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Crítica - Maze Runner: A Cura Mortal (sem spoilers)


A franquia Maze Runner foi lançada em uma época que filmes sobre sociedades distópicas eram lançados nos cinemas e acompanhados com muita empolgação. Caso de Jogos Vorazes e Divergente. Focados em um público teen ávido por histórias fantasiosas e cheias de reviravoltas, logo se tornou sucesso de público. 

Passados dois filmes com ótimo retorno de bilheteria, estréia nos cinemas Maze Runner: A Cura Mortal, produção que encerra a trilogia que se iniciou com os garotos correndo por um misterioso labirinto em busca de uma saída, e continuou com eles correndo do sistema que os havia prendido ali por algum motivo. 

Cura Mortal é um filme pipoca básico que tenta fechar a trilogia a todo o custo. Ele é longo e cheio de cenas desnecessárias. Principalmente na primeira meia hora em que o diretor perde tempo apresentando todos os personagens que já foram vistos nas outras duas produções. Sem dizer, a enrolação ao enviar Thomas (Dylan O'Brien) na jornada para encontrar seu amigo.


O primeiro ato é bastante longo e poderia ter sido menor para que a conclusão não precisasse ser corrida. Estamos diante de um filme longo, mal trabalhado e sem respostas para algumas perguntas. Alguns temas são jogados, mas não chegam a ser debatidos, prejudicando a história já que estes possuem certa importância para a narrativa. 

A começar pela cura que dá nome a produção. Ela nem sequer é aprofundada. Há apenas cenas mostrando o tal soro sendo usado e como este era extraído em experiências feitas em Minho (Ki Hong Lee) e outros garotos. Não explicando o que é a experiência nem como o soro é retirado. E se há uma cura é porque existe uma doença. Outro elemento que não foi discutido e que o roteiro nem se preocupou em responder, ficando o foco totalmente voltado a ação.

Por falar em ação, este é o ponto forte do filme. Há inúmeras cenas e de todos os tipos para os fãs do gênero se esbaldarem. A primeira seqüência em que correm atrás do trem é muito bem dirigida, e lembra em alguns momentos Mad Max: Estrada da FúriaAcontece que tais partes acontecem com certa frequência e com tomadas longas, como a última meia hora em que a ação predomina. Tais decisões tomaram grande parte do tempo do que poderia estar sendo usado para discutir algo mais importante e relevante para a história. 



Wes Ball parece ter aprendido com os erros passados e depois de dirigir os dois filmes anteriores conseguiu amarrar uma história que até então não tinha um final que parecia se definir. Até quase o fim da projeção não dava para saber o que iria ocorrer. Esse mistério segurou a atenção para que o público acompanhasse o desfecho de todo o grupo. 


Dylan O'Brien (O Assassino: O Primeiro Alvo) e Kaya Scodelario (Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar) estão bem interpretando a dupla de protagonistas Teresa e Thomas. A personagem de Kaya não é das melhores, as vezes parece que é vilã outros momentos parece ser a mocinha. A sua decisão em encontrar a cura a qualquer custo leva com que muitas pessoas se machuquem. Ao longo de toda franquia Teresa não teve um desenvolvimento que a fizesse se destacar como protagonista. No livro houve um trabalho melhor de desenvolvimento da personagem, algo não encontrado no filme

Já Dylan vem mostrando que amadurece. Se em Correr ou Morrer sua interpretação era cansativa agora o podemos ver com mais confiança e engolindo seus companheiros na atuação quando estão juntos em cena.


O elenco secundário não tem muito destaque, mas é tão importante quanto o elenco principal. Barry Pepper, Giancarlo Esposito acrescentam experiência e tem certa importância para o desenvolvimento do longa. Já Aidan Gillen que interpreta o antagonista Janson - e assim como ocorre em Game Of Thrones (HBO) - fica com a missão de impulsionar a história com sua busca incansável por Thomas. 

Maze Runner: A Cura Mortal é um filme de ação esquecível e com falhas de narrativa. Não apenas pela história mal desenvolvida, mas por não dar algo a mais ao público. Algo que se encontra na franquia Jogos Vorazes. Katniss tinha uma motivação muito maior para lutar contra o sistema que a encontrada por Thomas. O filme estreia dia 25 de janeiro nos cinemas.


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