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Crítica: A Forma da Água (sem spoiler)


A Bela e a Fera - clássico da Disneyconta a história de uma bela jovem que após salvar seu pai das garras da Fera acaba se apaixonando por está e assim quebrando uma maldição antiga que recai sobre a criatura. Possuindo uma atmosfera que pode relembrar alguns traços do conhecido conto de fadas em A Forma da Água vemos que Del Toro sabe contar uma história semelhante de uma maneira ainda mais humana.

Com uma narrativa menos ingênua, mas ainda em seu contexto romântico, acompanhamos Elisa (Sally Hawkins), uma faxineira noturna de um laboratório do governo dos EUA, que por conta de ferimentos em suas cordas vocais perdeu a fala. Se comunicando apenas por gestos a personagem acaba criando vínculo com uma criatura (Doug Jones), trazida da América do Sul, pelo agente Strickland (Michael Shannon). Mas em uma das madrugadas ela decide querer descobrir mais sobre está, onde acabam se apaixonando.


Um conto de fadas não reprimido, onde a bela não é perfeita, a fera não precisa reverter o feitiço e o vilão não apresenta qualquer tipo de limitação para destruir esse amor "proibido" - e é onde vemos toda a avareza e arrogância de Strickland -. Tudo isso rodeado pelo clima obscuro já característico de del Toro.

Inclusive a parceria de Del Toro com Vanessa Taylor no roteiro diz muito sobre a história e a criação de seus personagens, trazendo um equilíbrio - seja com Giles (Richard Jenkins), o vizinho ilustrador, amante de tortas de limão e melhor amigo de Elisa; Zelda (Octavia Spencer), a amiga que adora falar durante seus turnos e também protetora; e Hoffstettler (Michael Stuhlbarg), o homem da ciência que se encontra preso nesse mundo político.



Contudo, mesmo com ótimas atuações, a direção incrível de Del Toro e a trilha sonora perfeita de Alexandre Desplat, ainda  há escolhas que  particularmente me incomodam.  Como o fato de ser sempre dado a Octavia - que poderia ser muito mais explorada - o papel de alivio cômico no meio do drama e alguns detalhes que podem acabar sendo previsíveis. No entanto, essas são considerações pessoais e que para ser sincera não afetam a trama em si. E com todos esses elementos se encaixando e não sendo um grande quebra-cabeça confuso, o telespectador consegue mergulhar na história e se colocar no lugar de Elisa.

Guillermo del Toro em A Forma da Água não faz só um filme, mas uma grande declaração de amor aos seus monstros. Mudando todo aquele conto de fadas por algo totalmente diferente e com mais alma, mostrando que para criar uma história nas telas deve existir muito amor por aquele mundo.




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