Swift

Crítica: Eu, Tonya (sem spoilers)

 
Muitos longas baseados em fatos reais sempre mostram para o público uma grande lição de vida, mas a história de Tonya Harding é bem diferente disso tudo. A primeira patinadora a conseguir um triplo excel, indo para sua segunda olimpíada e acusada de mandar quebrar o joelho de sua concorrente e companheira de equipe, Nancy Kerrigan. Tornando-se uma das maiores "vilãs" do esporte como retratado pela mídia. 

Em Eu, Tonya  a história é contada pela perspectiva de Harding, tendo o diretor Craig Gillespie e o roteirista Steven Rogers, usado a fonte de ensinamento de outros diretores para contar uma história onde sempre temos uma visão de empatia, mas nunca condescendente em relação a personagem central e os envolvidos. Sempre entrando em contradição, manipulando acontecimentos e mostrando as péssimas decisões tomadas ao longo da vida vemos como um ato pode definir toda a sua vida.


Sendo contado em forma de depoimentos por Tonya (Margot Robbie), seu marido Jeff Gillooly (Sebastian Stan), a mãe LaVona Golden (Allison Janney), o “segurança” Shawn Eckhardt (Paul Walter Hauser), e ainda outros, vemos que a história de Harding foi um grande espetáculo para a mídia.

As tiradas irônicas, a trilha sonora dos anos 90 e as frases de impacto são detalhes que fazem com que você não pare de pensar no filme após a sessão, já que a forma como é contada – ocorrendo inclusive a quebra da quarta parede – faz com que o público manifeste infinitas emoções durante a projeção, causando sentimentos conflitantes em relação a protagonista. Mostrando todo o peso por traz da frase que deu impacto na vida desta:“Os EUA querem alguém para amar...e também odiar”. 


Robbie mostra grande desempenho no papel de Tonya, mas quem realmente ganha destaque é Janney como LaVona, que consegue trazer um alivio cômico e ao mesmo tempo ser a hostil figura maternal que causou tanto impacto em Tonya, principalmente quando aquela que te deu a luz, te ama tanto a ponto de “amaldiçoar” sua vida.

Eu, Tonya não é uma cinebiografia convencional, principalmente pelo fato de Gillespie encontrar a forma perfeita de narrar o imperfeito. E como é dito por Tonya; “Cada um tem a sua verdade, e essa é a minha”.




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