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Resenha: Como Eu Imagino Você


É fato de que alguns livros nos ganham pela capa, certo? Foi assim que “Como Eu Imagino Você” me conquistou a pegá-lo — embora a capa tenha um toque “feminino”, ainda é muito bonita —, para então terminar de me ganhar com sua promessa: um amor que precisará ser enxergado muito além do que os nossos olhos podem proporcionar.

Aqui nós temos uma Helena que possui um problema de visão, e um floricultor boy magya que não é do tipo musculoso, mas é do tipo romântico-sensível-perfeitinho. Temos um melhor amigo bonitão e que faz o tipo protetor, tudo isso se passando em Porto Tempestade, e eu espero que essa seja uma referência à Flap Jack — por favor, Guerra, diz que é! No final das contas, acho que é um livro para meninas, mas eu leio muitos “livros de menina”, então isso não me incomodou.

A história começou bem interessante e eu estava gostando do romance bobinho e aconchegante, uma ótima leitura daquelas que tiram a gente da ressaca. De vez em quando eu gosto de pegar e ler um desses romances que têm elementos diferentes e de ver como os escritores imaginam as histórias de amor — já que eu sou um solteirão e não sei o que é amar.

Sentiram o dramalhão na última frase acima? Então, foi proposital, é aí que Pedro começa a me desagradar. A história começa a ganhar uma carga muito grande de drama — e isso me irrita. Helena tem o problema de visão, mas consegue enxergar com esforço e ajuda de alguns itens, mas ela faz o drama de que nunca saberá como é o rosto do seu melhor amigo, que não consegue enxergá-lo há mais de dez anos. Ela faz o drama de que não saberá como ela é… Daí eu fico me perguntando porque ela não usa seus métodos para enxergar o que ela quer… já que não chega a ser impossível. Isso irrita.

Outro ponto que me desagradou foi a inserção de esoterismo e misticismo para alimentar a história. Eu não gosto disso e tampouco de signos, então talvez esses não sejam, necessariamente, pontos negativos, mas pra mim foram bastante desnecessários. Acho que foi uma forçação de barra.

"Depois de tantos tropeços, entendi que nós somos responsáveis pelos nossos próprios medos."

O livro é bem curto e a narrativa é bem leve, algo para se ler em algumas horas. O final tem uma pequena reviravolta que desperta um pouco de curiosidade, mas nada exagerado. A ideia é legal, mas penso que Pedro poderia ter escolhido um outro rumo para a história,  eu esperava algo diferente e mais construído. Não sei se era essa a intenção de público alvo, mas é uma ótima escolha de leitura para garotas adolescentes.


Título: Como Eu Imagino Você
AutorPedro Guerra
EditoraGutenberg (2017)

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