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Resenha: Boneco de Neve


Não é novidade que eu sou apaixonado por literatura policial. Fã de carteirinha de Sherlock Holmes e da rainha do crime — Agatha Christie. Até que há uns quatro anos que eu fui atraído por um outro cara que manda muito bem nesse gênero, que me conquista pelas investigações dos casos! O nome dele? Jo Nesbø!

Eu conheci a escrita de Nesbø através de “Boneco de Neve", que prometia sangue, assassinatos, investigações, mais sangue e aquele clima macabro de suspense. Embora nunca tivesse lido nenhuma obra do escritor, comprei o livro no lançamento, paguei caro, mas não me arrependi.

Talvez você esteja questionando o motivo de eu só trazer essa resenha agora, mas eu explico! A adaptação de “Boneco de Neve” para o cinema, estreia nessa semana, aqui no Brasil. Então se você ainda não leu, mas quer ficar um pouco por dentro da história, antes de assistir ao filme, me acompanhe!

Boneco de Neve é o sétimo livro, com o sétimo caso a ser investigado pelo detetive Harry Hole, mas isso não chega a ser um problema, uma vez que cada livro se fecha e conta um caso diferente, então podem ser lidos fora de ordem. Algumas coisas da vida de Harry persistem entre as narrativas, mas nada que seja spoiler ou que fique aberto entre um livro e outro.

A narrativa começa um pouco lenta, enquanto o autor monta o cenário do banho de sangue, com os personagens e locais, mas nada que seja visto como uma falha, pelo contrário, isso é necessário e bastante comum em livros do gênero. Quem curte, já está bastante acostumado com as introduções.

Depois que as peças já estão em jogo, o livro ganha um ótimo fôlego, quando o Boneco de Neve finalmente começa a agir e os assassinatos começam a ser investigados por Hole.

Para quem começou por “Boneco de Neve”, talvez estranhe um pouco e até mesmo sinta certa dificuldade de identificar os personagens, porque Nesbø ora os trata pelo nome e ora pelo sobrenome, e ambos costumam ser bastante incomuns para a maioria dos leitores. A narrativa se passa na Noruega — terra natal do autor —, então os nomes são noruegueses. Mas nada que seja um ponto negativo para o livro.

Outra coisa que pode ser estranha em um primeiro momento, é que Jo às vezes começa a descrever uma cena totalmente aleatória sobre algo que acontecerá em algum capítulo mais à frente, e que o leitor não faz ideia de onde está se passando ou que personagem é aquele. Parece um tanto confuso, mas apenas prossiga na leitura que tudo vai se encaixar.

Os crimes são bastante diferenciados do que já estamos acostumados a ler, então isso é mais um ponto positivo para o autor, bem como a inteligência por trás das cenas dos assassinatos, que por muitas vezes me fizeram parar e pensar em "N" possibilidades do que poderia ocorrer.

Eu realmente adoro os pontos em que Nesbø desconstrói as minhas teorias e me surpreende. Eu gosto de queimar alguns neurônios para desenvolver as possibilidades, mas o que me incomoda mesmo é quando ele resolve usar a confusão invés da surpresa.
Em alguns pontos o autor prefere não deixar a gente entender a situação, para não solucionarmos o caso, invés de nos enganar e nos fazer pensar por um rumo diferente. Parece que ele tem um pouco de preguiça e acaba perdendo a linha de inteligência e caindo na linha de confusão.

Um outro ponto que me incomodou em “Boneco de Neve” foi que eu descobri quem era o assassino bem antes do final do livro. Não posso falar mais sobre isso, porque essa afirmação já foi um tantinho de spoiler. Contudo, a construção dos crimes é bem intrigante e o clima da narrativa é intenso, fazendo o leitor sentir a psicose e a frieza do assassino, e as sacadas inteligentes de Nesbø nos fazem perdoar as demais possíveis falhas mencionadas.

O final, ah, o final... digno de um filme de terror! A última página do livro é de tirar o sono, de te fazer roer todas as unhas e de xingar Jo Nesbø pro resto da vida. Como ele pode fazer isso com o leitor? Eu achei uma maldade, e espero que vocês leiam e voltem aqui para me contar se também acharam que foi uma malvadeza do autor.



Título: Boneco de Neve (Harry Hole #7)
AutorJo Nesbø
EditoraRecord (2013)

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