Swift

Crítica: A Vilã (sem spoilers)


Caso você não tenha familiaridade com o cinema coreano, o filme A Vilã pode ser um ótimo cartão de boas-vindas para essa indústria cinematográfica que guarda verdadeiras joias. Dirigido por Jung Byung-gil (Confissões de um Assassinato), a produção que arrancou aplausos em Cannes, estreia hoje nos cinemas brasileiros.

Misturando diversos gêneros que vão de ação até o famoso melodrama que encontramos nos doramas (novelas coreanas), A Vilã é um filme de vingança bem envolvente. Apesar de possuir alguns clichês, a construção dos seus personagens é interessante, assim como seus arcos. Possuindo uma trama não linear - o que ás vezes pode confundir o espectador ao longo das duas horas e nove minutos de filme - voltamos entre o presente e o passado da protagonista.



Aliás, antes de começar a revelar minha opinião sobre o filme, aqui vai uma pequena sinopse sobre sua trama: Sook-hee (Kim Ok-Bin) presencia o assassinato de seu pai quando criança e acaba se tornando uma assassina sanguinária em busca de vingança. Contudo, diante de certas circunstâncias, esta é recrutada pela Agência de Inteligência coreana para se tornar uma agente secreta e receber uma segunda chance na vida.

Num primeiro momento, o filme pode parecer o mais do mesmo. No entanto, o diretor Jung Byung-gil - que trabalhou inicialmente na indústria como dublê - traz cenas de ação muito bem dirigidas e cheias de homenagens. Posso dizer, que a cena de abertura desse filme é belíssima e uma clara homenagem a Oldboy. Filmada toda em primeira pessoa, o que fez me lembrar ainda de Hardcore: Missão Extrema, e até mesmo de games FPS, o tom do filme é imposto logo em seu início. Prepare-se para bastante violência.



O diretor brinca conosco, intercalando o frenesi com cenas de completo silêncio e contemplação. A constante mudança de ritmo até o seu segundo ato não prejudica o filme, é bem pensada e ajuda a equilibrar tanto as cenas de ação como as de desenvolvimento de personagem. Por óbvio, a suspensão de descrença terá que ser utilizada algumas vezes para justificar algumas ações e falhas no roteiro, mas nada que prejudique ou tire a imersão do espectador.

Outro fator que gostei muito foi o fato de Sook-hee ser uma arma letal que não é impenetrável. Ela possui falhas e medos, sendo a todo momento mostrada sua dualidade. Uma personagem acinzentada, que num momento inicial se mostra bem misteriosa mas que ao longo da trama vai desabrochando de forma que traços de sua personalidade sejam revelados e um vínculo seja criado entre público e protagonista. 


Por falar em protagonista, Ok-Bin é perfeita para o papel. Tendo estudado artes-marciais antes de se tornar atriz, está convence como essa mulher dividida entre a sede de vingança e que ao mesmo tempo anseia por uma vida normal. Podem até existir comparações de sua personagem a outras tão famosas como vistas em Atômica ou Nikita, contudo creio que a atriz conseguiu criar traços únicos para Sook-hee.  Outros que merecem destaque são os atores Shin Ha-kyun e Sung Joon, dois personagens completamente opostos que possuem grande importância a trama.

No geral, A Vilã é um ótimo filme. Utilizando a vingança como o fio condutor da trama, a produção é um entretenimento garantido. Focando no desenvolvimento de seus personagens e nas cenas de ação, algumas falhas de roteiro podem ser deixadas de lado, para que você possa aproveitar essa experiência.




LEIA TAMBÉM