Swift

Resenha: Um Tom Mais Escuro de Magia


Uma das autoras internacionais mais populares de 2017 foi Victoria Schwab, que também veio à Bienal Internacional do Livro, que aconteceu aqui no Rio de Janeiro há dois meses.

Eu já havia ouvido falar muito bem de Schwab e fiquei muito interessado pela história de "Um Tom Mais Escuro de Magia", até que em nossa visita ao Grupo Editorial Record, recebemos um exemplar — tema da nossa transmissão de hoje!

Acredito que todo mundo conheça uma Londres, mas Victoria nos apresentará mais três versões da capital inglesa. Assim como indicado na capa do livro, há uma Londres Branca, outra Londres Cinza, uma outra Londres Vermelha e também uma Londres Preta, onde vivem os protagonistas da história, separadas por dimensões diferentes. Dentre eles há Kell, um dos últimos Viajantes que podem transitar entre a magia das cidades.

Até que um dia, em sua mania de colecionar itens das quatro Londres, o Antari — nome dado aos humanos que podem usar magia, como Kell — se depara com um objeto misterioso. Daí em diante, sua vida corre perigo. Na verdade, a vida de todo o mundo passa a correr perigo. Como não ser atraído por essa história?

Aventura, muita magia, muita ação, suspense e mistérios recheiam as páginas desse primeiro volume da série "Tons de Magia".

A história é narrada em terceira pessoa, o que achei ideal para poder descrever melhor tantos cenários — que são muito ricos — e personagens. Acredito que faltariam detalhes coerentes para explicar características de cada cidade — que são bem diferentes uma da outra — caso isso não fosse feito por um personagem próprio de cada local e que fosse um tanto onisciente. E fique tranquilo, porque Victoria explica tudo o que precisamos saber.

Embora possa parecer um universo muito grande e complexo para ser compreendido, a autora nos trará as descrições nos momentos ideais, o que também explica a quantidade de páginas um pouco acima da média. Além disso, para quem está acostumado com livros de fantasia, rapidamente conseguirá interpretar e criar uma imagem de cada Londres.

Kell tem uma responsabilidade muito grande, diante do seu cargo, mas eu fiquei um tanto incomodado com a indiferença do personagem em determinadas situações e circunstâncias. Me pareceu o tempo todo que ele não se importava o tanto que deveria se importar diante de certas urgências. Confesso que gostei muito mais de Lila, que talvez devesse ser uma personagem menos interessante — por ser humana e sem tantas habilidades legais.

Outra coisa que me incomodou um pouco foi a falta de conexão entre os personagens das Londres, deixou um clima ameno, que deveria ser mais intenso devido ao perigo apresentado pela narrativa.

Mesmo com esses incômodos, o livro possui mais qualidades do que defeitos e uma outra que eu gostaria de destacar é a falta de romance! Sim, eu não sou fã do casalzinho protagonista que supera tudo com o amor. Tampouco de triângulos ou outras possíveis amorosas figuras geométricas que o romance possa assumir. Então se você pensou que Lila e Kell formarão um par romântico, pode largar de mão esses coraçõezinhos todos, o foco da história — ainda bem — não é afetado por dilemas de amor.

"— O amor não nos impede de congelar até a morte, Kell — continuou ela. — Ou de passar fome, ou de ser esfaqueada por causa do dinheiro em seu bolso. O amor não nos compra nada, então fique feliz pelo que você tem e por quem tem, porque você pode até querer coisas, mas não precisa delas."

Victoria nos entregou uma narrativa com um ótimo ritmo e com elementos bastante distintos do clichê fantástico, que promete se desenvolver muito bem. Estou ansioso para próximo volume — que já foi lançado no mês de agosto — e espero que a história siga o rumo do sucesso, mantendo as mesmas qualidades presentes em "Um Tom Mais Escuro de Magia".

Em breve voltaremos por aqui com a resenha de "Um Encontro de Sombras", então fique ligado na nossa transmissão! Câmbio, desliga.


Título: Um Tom Mais Escuro de Magia (Tons de Magia #1)
AutorVictoria E. Schwab
EditoraRecord (2016)

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