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Crítica: Sem Fôlego (Sem Spoiler)


Todd Haynes sempre se mostrou um diretor muito inquieto e criativo com suas produções, mostrando que sabe arriscar na hora de fazer seus filmes – como foi com Não Estou Lá e Velvet Goldmine. Mas em seu novo trabalho, Sem Fôlego, apresenta algo diferente para o publico já que veste a imagem de uma fábula infantil, mas que foi reinventada para as telas de uma forma mais profunda, fazendo uma homenagem ao cinema e suas linguagens.

No longa acompanhamos duas realidades em paralelo; O jovem Ben (Oakes Fegley) que é atingido por um raio que cai em sua casa, em 1977. E a garota (Millicent Simmonds) que foge de casa em busca de sua mãe, uma atriz consagrada, em 1927. E é dessa forma contada que Haynes consegue criar uma narrativa cada vez mais significativa sem diálogos.
  
O diretor usa a fonte do cinema mudo como sua inspiração, construindo aos poucos uma linguagem visual de outro mundo, com uma fotografia variando entre o colorido e o preto/branco, e onde os cortes da edição são bem sincronizados, fazendo com que as duas histórias caminhem no mesmo ritmo junto da trilha sonora composta por Carter Berwell - que traz a representação de cada época nas canções, principalmente quando temos “Space Oddity”, de David Bowie

Mesmo que seja contada de uma forma excelente, a história em si acaba ficando em segundo plano. Temos uma bela recriação dos anos 70 e 20, sendo demonstrado de forma estética na ambientação. No entanto, a produção acaba se afastando de modelos diferentes de filmes anteriores, puxando agora para o lado mais casual, fazendo apenas com que o final tenha algo mais “diferentão”, principalmente na mudança das artes.

As crianças são de fato as grandes estrelas do filme, tendo junto delas uma pequena participação de Michelle Williams e também de Julianne Moore, que possui uma importância gigantesca na narrativa, mas que não podemos entrar em detalhes por motivos de spoilers.

Sem Fôlego mesmo que saiba transpor a linguagem do cinema com crianças de forma genuína, acaba se perdendo na construção de sua narrativa em alguns momentos, enquanto no quesito técnico demonstra uma qualidade excepcional.




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