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Crítica: Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississippi


Se há uma região americana que hora ou outra aparece em uma produção cinematográfica essa é o Mississipi. Uma cidade com bastante história e que é muito marcada por ser o berço da Klu Klux Klan e pelos ataques realizados contra negros. Geralmente, tais atos são mostrados com extrema violência e crueldade. Mudbound - Lágrimas Sobre o Mississippi que estréia dia 15 de fevereiro é uma nova produção que promete tocar no tão delicado tema do racismo, e que já foi que foi abordado em muitos outros filmes como Mississipi em Chamas e Histórias Cruzadas. Longa é uma adaptação do livro da escritora americana Hillary Jordan e ficou de fora das principais categorias do Oscar 2018.

Logo de início, a trama nos apresenta aos personagens que serão protagonistas. Em uma fazenda, nos é mostrado Hap (Rob Morgan) e sua família, que vivem em um pedaço de terra inserido em uma fazenda que não os pertence. Eles sonham em ter sua própria terra, e para isso guardam dinheiro para conseguir consumar tal fato. A outra família que protagoniza a história é composta por Laura (Carey Mulligan), Jason Clarke (Henry) e o pai de Jason, um racista que odeia negros. Logo passam a pedir favores para eles. Hap com medo do que pode ocorrer a ele e a família decide obedecer. A história dá um pulo e vai para a Segunda Guerra Mundial em que os filhos (Jamie e Ronsel) de ambas as famílias participaram e voltam como heróis depois do término do confronto.

Ao voltar da guerra Ronsel se revolta com o jeito que é tratado simplesmente por ser negro e está desacostumado com as pessoas de lá. Já Jamie é uma espécie de playboy que só bebe para esquecer o conflito e para não precisar ficar perto de seu pai, que por ser racista não permite ver o filho fazer amizade com alguém que não seja de sua cor. 


A história é bonita, sensível e bem estruturada que fazem dele ser uma produção que cativa o telespectador por mostrar o ponto de vista dos diversos personagens que são apresentados. Mas há um problema que quebra a estrutura inicial construída pela narrativa.  A partir do momento que ambos voltam da guerra tudo muda e parece que a trama do início se transforma em outra coisa. Mudaram os personagens principais e passaram a focar apenas em Ronsel e Jamie, algo que até então não havia acontecido. Uma grande falha, já que Ronsel (filho de Hap) até então não havia entrado na trama. 

A criação de laço de amizade entre os novos amigos é uma coisa chatíssima e o jeito que a abordaram poderia ser mais ágil. Até chegar ao clímax envolvendo a Klu Klux Klan acabam se alongando e se perdem em qual tema era o verdadeiro propósito da trama. Não havia necessidade de estender na conversa dos dois, ainda mais com "conversinha fiada" para mostrar que ambos estão se dando bem e compartilham os mesmos problemas de vida, e com diálogos vazios que não faziam a trama ir para a frente. A história só girava quando aparecia o personagem do pai de Jamie e Henry, Pappy (o ótimo Jonathan Banks).

A personagem de Carey Mulligan (Laura) é abandonada ao meio da história para criarem o laço de amizade dos dois amigos em destaque. Ela perde sua força com esse abandono, assim como seu marido Henry. Colocam um personagem e o abandona, fazendo perder o sentido de estar na história.


Temas como a submissão da mulher ao marido, o papel do negro na guerra, intolerância e religião são alguns dos temas abordados na produção, quase todos abordados de forma genérica. O foco principal é a segregação racial e o racismo e como isso está incrustado na sociedade americana. 

É um bom longa, mas que perde bastante força ao abordar vários temas sem ao menos se aprofundar em algum deles. São tantas tramas paralelas e tanto assunto jogado que se torna cansativo e chato, além de não criar ligação alguma sobre os assuntos discutidos. Faltou intensidade à história e o final foi corrido, claramente feito apenas para chocar a quem assiste.



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