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Crítica: Roda Gigante (sem spoiler)


Woody Allen com toda a certeza é um dos diretores mais ativos de Hollywood, pelo menos nos últimos 60 anos. Realizando um filme por ano, atualmente também decidiu se aventurar pelo mundo da TV com a série Crisis in Six Scenes. Sempre que lembramos da frase mostrada no começo de seus filmes e até em anúncios, "Escrito e dirigido por Woody Allen", já sentimos um quentinho no coração e, mesmo que às vezes a história acabe mostrando algo repetido de outras obras, ele sempre consegue fazer com que o público mergulhe em sua narrativa.

Em Roda Gigante, mesmo com um roteiro muito bom, temos um fator que se destaca de tudo: a atuação maravilhosa e sem igual de Kate Winslet.


Muitas atrizes já conquistaram uma estatueta por papéis em filmes de Allen, talvez esse ano seja o de Winslet conseguir o mesmo. A atriz interpreta Ginny, uma ex-atriz que após seu fracasso no mundo da atuação trabalha como garçonete na região de Coney Island, praia que fica no Brooklyn, em Nova York.

Ela vive com seu segundo marido, que trabalha como operador do carrossel (James Belushi) e seu filho do primeiro casamento, e todos acabam tendo sua rotina modificada após a chegada de Carolina (Juno Temple), filha do primeiro casamento de seu marido. A jovem não tem contato com seu pai há cinco anos, mas precisa de abrigo depois de fugir de seu esposo chefe da máfia.

A trama toda é narrada por Mickey (Justin Timberlake), o salva-vidas da praia local, que durante o verão acaba se envolvendo com Ginny e se interessando por Carolina. O cantor interpreta o famoso arquétipo de Woody Allen, o sujeito fracassado que sonha com o sucesso se tornando um grande poeta ou escritor conhecido. Logo de início, já é dito por Mickey que este valoriza mais o melodrama do que os personagens, fazendo com que o espectador entenda as intenções do nosso narrador, ao deixar claro que prefere conhecer mais as histórias do que os personagens.

A fotografia do filme é aquela já esperada por Allen, sempre da melhor qualidade possível, com belas cores e cenas com grandes significados. Vittorio Storaro que trabalhou com Allen em Café Society retornou e foi ainda mais além em Roda Gigante. A fotografia do filme não é só algo estético, mas ajuda a contar a história e dar sentimentos para os personagens e suas cenas. Em muitos momentos, quando temos Ginny falando sobre Mickeyem seguida sobre seu marido, vemos a mudança de cor em tela, sendo está usada como uma fonte para externar todo o sentimento dos personagens.


Filmes produzidos pela Amazon andam fazendo sucesso e, com toda certeza, isso também fez uma grande diferença para a liberdade criativa do diretor, ao entregar uma história que fará você se apaixonar pelos personagens, cores, música e grandes reviravoltas.

Roda Gigante nos apresenta uma trama simples, valorizando as boas atuações e mesclando muito bem o humor e o drama, com toda certeza é um filme que deixará os fãs de Woody Allen muito felizes. Será impossível não sair encantado da sala de cinema com a atuação magnífica de Kate Winslet que mostra como as emoções podem realmente funcionar como uma roda gigante.




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