situações apresentadas podem realmente ter acontecido de verdade e foram silenciadas pela mídia.

Infelizmente, Deserto é um filme difícil de assistir. O roteiro é preguiçoso e mesmo trazendo uma ideia promissora e importante, a narrativa é totalmente desperdiçada. Não temos uma explicação ou uma motivação de porque o vilão saí matando todos os mexicanos, ele é apenas racista e ruim. Também não temos uma história interessante por trás de alguns dos ilegais que estão tentando chegar em solo americano. Não conseguimos ter nenhuma conexão emocional com nenhum desses personagens. Quando alguns deles são mortos acaba sendo insignificante (mesmo sabendo o motivo da abordagem), não nos emocionamos nem nada. Os acontecimentos se repetem da mesma forma durante a maior parte da história e também no final, temos apenas um filme de conceito. As sequências de perseguição também deixam muito a desejar. Para salvar, o design de som consegue deixar o filme com um suspense mais intenso e a fotografia lembra muito os clássicos westerns.



O filme está em espanhol na sua maior parte, mantendo o idioma natural da maioria dos atores. Com uma mistura de atores experientes com atores inexperientes, o destaque fica para Jeffrey Dean Morgan, que está numa performance assustadora, quase no mesmo nível de seu papel de Negan em The Walking Dead, tirando a parte de que na série temos um motivo por trás de suas intenções.

Deserto estreou dia 2 de novembro aqui no Brasil e foi dirigido por Jonás Cuarón, filho de Alfonso Cuarón (o vencedor do Oscar de melhor diretor pelo filme Gravidade) que também escreveu e produziu o filme. Não me espanta o fato de o filme ter passado em vários festivais.

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