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Crítica: O Que Te Faz Mais Forte


Depois que a produção O Extraordinário conseguiu mais de seis milhões em bilheteria no Brasil com uma história inspirada em fatos reais, e que virou livro, agora é a vez de O Que Te Faz Mais Forte tentar seguir o mesmo caminho e estrear nos cinemas brasileiros.

O livro adaptado ao cinema foi escrito por Jeff Bauman junto com Bret Witter. Na trama, nos é contado como Jeff sobreviveu ao atentado terrorista realizado na maratona de Boston que deixou três mortos e mais de duzentos feridos. Esse foi o pior atentado terrorista em solo americano pós-onze de setembro. Bauman foi testemunha-chave para que o FBI pudesse realizar a caça aos terroristas. Esse é um dos motivos que o tornaram quase que um herói local. 

Dirigido por David Gordon Green (Segurando as Pontas) longa acompanha a vida de Bauman em três fases distintas de sua vida: antes dos atentados, durante o ato terrorista e pós-atentado. Os relatos de Jeff no livro são sinceros e mantidos nessa versão, com pequenas mudanças que não mudam em nada o rumo da história. A diferença é que no livro Bauman conta mais de sua vida antes do dia do atentado e no filme já começam quase que mostrando de imediato o dia da maratona. 


Na produção conhecemos sua vida, seus hábitos e gostos, e para por aí. Todo o foco do longa está em Jeff Bauman (Jake Gyllenhaal) e em sua recuperação psicológica e física. Nada mais acontece e a estrutura narrativa é igual a de outros filmes que trabalham com histórias de superação em casos de acidentes, doenças ou atentados.

É normal que esse seja o jeito encontrado pelo diretor para criar maior afeição com o público. Ao segui-lo para todo o lugar, ver seu drama e acompanharmos sua recuperação é natural que crie um vinculo maior com quem assiste. Só que o jeito como esse vinculo foi criado é o maior problema do filme. Há cortes que vão para trechos de sua vida sem o mínimo trabalho de jogo de câmera ou diálogos que levem para outra cena. Simplesmente corta para outra parte como se fosse outro dia, isso sem explicar em que período que aquilo está ocorrendo, dias depois da maratona, semanas ou meses. Acaba por parecer que tudo está ocorrendo naquele momento e provavelmente não esteja. Isso fica evidente no final quando já está se recuperando e decide ir em frente com a fisioterapia. 

Jake Gyllenhaal é a alma do personagem, e é de se estranhar de não ter sido pelo menos indicado ao Oscar. No papel de protagonista está perfeito, consegue passar todo tipo de emoção ao público e nos insere cada vez mais no que o personagem está enfrentando. Algumas cenas com ele podem não passar sensação nenhuma ou podem parecer apelativas, só que aí tem a ver mais com o modo como o diretor levou a cena que especificamente com o ator.  A atriz que interpreta sua companheira na produção, Tatiana Mosleny não deixa por menos e mostra porque é uma das melhores profissionais de sua geração. Sua personagem é uma companheira que o ajuda em tudo, e ainda o coloca nos eixos nos seus piores momentos, tentando abrir seus olhos para a mãe super protetora e para a falta de responsabilidade dele em momentos cruciais. Como o foco é todo no personagem de Gyllenhaal é de entender que em alguns momentos ela suma de cena e fique parecendo uma personagem secundária.


Uma das passagens mais emocionantes do filme e talvez a única que possa trazer uma mensagem relevante, seja a conversa com o mexicano que o ajudou a levar ao hospital. Eles conversam sobre filhos, responsabilidades, e o homem mexicano conta como superou suas perdas pessoais. Essa conversa parece um pouco jogada ali e está lá justamente para dar um direcionamento ao personagem de Jeff em levar em conta que ele precisa superar a perda de suas pernas e que deve continuar sua vida.  A ideia de David Gordon em nenhum momento é a de chocar o público e sim o de sensibilizá-lo. Um exemplo é a cena da troca do curativo que é mostrado o sofrimento de Bauman frente aos cuidados com a perna.

Outro acerto de Gordon é o de mostrar tudo de forma crua, desde a hora do acidente até ele tentando levar sua rotina em frente. É uma versão menos romantizada e mais realista, algo diferente do que foi feito na produção Como Eu Era Antes de Você.

O Que Te Faz Mais Forte estreia hoje (8 de fevereiro). É um bom drama, humano e sensível e deve agradar ao público pela sua história de superação das adversidades que a vida impõe. 





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