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Resenha: Todas As Garotas Desaparecidas


O Grupo Editorial Record tem apoiado e reconhecido bastante o nosso trabalho, então antes de tudo eu quero agradecê-los, galáxia afora! Em um evento da Aliança de Blogueiros do RJ, recebemos um de seus lançamentos recentes — “Todas as Garotas Desaparecidas”, que veio pelo selo da Verus.

Quando eu olhei pra essa capa, confesso que julguei ser um “livro de menininha”, mas a promessa era de um thriller e eu não resisto à tentação de thriller, né?! Então lá fui eu sem expectativas para embarcar na roda gigante de Megan Miranda — Eu preciso destacar que sempre achei rodas gigantes com um toque macabro e sobrenatural.

A história é sobre Nic, uma mulher que aparenta uma vida regular e muito boa, morando na Filadélfia com seu marido. Até que ela é convidada por seu irmão, a retornar à Carolina do Norte, onde passou a maior e pior parte de sua vida, para ajudá-lo a vender a casa que pertencia a seu pai.

Nic tinha um grupo de amigos — um tanto estranhos — quando era adolescente em Cooley Ridge, quando em um dia comum, uma de suas amigas mais próximas simplesmente desaparece e todos se tornam suspeitos. Um caso que nunca foi resolvido e que Nic apenas saiu da mira de suspeitos devido à uma vizinha — Annaleise.

Não bastasse todas as memórias ruins que o retorno a Cooley Ridge estava revivendo em Nic, Annaleise está tendo um relacionamento com Tyler, seu ex-namorado da época em que era adolescente — não que o relacionamento deles seja algo ruim, mas devido às lembranças do desaparecimento de Corinne. Para piorar ainda mais as coisas, agora é Annaleise que desaparece sem deixar rastros, quando Nic chega na cidade.

"Preciso falar com você. Aquela garota. Eu vi aquela garota."

Não posso contar mais sobre a história, por motivos de fatos muito sensíveis e que eu poderia soltar um spoiler sem querer. Mas temos muitas outras coisas para comentar sobre o livro. Em primeiro lugar, a construção da narrativa, porque eu fiquei com muito medo, mas extremamente encantado por Megan arriscar em escrever um suspense psicológico de trás pra frente. Sim, “Todas as Garotas Desaparecidas” é dividido em três partes e o core é contato em ordem reversa, durando quinze dias! O que gera, sim, um desconforto inicial e um pouco de confusão ao leitor em alguns trechos e pecando em alguns pontos, mas a dica é seguir em frente que as coisas vão se encaixando. Eu não consigo me lembrar de nenhum outro livro do gênero, que eu tenha lido, e que tenha uma narrativa nessa ordem. Parabéns para a autora.

Os personagens. Se tem algo que eu critico muito em literatura policial e thriller, é a construção dos personagens. Todos precisam ter personalidade e características muito bem construídas, e aqui vai mais um ponto positivo para o livro. Não temos muitos personagens, mas todos são bem construídos, fazendo com que os leitores imaginem o que cada um faria em determinada situação e crie suposições para os suspeitos da trama. É impossível não imergir na história.

Todas as Garotas Desaparecidas” é um livro de tamanho médio, mas que é muito confortável de ler, além do ritmo de suspense que acaba tornando a leitura muito rápida. Trabalhando em cima da ansiedade do leitor e da expectativa de resolução da trama, o livro também é perfeito para curar aquela ressaca literária e dar um plot twist nos gêneros corriqueiros que sempre lemos.



Título: Todas As Garotas Desaparecidas
AutorMegan Miranda
EditoraVerus (2017)

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